Nos últimos anos temos combatido afincadamente a ideia do Algarve ser “sol e praia”. O que reduzia a região a uma insignificância que não a representa. Afortunadamente, para municípios como Silves, as potencialidades dos territórios interiores, as atividades ligadas à natureza, gastronomia ou património, têm ganho não só visibilidade como também um crescente número de adeptos.
Vendo de uma certa perspetiva, o turismo democratizou-se. Há opções para todos os gostos e (quase) todas as carteiras e a oferta continua em expansão. Neste sentido, também a concorrência, o que obriga a mais profissionalismo no sector e uma linha orientadora definida, quer a nível local quer a regional. O trabalho que os municípios de Loulé, Silves e Albufeira têm realizado para a constituição do Geoparque Algarvensis, aspirante à Rede Mundial de Geoparques da UNESCO, é um excelente exemplo da conjugação de objetivos e recursos na construção de um património que valoriza os intervenientes e contribuirá para a dinamização económica e social dessas zonas. O mesmo se pode dizer do Parque Natural Marinho do Recife do Algarve – Pedra do Valado, que junta os municípios de Albufeira, Lagoa e Silves e, que no caso do nosso concelho, terá especial importância para a criação de uma área marinha protegida na Baía de Armação de Pêra.
A par destes exemplos felizes temos um outro projeto a necessitar de reformulação, a Rota da Laranja, lançada pela Câmara de Silves, por um infeliz acaso, antes da pandemia e do primeiro confinamento o que lhe retirou visibilidade e protagonismo, sendo certo porém que é um projeto que merece uma segunda oportunidade, não só por promover um produto emblemático do concelho, como também por ser agregador, “da serra ao mar”.
Menos felizes temos sido, penso eu, naquelas pequenas ações que fazem a diferença e que se destinariam a fomentar o interesse de novos visitantes e a reforçar o regresso de outros.
Dou um exemplo. Observo que a área de autocaravanas que a Câmara de Silves construiu recentemente em S. Bartolomeu de Messines, tem, durante os meses de inverno, a lotação esgotada, praticamente todos os dias. O que representa certamente algumas centenas de pessoas. Muitas frequentam restaurantes, fazem compras no comércio local e algumas têm voltado todos os anos. Mas a nível turístico são completamente ignoradas. Não existe em nenhum ponto do recinto, um mapa, um folheto turístico, a agenda com as atividades do concelho… um roteiro da freguesia… um produto próprio para estes visitantes… E também não foi criada nenhuma atividade que pudesse atrai-los para fora da área…. Já tenho pensado que talvez a Semana Gastronómica de Messines se pudesse adiar por um mês e realizar-se na altura em que o parque está cheio?… Esta é uma ideia que me tem ocorrido e honestamente não sei se teria viabilidade e rentabilidade, mas seria bom começarmos a fazer este tipo de análise… Como nos adaptarmos e evoluirmos, para crescermos?
No que se refere ao nosso litoral, há também um grande caminho a percorrer, no que respeita à sua divulgação e promoção. Para começar, seria bom que se soubesse que o concelho tem um extenso areal, vindo de Pêra, pela Praia Grande, até Armação de Pêra. Quanto a esta, a ideia que muitos (até locais) irresponsavelmente promoveram durante anos, como uma localidade feia, feita só de prédios, constituiu uma “pedra no sapato” que nem todos os esforços das autarquias de Silves e de Armação têm conseguido desmistificar nos turistas nacionais. No entanto, as estatísticas mostram um interesse crescente em Armação e a subida do número de turistas. Mas é necessário é um pouco mais de atenção a pormenores. Dou um exemplo: no dia 31 de dezembro de 2022, no dia em que a Junta preparava, com a Câmara Municipal e muitas associações armaceneneses, uma passagem de ano que pretende concorrer com as vizinhas, percorrendo a avenida junto ao mar, onde, tal como eu, deambulavam centenas de pessoas, não consegui ver uma única faixa, cartaz, outdoor, o que fosse, a anunciar a festa. Finalmente, um simples cartaz A4, colado no vidro de um quiosque enferrujado e com muito mau aspeto que persiste na praça do Mini- Golfe, dava conta da realização de uma passagem de ano…
A área de autocaravanas em Messines é um sucesso, assim como o foi a passagem de ano em Armação de Pêra. Mas quando queremos nos destacar pela diferença, pela qualidade e por aquilo que temos de bom para oferecer, todos os pormenores fazem a diferença. Caso não estejamos atentos há muitos que o estão a fazer.





