A Diocese do Algarve emitiu um comunicado visando o esclarecimento dos resultados relativos a esta Diocese no Relatório da Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais na Igreja, confirmando a existência de “dois nomes de sacerdotes, alegados abusadores”.
Segundo o comunicado, o Bispo do Algarve recebeu, na passada sexta-feira dia 3 de março, uma lista com os nomes referidos.
“ Um dos nomes refere-se a um caso que a Diocese do Algarve teve conhecimento em outubro de 2021 e que desencadeou imediatamente a investigação prévia, com informação ao Ministério Público, cujo resultado foi enviado para a Santa Sé, a qual, após a análise do processo, indicou que o mesmo devia ser arquivado”, diz a Diocese.
“O segundo nome indicado não corresponde a nenhum sacerdote incardinado na Diocese do Algarve, nem se encontra nos arquivos diocesanos alguma referência a seu respeito. O Bispo do Algarve já informou a Comissão Independente (Grupo de Investigação Histórica) desta ocorrência, ficando a aguardar uma informação adicional sobre este assunto”.
Hoje mesmo ( dia 9 de março), todo o clero da Diocese está reunido em assembleia geral, convocada pelo Bispo do Algarve, “destinada a estudar medidas para prevenir a possibilidade de ocorrência de abusos no futuro, quer envolvendo menores, quer adultos vulneráveis, a partir da legislação civil e canónica em vigor”. Esta ação de formação será alargada a todos os agentes diocesanos de pastoral.
No comunicado recorda-se a mensagem do Bispo do Algarve, na altura da Quaresma, na qual considerou “a recente publicação do relatório para o Estudo dos Abusos Sexuais de Crianças na Igreja Católica Portuguesa pela Comissão Independente” como “um veemente apelo à conversão”, apelo que exige “coragem e decisão em conhecer a verdade”. Salientando que “ninguém pode abafar ou ignorar este grito”, que nos remete para “uma realidade inqualificável”. A Igreja é chamada a “assumir a responsabilidade que essa verdade reclama”.
Nesse sentido- acrescenta o comunicado – “a Diocese do Algarve e o seu Bispo tudo farão para que sacerdotes e demais agentes de pastoral recebam informação e formação sobre este assunto, com o objetivo de criar uma «cultura do cuidado e da transparência» em todas as instituições diocesanas. Da mesma forma, todas as comunidades devem desenvolver uma “nova sensibilidade de modo a prevenir e a denunciar situações que possam ocorrer na proteção e defesa das crianças, adolescentes e adultos vulneráveis”.
Manuel Quintas apela a todos, “no sentido de manterem a esperança e de cultivarem um sentido cristão de acolhimento total às vítimas, bem como de caridade e acompanhamento em relação aos abusadores, chamados a assumir as consequências canónicas e civis dos seus atos.”









