A Câmara Municipal de Silves tem vindo a promover, a criação de parques desportivos no concelho, como recentemente aconteceu com a inauguração, em junho passado, do espaço multiusos desportivo no Algoz, permitindo a prática de diversas modalidades ao ar livre.
Aliás como já sucedera há poucos anos em Tunes, aqui com o apoio de outras entidades. Infraestruturas que há muito deveriam existir e que só agora veem a luz do dia. Todavia, é importante que as mesmas sejam construídas com as dimensões necessárias para a realização de competições oficiais, senão todos os parques, pelo menos alguns, para que não se tornem rapidamente obsoletos e em investimentos perdidos, a longo prazo. Note-se que estas infraestruturas devem servir as populações das freguesias não uma, mas várias gerações.
No caso da freguesia de São Bartolomeu de Messines, os últimos investimentos da Câmara em parques desportivos ao ar livre remontam aos primeiros anos da década de 1980 quando foi construído o estádio municipal.
Nos últimos 40 anos nada mais se fez a esse nível e não faltaram verbas da então CEE, ou já da União Europeia, mas tão somente vontade na sua concretização. Ainda da década de 1970 é o Pavilhão da Casa do Povo, que se encontra ao serviço da população desde 1977, e serviu várias gerações de alunos da então Escola C+S até à construção de um novo pavilhão, agora pela Câmara, de dimensões exíguas, nos primeiros anos deste século (que já aqui lamentámos, também pela implicação nefasta que teve na malha urbana). Em termos desportivos, o estádio municipal e o pavilhão da Escola EB 2,3 João de Deus foram as únicas infraestruturas construídas na freguesia pela Câmara nos últimos 50 anos. Antes do 25 de Abril a população ainda se mobilizou para a construção de uma piscina, mas tal nunca se concretizou.
Com mais de 8 100 habitantes na freguesia de São Bartolomeu de Messines, não existe, ao ar livre, um campo de basquetebol, nem de ténis, nem uma pista de atletismo, tão somente um pequeno e exíguo estádio municipal. Este último totalmente atrofiado, sem dimensões oficiais para a prática de futebol, sem estacionamento para carros e outras viaturas, não serve os reais interesses dos messinenses, nem de ninguém.
Infelizmente, ao longo das últimas décadas, a edilidade silvense, presidida por diferentes forças políticas, age por reação e não por antecipação e o resultado são medidas atabalhoadas que acabam por só resolver momentaneamente os problemas. A ausência de planeamento praticado pela Câmara é ainda mais grave por descurar uma das principais vantagens do concelho, a sua centralidade, seja no contexto regional, seja na fácil ligação ao Alentejo e a Lisboa.
Ora encontrando-se o Município de Silves a rever o Plano Diretor Municipal, dado que não o fez, aquando da sua elaboração, deverá consignar, no mesmo, um espaço nas imediações da vila de São Bartolomeu de Messines, e existem várias opções, para que possa projetar aí um grande centro desportivo.
Este poderá mesmo nascer um pouco mais longe da sede da freguesia, onde já existem terrenos propriedade do Estado. A sua construção, com estratégia e ousadia, poder-se-á fazer por fases, permitindo fomentar a prática de outras atividades desportivas pelos mais jovens e servir a longo prazo, várias gerações de messinenses. Tal permitirá ainda relocalizar o atual campo de futebol, libertando aquele espaço para o parque escolar, bem como para um novo arruamento e em simultâneo dotar o novo centro com um amplo estacionamento, para apoio aos praticantes, famílias, adeptos e visitantes. Por outro lado, a centralidade do concelho justifica, a construção de um complexo desportivo de âmbito regional que permita receber diferentes tipos de competições oficiais.
Que o novo executivo e seus vereadores, permanentes e não permanentes, queiram finalmente fazer diferente, a freguesia de São Bartolomeu de Messines precisa e agradece.








