Na edição de dezembro, o nosso colaborador António Guerreiro publicou um artigo no qual se debruçava sobre um assunto que merece atenção. Tendo ouvido as queixas de comerciantes quanto às decorações natalícias feitas este ano pela Câmara Municipal, na cidade de Silves, o António colocava a questão – não seria mais interessante e sobretudo eficaz se estes comerciantes, em vez de apenas se queixarem, se assumirem como intervenientes no processo, apresentando, por exemplo, uma proposta à autarquia, explicando a sua visão e os seus argumentos?
Uma solução trabalhada em conjunto, por pessoas que conhecem as ruas comerciais, as suas características e necessidades, com o técnico da autarquia, poderia quiçá alcançar resultados a contento de todos. Mas, quando as partes não se envolvem no processo, limitando-se a queixar-se da versão final, está praticamente garantido que no ano seguinte o processo irá repetir os mesmos passos.
O não envolvimento dos cidadãos que trocam cada vez mais a participação (que envolve trabalho, disponibilidade, vontade), pelo conforto da queixa nas redes sociais, frequentemente à mistura com cobardia e falta de caráter, alimentada com ódios rasteiros, invejas pessoais, mentiras e desinformação, é um dos grandes males dos nossos dias.
Longe vão os dias em que os moradores de um determinado lugar se juntavam e faziam a estrada com os materiais que a Câmara ou a Junta cediam, plantavam um jardim, pintavam e arranjavam a escola… Não se esperava que tudo aparecesse financiado, feito, resolvido, pensado e executado por “eles”….
Uma coisa é certa, quanto menos nos envolvemos, mais livremente outros tomam as decisões que nos condicionam.
No início de um novo ano, em que fazemos votos disto e daquilo, sempre cheios de boas intenções, talvez valesse a pena acrescentar mais um voto para 2026: o de fazer parte da comunidade onde vivemos, participando com os decisores políticos, num espírito de compromisso que, seja qual for a nossa escolha partidária, nos incentive a colaborar pelo progresso geral.
Na sua mensagem de Natal dizia o nosso primeiro-ministro que devíamos todos olhar para o Cristiano Ronaldo e bebermos um pouco da sua mentalidade. Mas o esforço pessoal engrandece apenas quem o faz. É pelas lutas coletivas, pelas causas associativas, pelo trabalho em equipa que tem sido construído o caminho da liberdade, da democracia, das conquistas sociais.
Que a nossa motivação para 2026 seja darmos um pouco mais de nós próprios, a nossa contribuição, para resolvermos o que consideramos que necessita de ser corrigido ou melhorado. A concha do egoísmo, de cada um por si, só nos diminuiu. Nós não vivemos sozinhos e sem os outros nada somos.
Num estudo publicado, há poucos dias, conduzido pela plataforma Remitly, Portugal surge como o 6º país mais generoso do planeta e o 2º mais generoso da Europa, apenas atrás da Irlanda. O estudo utilizou a Escala de Generosidade Interpessoal, uma ferramenta psicológica que mede comportamentos muito mais profundos do que a caridade material. O que foi avaliado foi a empatia, o apoio emocional, a paciência, a amabilidade e a disponibilidade para colocar as necessidades dos outros à frente das nossas.
Façamos, no dia a dia, jus a este resultado. A generosidade é gratuita.
Que 2026 seja para todos, com saúde e esperança, um Bom Ano.






