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Editorial

É Verão…

Paradoxal I– As urgências pediátricas e a maternidade do Hospital de Portimão têm tido dias em que não estiveram abertas, entramos no Verão sem garantias que esses serviços funcionem convenientemente. Paradoxal. A concentração/vigília que a Comissão de Utentes organizou há poucos dias tinha estes utentes: poucos. Muito poucos. Paradoxal II – O IC1 via principal de acesso à região, que traz os visitantes até ao mar, encontra-se num estado de enorme degradação, com troços lastimáveis. Há um ano e tal soube de uma concentração/protesto organizada por utentes desta via. Lá estavam os mesmos, os “poucos”. Poucos carros, poucas motas, poucas …

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“A minha casinha”

A seguir ao 25 de abril de 1974, na explosão de liberdade e fraternidade que se deu, um dos movimentos mais surpreendentes e transformadores que nasceu nessa euforia foi o das comissões de moradores e comissões de bairros. Por todo o país, milhares de pessoas organizaram-se para resolver o problema da habitação, construindo ou melhorando as suas casas, bairros e aldeias. Surgiram depois as cooperativas de habitação e a habitação social construída pelo Estado e autarquias. Esse poderoso movimento foi travando à medida que a euforia se extinguia e governos mais à direita tomavam conta dos destinos do país. Não …

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O valor da história

Li recentemente um livro de Richard Zimler, no qual o autor aborda a ascensão do nazismo, vista pelos olhos de uma adolescente alemã. Residente na cosmopolita Berlim, integrada na classe média, a jovem partilha a ideia, amplamente difundida no seu meio social, de que um bronco como Hitler nunca alcançará o poder. É com incredulidade que a mesma e seus familiares e amigos assistem à vitória de uma pessoa que consideram social e intelectualmente inferior, sem qualquer capacidade para dirigir um país que acreditam ser forte, desenvolvido e moderno. Da incredulidade ao horror e à derrocada de toda a sua …

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Mudar o mundo é simples

Há uns anos atrás, quando ainda era professora, fazia sempre uma fuga ao programa oficial para ler com os alunos o conto “O homem que plantava árvores”, de Jean Giono. Inspirado numa história verídica, o conto relata a história de um pastor que após a morte de sua mulher e filho, se isola numa cabana na floresta e começa a plantar árvores. Todos os dias o fazia, de uma forma sistemática, percorrendo cada vez mais maiores distâncias e escolhendo com critério o tipo de árvores adaptado aos solos. Este processo começa numa região árida, sem habitantes nem vida. É nessa …

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Constatações de Março

Na sessão da Assembleia Municipal que decorreu em São Bartolomeu de Messines constatei sem surpresa a boa participação popular, como é costume nas assembleias descentralizadas nas freguesias. Sem surpresa mas com alguma tristeza, confirma-se que a grande maioria das intervenções carrega antigas reivindicações: a estrada, a água canalizada. Não são “novos rurais” que ali se apresentam, acabados de mudar para o campo. São as pessoas que ali viveram sempre, os velhos que permanecem e os novos que gostavam de continuar. É o país que vive a escassos quilómetros das zonas urbanas. Uma realidade que atinge todos por igual, até a …

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Incógnitas

Não é que estejamos assim tão afastados da esfera do poder. Em segundos, o mundo digital leva-nos a todo o lado, de avião chega-se lá numa hora, pela autoestrada são duas horas… distâncias ínfimas nos dias de hoje. Mas continuo sem ver como podemos lá chegar. Nós, os que vivemos na periferia do litoral. Veio um ministro ao Algarve anunciar investimentos. Milhões, infraestruturas, desenvolvimento – ouvimos palavras cujo sentido compreendemos e apreciamos. Mas esmiúça-se o conteúdo dos documentos e surgem duas grandes debilidades. Em primeiro lugar, os investimentos continuam a seguir a conveniência da indústria turística; em segundo lugar, a …

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Tolerância

Começa o ano de 2019 com uma discussão acesa acerca da entrevista feita na TVI a Mário Machado, conhecido neonazi. Perante a indignação de muitas pessoas e entidades, entre as quais o Sindicato de Jornalistas, veio aquela estação defender a entrevista argumentando que todas as opiniões devem ser respeitadas e que defende a liberdade de expressão. Poucos valores são mais preciosos do que a liberdade de expressão, pela qual tantas pessoas deram a vida e lutaram durante séculos, numa batalha que está longe de estar ganha em muitos pontos do globo e até aqui em Portugal. Mas Mário Machado é …

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Quando o mundo (parece que) não muda

No nosso minúsculo mundo a que chamamos Concelho de Silves, parece que há coisas que não mudam. E algumas não mudam mesmo, provocando por vezes algum desespero a quem tenta escrever uma reflexão sobre o que de mais importante por aqui se vai passando. Como é o caso desta pessoa que escreve neste espaço. Fosse eu buscar os textos de 2014, sobre o primeiro orçamento da responsabilidade do executivo CDU na Câmara Municipal de Silves, e os comparasse com os que publicamos nesta edição de dezembro de 2018, que diferenças encontraríamos? Respondo já: além dos números, muito poucas. A CDU …

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O valor da verdade

Entre 2004 e 2006 a Câmara Municipal de Silves, liderada pela presidente Isabel Soares e por uma maioria absoluta do PSD, entendeu dar à empresa Viga d’ Ouro, de Tunes, um enorme número de empreitadas. Na azáfama de tanta obra, a autarquia esqueceu-se de cuidar do bem comum. Os relatórios oficiais são arrasadores: neste período foram feitas obras sem concurso, no valor de quase cinco milhões de euros, todas pela mesma empresa, que cobrou pelo seu trabalho cerca de cinco vezes mais do que o preço normal de mercado. Esta é a essência do caso Viga d’ Ouro, foi assim …

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Silves Tax-Free

O turismo no Algarve está a atravessar um momento delicado, com os indicadores a cair ao mesmo ritmo a que os destinos tradicionalmente concorrentes começam a ultrapassar os problemas que enfrentaram nos últimos anos. O Brexit está também por aí, a inquietar muita gente. A concorrência interna está em alta e os fluxos turísticos dedicam cada vez menos tempo ao turismo “sol e praia” algarvio. Nesta conjuntura, os municípios algarvios decidiram criar uma chamada taxa turística. Para angariar verbas para investir em projetos, dizem. E quais projetos? Ninguém sabe. E também para ajudar a pagar os gastos suplementares que as …

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