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EditorialOpinião

Meu rico verão

Paula Bravo
Última Atualização: 2026/Jun/Sex
Paula Bravo
3 horas atrás
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Roda o sol e num ápice estamos de novo a debater os temas do verão. Para mal de todos nós, basicamente, os que temos debatido nos últimos anos.

Estive de novo, há poucos dias, na Conferência do Mar, em Armação de Pêra e o mundo moveu-se, mas a legislação não. A área marinha protegida que forma o Parque Natural Marinho do Algarve Pedra do Valado continua mais ou menos desprotegida, mais ou menos só no papel. Do género alguma coisa avançou no processo, mas faltam alguns dos passos fundamentais. No entretanto, cada um orienta-se como pode. Os maiores melhor do que os pequenos, como é habitual. Entretanto, passaram dois anos.

Ali mesmo ao lado, jaz em parte incerta o projeto da Reserva Natural da Lagoa dos Salgados.  Toda a gente aplaudiu o anúncio. E depois… Mais de quatro anos depois, o projeto para defender esta área, que vai da Ribeira de Alcantarilha à Ribeira de Espiche, incluindo a Praia Grande, considerada de extrema importância devido à sua biodiversidade e valores naturais, anda algures, perdido em gabinetes ministeriais.

É público que a Câmara de Silves tem pressionado a tutela, nomeadamente em reuniões com a ministra do Ambiente. Os resultados, esses, têm-se ficado por declarações vagas. E boas intenções. E visitas em período de campanha eleitoral.

E o lixo! Claro, eterno assunto, que no verão se extrema. Lamento, caros leitores, as notícias não são frescas. No Algarve, os municípios estão unidos na luta que travam com a Algar para que esta empresa responsável pela recolha dos ecopontos aumente não só o número dos ditos cujos, mas também a recolha. Mas os acionistas preferiram distribuir os lucros por si próprios, enquanto os autarcas ardem (quase literalmente), consumidos pela fúria dos cidadãos. (Os quais também não se portam assim tão bem, há que dizer a verdade, mas é mais fácil culpar os outros.)

E temos o assunto do barulho das festas de verão, da animação noturna, dos bares, dos estabelecimentos comerciais e afins… Não seria um verão a sério se este assunto não fosse trazido à praça pública. Pois. Eu, que neste momento em que escrevo, já vou com duas noites muito mal dormidas graças à festa do caracol que se prolonga por cinco intermináveis dias, nunca terminando antes das duas da madrugada, sinto-me muito pouco isenta na abordagem este assunto. Há o verão. As festas. Tudo isso. Mas autorizar que uma festa realizada numa zona residencial possa encerrar todos os cinco dias para lá das duas ou três da madrugada não me parece razoável. E já agora, nem que a Feira Medieval de Silves se estique por 10 dias… precisamente por esta mesma razão.

Não é fácil decidir sobre estes assuntos. Normalmente resulta em guerra aberta entre as câmaras, os comerciantes e os moradores. Nada de novo, siga o verão, para o ano há mais.

Outro tema incontornável do início do verão, é a antecipação dos incêndios. Dizem as autoridades regionais que, desde o dia 1 de maio, a 4 de junho registaram-se  109 ocorrências, que mobilizaram 2.591 operacionais, 693 veículos e 57 missões com meios aéreos. Estamos preparados? Todos dizem que não.

Não sendo novo, este verão ganhou visibilidade: o assunto dos chapéus-de-sol em frente das concessões privadas. Há quem esteja à espera de uma batalha campal nas praias portuguesas e provavelmente irá haver escaramuças. Mas na verdade alguma coisa terá de mudar para que as praias possam ser o que realmente deviam ser, espaços públicos livres. Na minha opinião, nas praias com menor área, não deveria ser permitida a instalação de concessões e caberia ao município da zona assegurar a segurança da praia. Decisão difícil, obviamente e que mexeria com muitos interesses instalados. Mas a erosão da costa e as alterações climáticas a que assistimos irão empurrar-nos, inevitavelmente, para decisões difíceis. Os milhões e milhões que se têm gasto em repor ou aumentar o areal de muitas praias são medidas que o mar leva. Mais cedo ou mais tarde.

Rematando e concluindo. Ai meu rico verão, seria tão bom que no próximo ano pudesse escrever sobre outros assuntos. Férias, moscatel e conselhos para os melhores sítios para ver o pôr do sol…

 

 

 

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PorPaula Bravo
Natural de S. Bartolomeu de Messines, nascida em 1963. Licenciada em Comunicação Social. Desde 1986, trabalhou em vários órgãos de comunicação nacionais e regionais. Dirigente associativa. Fundadora e diretora do Terra Ruiva desde abril de 2000.
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