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O novo Parque de Feiras em Messines – Oportunidade perdida?

A 27 de outubro do ano passado centenas de messinenses saíram à rua para assistir à inauguração do parque de feiras e exposições da vila. Não era para menos, desde a difícil expropriação dos terrenos pela Câmara de Silves, aí por 1997, que a expetativa existia.
Todavia, somente nos últimos anos a obra arrancou, culminando no passado dia 23 de dezembro com a realização do primeiro mercado no novo recinto.

Os mercados mensais ou as feiras anuais da freguesia têm, desde há muitos anos, larga afluência. Em 1909 escrevia Athaíde Oliveira na sua «Monographia de S. Bartolomeu de Messines»: «como é sede de uma freguesia muito povoada, e os seus mercados aos domingos muito frequentados, a elles acorrem habitantes das freguesias limitropes, como são Alte, Algôs, S. Marcos, S. Barnabé e outras freguesias do Baixo-Alemtejo»...

Também Adelino Mendes nos legou, em 1915, no livro «Algarve e Setúbal», uma breve descrição de um certame: «(…) S. Bartolomeu de Messines, a aldeia de João de Deus, situada perto da linha férrea, lá além, na base d’uma suave colina. Há feira no povoado. Á beira da estrada, duas longas filas de barracas fazem lembrar um acampamento de tropas em dias de manobras. A feira está concorridíssima. Pelos caminhos tortuosos, que corta os campos, a serra e a charneca, bandos de campónios, a pé ou montados em jericos, dirigem-se para Messines, a enfeirar».

Uma das preocupações dos edis silvenses logo após a proclamação da República foi o arranjo de um espaço próprio para os certames na freguesia. Na altura a opção recaiu no local que hoje constitui o Largo António Vaz Mascarenhas, ou «às árvores», que rapidamente se tornou exíguo. Por aqueles anos eram comuns os reclames afixados nas estações ferroviárias, como aconteceu em 1919, em que a Câmara de Silves autorizou a empresa dos Anúncios do Caminho de Ferro a promover a feira de Maio de Messines, nas gares de Beja, Garvão, Odemira, Évora, Barreiro, Portimão, Tunes, Faro, Olhão, Tavira e Vila R. St. António. Certame que nos anos de 1940 constituía um dos maiores do Algarve.

Mercado de Messines

Ora a vila de S. B. de Messines dispõe hoje de uma magnífico espaço para a realização de feiras e exposições. Porém, o vasto recinto alvo de expropriação foi primeiramente amputado, para a construção do Terminal Rodoviário, e depois para o aparcamento de caravanas, de tal forma que o espaço restante, destinado aos mercados, pela exiguidade, não contemplou quaisquer lugares para estacionamento em dia de feira, quando estes são mais necessários. Como se não bastasse, no mercado de dezembro, os feirantes ocupavam praticamente todo o recinto, ou seja, este está, à partida, sub-dimensionado.

É certo que já não existem os jericos que Adelino Mendes fixou em 1915, mas existem carros e os certames não são só para a vila, são para a freguesia e para todos aqueles que nos visitam, aqui e em qualquer lugar. Por isso estes locais contemplam sempre largas dezenas de lugares de estacionamento, o que aqui inacreditavelmente não aconteceu.

O projeto da área

Queremos acreditar que a autarquia tencione minimizar o problema adquirindo algum espaço contíguo, destinando-o a estacionamento, pois, se tal não acontecer, nos moldes atuais o parque existente de todo serve os interesses da freguesia.

E porque falamos de estacionamento, lembramos mais uma vez à Câmara Municipal a importância da aquisição do prédio e vasto quintal, na Rua Cândido dos Reis, o antigo centro de saúde. Só assim será possível recuperar o edifício existente, para alojamento social, e principalmente criar nesse quintalão um amplo parque de estacionamento público necessário e imprescindível não só à capela de S. Sebastião, como a todo o centro histórico.

Os autarcas deverão primar os seus mandatos com ousadia, visão e estratégia em prol do bem comum, para que não constituam oportunidades perdidas, ou de gestão medíocre. Dotar a vila e freguesia de S. B. de Messines de equipamentos públicos, ainda que tardiamente, é não só uma obrigação como uma oportunidade para o futuro. Não a descuremos.

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