É urgente, na minha opinião, a criação de um espaço cultural que conjugue as tradições da cidade, com um olhar modernista, através das tecnologias e do digital, e que abra espaço ao conhecimento de artistas locais contemporâneos nas áreas da pintura, da escultura, da fotografia e da arte digital e novos media. Esta inovação deverá também envolver e fixar no concelho jovens adultos com conhecimentos tecnológicos para dinamizarem e sustentarem este novo espaço cultural de arte digital.
A aposta no património histórico e industrial, que nos foi deixado pelos nossos antepassados, ruínas de um outro tempo, é importante, mas não pode ser exclusivamente arqueológica, sustentada em artefactos cerâmicos ou peças industriais, no recorte da cidade medieval ou da cidade industrial.
O caminho é confiar na arte e acreditar na possibilidade da recriação da cidade árabe, numa experiência imersiva e interativa, e da urbe industrial, ancorada no (espero) renovado museu da cortiça, com uma dimensão tecnológica e digital.
A nossa cidade tem potencial para ir além da oferta das muralhas de um castelo milenar ao acreditar que o passado pode ser reconstruído para integrar as novas gerações de crianças e de jovens adultos que são nativos digitais.
Foi este conhecimento da geração Z, articulada com a vontade de olhar a contemporaneidade, que nos levou (a mim e a familiares) a dois museus em Barcelona:
O White Rabbit – The Off-Museum of Barcelona, composto por dez instalações, criadas por artistas locais, inauguradas em maio de 2024, surpreendeu-me pela experiência imersiva e interativa que conjuga a cultura e as tradições catalãs com as tecnologias, como realidade virtual, vídeomapping e arte digital. Enquanto desfrutava da realidade virtual que me colocou no cimo de um casteller (castelo humano) ou no meio de um correfoc (corrida de fogo) imaginei-me (num futuro museu silvense digital) nas noites de feira medieval, na cidade árabe ou protagonista da lenda das amendoeiras em flor.
O Moco Museum, na sua versão de Barcelona, inaugurado em outubro de 2021, com artistas como Banksy, Jean-Michel Basquiat, Andy Warhol, Yago Hortal e Yayoi Kusama, configura uma modernidade desta cidade catalã que alberga espaços museológicos tradicionais dedicados a Picasso, a Joan Miró, a Salvador Dalí e a Gaudí, entre outros clássicos.
Sem este gosto também pela modernidade ficarei apenas preso à atualidade turística de massas, ancorada a Antoní Gaudí e à Sagrada Família, a atrair turistas (muitos turistas) todos os dias, todos os anos, como no castelo de Silves.








