Neste período de pré-campanha eleitoral, tenho ouvido alguns candidatos a juntas de freguesia do concelho, num tom idêntico, com um mesmo lamento… A ideia é sempre a mesma, estamos abandonados aqui no nosso cantinho, pelo poder atual, mas as coisas vão mudar com a nossa candidatura.
Nas redes sociais, nessa enorme e catastrófica montra de opiniões, em Silves, os candidatos opositores queixam-se que a atual presidente tem beneficiado Messines, por ser a freguesia onde reside.
Em Messines, ao contrário. Os candidatos da oposição defendem que a atual presidente e o seu executivo abandonaram a freguesia.
E em Armação… nada mudou nas últimas décadas. A afirmação de que Armação tem direito a mais investimento porque é a freguesia que mais contribui para os cofres da Câmara e que, ao contrário, está abandonada, é repetida todos os dias!…
Em tempo de eleições, estas queixas ganham novo fôlego, imputando-se aos atuais executivos, quer na Câmara, quer nas Freguesias, toda a responsabilidade do que não foi e deveria ter sido feito (na opinião de quem assim defende)…
De resto, a confusão existente em muitos candidatos sobre o que são as competências dos diversos órgãos autárquicos, os seus poderes e capacidades, quer financeiras quer de pessoal, é muitíssimo evidente nas declarações e anúncios públicos que vão surgindo…
Dessas afirmações, sem qualquer suporte na realidade da gestão autárquica, resultam constrangimentos, embaraços e promessas não cumpridas que denigrem a classe política e os eleitos.
À parte este aspeto, é legítimo que cada candidato reivindique para a sua terra mais e o melhor. Também é compreensível que julgue que o que é feito está sempre aquém do necessário. Mas será correto que, o desejo legítimo de fazer mais e melhor, seja alcançado deixando outras freguesias do concelho à margem do bem estar que reivindica para a sua população?
Há uns bons anos atrás, era a silvense Isabel Soares presidente da Câmara de Silves, eleita pelo PSD, e dizia em entrevista ao jornal “Avezinha”: “O problema dos messinenses é pensarem que quem está na Câmara, e não sendo de Messines, só pensa em tramar os outros.”
Esta declaração prova que “o mal” de só olharmos para a galinha do vizinho e ficarmos incomodados por a mesma nos parecer mais gorda, não é uma situação de agora…
Mas, sinceramente, custa-me um bocado ter a certeza que, quando publicamos uma notícia sobre um melhoramento feito no concelho, por exemplo, a pavimentação de uma estrada, surgirão 99% de críticas negativas de pessoas que:
- a) acham que a estrada está mal feita
- b) acham que a estrada x ou y era mais necessária
- c) acham que os engenheiros da Câmara e o Executivo não valem nada…
….
- z) todas as anteriores, em diferentes versões.
E apenas 1%, ou menos, manifestar alguma satisfação pelo benefício realizado, independentemente de quem sirva.
Isto é válido para as freguesias mas também para o concelho, já que comparações do género, “o município x faz isto e tem aquilo e Silves não…” também não faltam.
Objetivamente, se passarmos o tempo a olhar com cobiça para a galinha do vizinho, mesmo sem sabermos se é realmente aquilo que aparenta, corremos o risco de passar ao lado do essencial: defender o nosso território como um todo, palco da nossa existência e singularidade.








Considero este artigo bem estruturado. Assim é, de facto. Como se assiste, com maior ênfase, atualmente em Faro, a disputa entre o candidato do PSD, Cristóvão Norte ( CN) e aliados (deputado AR e presidente da A.Municipal), e o candidato do PS, António Pina-AP ( presidente da C.Municipal de Olhão-que não se pode recandidatar por atingir o limite de mandatos) a grande argumentação de CN contra o adversário AP é de ” ser olhanense”- o que até nem é verdade, enquanto ele é farense genuino. Esquece que o PSD tem candidatos nas mesmas situações, como é o caso de Sérgio Antão- atual presidente da União Freg.Algoz e Tunes, que agora se candidata por Pera.
Este tipo de discurso eleitoral demonstra a menoridade intelectual de alguns políticos, que à falta de melhores argumentos técnicos ( o que se propõem fazer nas regiões por onde se candidatam, para melhorar a vida dos municipes/fregueses) ne refugiam nos chavões xenófobos, de grande parte de cidadãos,com grandes carências culturais e cívicas, que invejam o vizinho, por tudo e nada. Em Silves é incontestável o subdesenvolvimento em determinadas áreas, que os 12 anos de governação PSD/ I.Soares ( premiada depois com o cargo de administradora das A.Algarve – o PS sabe tratar bem a/os seus amiga/os do bloco central , o que agora não se verifica pelo governo AD…), nem os 12 anos de PCP/CDU resolveram: a) Habitação social para a classe média que, embora tardiamente, outros concelhos algarvios avançaram; nem um fogo/ apartamento no concelho! b) Higiene urbana um desastre…contentores a abarrotar, monos, etc., e não serve de desculpa a responsabilidade da Algar. Albufeira, aqui ao lado, tem trabalhadores a limparem ruas /espaços publicos todos os dias…c) O desordenamento urbanístico refletido em construções emergentes, em terrenos rústicos, onde antes nada existia do passado e a pandemia de casas pré-fabricadas em “parcelas rusticas”. A ausência de infraestruturas de água e saneamento básico atacam o ambiente, poluindo solos e aquíferos. Como cogumelos, “as casinhas” para instalação de contadores de electricidade para estas novas favelas algarvias ( um verdadeiro maná que a ERSE patrocina há anos para locais não urbanizaveis e para baixas potências, normalmente alegados para rega/fins agrícolas) tem passado por baixo do nariz da DOM/ Fiscalização inexistente, que se saiba, pese embora o Aviso que a CMS publicitou da sua ilegalidade e necessidade de aprovação prévia. Mais haveria a enunciar mas, por ora fico me por aqui, reconhecendo que estas rivalidades picuinhas entre armanecenses, messinenses e silvenses, só servem para distrair do que é essencial para o Desenvolvimento do concelho.