Home / Opinião

Opinião

O peso do Turismo

Com o final de Agosto, as estradas do país enchem-se com o regresso dos turistas às suas casas e às suas rotinas. Para trás ficam os dias de praia, as tardes nas piscinas e as noites quentes do Verão. Igualmente quentes continuam as discussões sobre a questão da massificação do turismo. Um pouco por todo o mundo questiona-se sobre o valor das hordas de turistas que invadem as cidades europeias, munidos de selfie-sticks e telemóveis, fotografando tudo o que se assemelhe remotamente a algo turístico. Estes movimentos pendulares turísticos criaram empregos e dinamizaram centros urbanos, mas pouco a pouco foram …

Ler Mais »

E depois do petróleo?

Augusto Santos Silva, o nosso Ministro dos Negócios Estrageiros, que até tenho em muita consideração, foi o testa de ferro de António Costa nesta trapalhada do petróleo no Algarve. Prospecção apenas, dizia o senhor Ministro. Mas que me digam uma operação a nível global que tenha apenas prospecção e não produção também? Gastam rios de dinheiro apenas para prospetar? António Costa por sua vez foi o testa de ferro dos interesses das grandes multinacionais petrolíferas, o que é extremamente embaraçoso, para um político que usa as energias renováveis e o ambiente como bandeiras. Os sinais estiveram todos lá, como as …

Ler Mais »

Voltaram as Chamas, restam as chamas da política

Bem me parecia que esta civilização tem sido a fingir, rasurando por todo o lado o planeta, enchendo paisagens de diversos perigos de funcionalidade e capacidade produtiva, confundindo trocas comerciais e económicas com os mundos contrafeitos dos bancos secretos onde os ganhadores de dinheiro desviado escondem fortunas. Portugal fazia parte de uma zona temperada da Península Ibérica, voltada para o Oceano Atlântico, pelo qual viajou em lanchas e caravelas, entre lendas e achamentos deslumbrantes, deuses do mar e da terra, novos continentes, novas gentes, coisas e produções que negociaram durante séculos. Este Portugal perdeu a monarquia, tentou abrir-se à modernidade …

Ler Mais »

De novo, o flagelo dos incêndios

15 anos depois os incêndios voltaram em força ao concelho de Silves, tendo origem na serra de Monchique, como anteriormente. Se em 2003 a área ardida atingiu 43 mil hectares, em 2018 a calamidade retrocedeu para 27 mil hectares, representando à data, recorde europeu, que em nada nos honra. No concelho de Silves, apesar do extraordinário esforço levado a cabo pelo Município desde 2014, em termos de execução de faixas de execução de combustível com a largura aproximada de 26 metros, faixas de interrupção de combustível, nalguns casos superiores a 100 metros de largura, abertura e limpeza de caminhos, aceiros, …

Ler Mais »

Nem Vivalma

Céu limpo por dentro. Maré cheia. Água azul. Ar manso. Temperatura tropical. O Verão já corre. Nem vivalma na piscina. O vestiário está órfão de roupas de homem. O atleta, que lá vai três dias por semana, só vê o seu par de calças suspenso do cabide. O atleta é um colunável. Operado à coluna, precisa de enrijecer a musculatura da lombada. Tem de pôr cem quilos de carne e osso a bracejar à chapada na água. 25 metros para lá, 25 metros para cá e torna-viagem. O volume de água deslocado impressiona. Um verdadeiro maremoto. Os vagalhões de sueste …

Ler Mais »

Mathilde

A minha avó materna foi exposta, aquando do seu nascimento. Assim reza a história de que fora abandonada pelos pais após o nascimento ou com pouca idade. Os chamados enjeitados, numa palavra mais popular e menos erudita, pouco própria para as escrituras das paróquias das cidades e das vilas do nosso país. Sempre assumi, com alguma certeza, três ou quatro factos a propósito desta minha avó que já era sexagenária quando nasci. Que tinha sido enjeitada, no ano da graça de mil oitocentos e noventa e oito (estava errado), que fazia anos em março, que foi deixada à porta da …

Ler Mais »

Época de fogos na província

Não é uma afirmação gratuita nem uma graçola de mau gosto. Portugal tem sido um país demoradamente votado a épocas de incêndios nas zonas florestais. Quase tudo acontece no interior, espaços da chamada província, (mito dos sítios pobres e abandonados, hoje dividido entre algumas cidades de razoável ou bom perfil e as aldeias meio perdidas, meio abandonadas, por vezes vazias) – afinal todo um território de esplendorosa e poeirenta interioridade, tão subitamente amado pelos nossos políticos da Assembleia da República e da nossa cristã bancada do CDS. Com efeito, desde os terríveis e virgens incêndios do ano passado, que se …

Ler Mais »

De comboio para a capital

Numa viagem recente à nossa capital, decidi trocar o meu habitual meio de transporte. Ao invés de calcorrear a estrada que separa o Algarve de Lisboa, comprei um bilhete e percorri as linhas de caminhos-de-ferro que serpenteiam para a cidade à beira Tejo. Admito, há anos que não andava de comboio no território nacional. A viagem decorreu sem grandes sobressaltos e foi deveras confortável, admito. No entanto, a primeira hora e meia de viagem foi conduzida por alguma consternação e surpresa. À medida que o comboio avançava pelas linhas, não podia deixar de pensar em quando é que o comboio …

Ler Mais »

Descentralização ou transferência de encargos

O governo do PS prepara, através de negociações à direita com o PSD, o novo pacote legislativo do processo de descentralização de atribuições e competências (educação, saúde, cultura, ação social, praias, florestas), assumindo relevância extraordinária o que se congemina para endosso aos municípios. Numa primeira abordagem a ideia é boa, num país excessivamente centralizado, que representa forte óbice e inegável constrangimento à coesão social e territorial e ao desenvolvimento. É comummente aceite que o poder mais próximo dos cidadãos, como é o caso do Poder Local, se traduz em condições mais favoráveis para responder com superior eficiência e eficácia aos …

Ler Mais »

Algarve a ver passar comboios

Os comboios no Algarve, sobretudo no Barlavento, são transparentes. Não se veem. Raramente se ouvem. O ronco tonitruante, lá muito de vez em quando, indicia que existem. O material rolante circula com enormes graffitis, mal amanhados, borrados com spray nas estrias metálicas das carruagens. As automotoras são feias, porcas e lentas. Ficam histéricas e aos guinchos quando travam. Máquinas arcaicas, emporcalhadas de fuligem, arrastam caixotes trepidantes. No seu interior os passageiros sentam-se em bancos surrados e ensebados. Espreitam a paisagem pelas janelas embaçadas pelo pó. Às vezes chegam a horas ao seu destino. O Barlavento algarvio continua à espera de …

Ler Mais »