Ao utilizar este site, concorda com a nossa politica de privacidadePolitica de Privacidade e Termos e Condições.
Accept
Terra RuivaTerra RuivaTerra Ruiva
  • Concelho
  • Sociedade
    • Ambiente & Ciência
    • Cultura
    • Educação
    • Entrevista
    • História & Património
    • Lazer
    • Política
  • Opinião
  • Vida
  • Economia & Emprego
  • Algarve
  • Desporto
  • Autores
    • António Eugénio
    • António Guerreiro
    • Aurélio Cabrita
    • Carlos Osório
    • Clara Nunes
    • Débora Ganda
    • Eugénio Guerreiro
    • Fabrice Martins
    • Francisco Martins
    • Frederico Mestre
    • Helena Pinto
    • Inês Jóia
    • José Quaresma
    • José Vargas
    • Maria Luísa Anselmo
    • Maria José Encarnação
    • Miguel Braz
    • Paula Bravo
    • Paulo Penisga
    • Patricia Ricardo
    • Ricardo Camacho
    • Rocha de Sousa
    • Rogélio Gomes
    • Sara Lima
    • Susana Amador
    • Teodomiro Neto
    • Tiago Brás
    • Vera Gonçalves
  • Página Aberta
  • AUTÁRQUICAS 2025
    • AUTÁRQUICAS 2021
  • Edições
Reading: Par de Córneas
Partilhe
Font ResizerAa
Terra RuivaTerra Ruiva
Font ResizerAa
  • Home
  • Demos
  • Categories
  • Bookmarks
  • More Foxiz
    • Sitemap
Follow US
  • Advertise
© 2022 Foxiz News Network. Ruby Design Company. All Rights Reserved.
Opinião

Par de Córneas

José Alberto Quaresma
Última Atualização: 2019/Abr/Seg
José Alberto Quaresma
7 anos atrás
PARTILHE

Cego e surdo. Ninguém deseja correr o risco. Nem eu. Há quem vele por mim. Registo o cuidado. Não sei se quem ainda consegue ler estas linhas é notado. Ou se já tem deficiências visuais e auditivas graves. Oxalá, não.

A cidade está pejada de estabelecimentos para venda de óculos para a boa vista e de aparelhos contra a má surdez. Ruas prevenidas. Em cada esquina um amigo. Em cada rosto bondade. Procuram, julgo, gente de vistas curtas e de surdez larga.

Bata branca. Gravata ajustada. Sorriso ajustado a interpelar os passantes. O sorriso abre-se em representação da nacional ou da multinacional do negócio. Apesar do ajustado, noto que quem veste a bata branca está preocupado com quem circula. Julga-o a caminho da cegueira parcial. Ou da surdez total. Ou nem por isso. Ou precisam apenas que assim seja.

Os preocupados da cegueira são mais acanhados. Raramente ultrapassam o poial da loja. O sorriso de esmalte níveo convida o vulto a entrar. Não tropece quem ousar. Veja bem. Nos escaparates, óculos de sol para qualquer cambiante de luz, cangalhas para todo o rosto, lentes de contacto para qualquer córnea.
Lá bem no fundo da retina, a bata branca deseja apenas interromper a degenerescência macular de um desconhecido. Sem mácula, claro. O par de córneas de uma vida merece todo o cuidado.

Os preocupados da surdez são mais ousados, mas em menor número. A bata branca aborda no passeio o potencial tramouco. Topa, perdão, escuta à distância o septuagenário tropeçante, surdo que nem uma porta, então não se vê logo? Se não traz um carrapato agarrado à orelha, é porque precisa. Com voz maviosa e falinha mansa, captura-o para dentro da loja.

E, lá dentro, quem não suspeitava que o era, passa a sê-lo. Tramouco. Testes auditivos e música celestial. Sai de lá airoso. Com um carrapato de última geração ferrado na orelha. Imperceptível. A gente olha e pensa – coitado, é mesmo tramouco! E o carrapatado vai ter dificuldade em desferrar uma factura, muito generosa, em 36 ou 48 suaves prestações mensais. Que pagará religiosamente. Pelo menos, enquanto não estiver cego, surdo e mudo. De vez.

Para saber vender um carrapato pouco menos que inútil é preciso ser carraça. Carraça bem falante. Há muitas. Em muitos ramos da saúde.

O meu paizinho, que não era pitosga nem tramouco, passou a sê-lo. Hoje não está melhor. Desde 1912, que nunca vê tão mal e ouve tão péssimo. Dizem que é por estar no escuro, desde 2002. Ninguém o mandou para lá. Foi-se. Acabara de pagar a última suave prestação.

As nacionais e multinacionais do negócio do olho e do ouvido há muito que perceberam. Os portugueses não veem porque não querem ver. Não ouvem porque não querem ouvir. Sabem tudo. Assim sendo, há que lhes vender próteses. Ficam teimosos na mesma. Mas pagam.

Mudos nunca seremos. Enquanto nos deixarem. Pelo menos, falaremos sempre e mal e pelos cotovelos, dos políticos, do Estado, do Serviço Nacional de Saúde, do patrão, da empregada de limpeza, do cão do vizinho, da mulher do outro e, claro, de cangalhas e carrapatos que comprámos voluntariamente à força e que não usamos.

Então óculos de ver ou carrapatos de ouvir não são muito mais discretos dentro do estojo?

Total Views: 0
Vila de Silves
Sacrifício para os de baixo, privilégios para os de cima
Lucros versus Populações
Algoritmo
Dia Mundial de Mim
TAGGED:José Alberto Quaresmapar de córneas
Partilhe este artigo
Facebook Email Print
PorJosé Alberto Quaresma
José Alberto (de Oliveira) Quaresma nasceu em Portimão. Licenciou-se em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Prosseguiu estudos em História Moderna e Contemporânea, na Universidade de Paris- Sorbonne (Paris IV), com Pierre Chaunu e André Corvisier e em História das Mentalidades Religiosas, no Collège de France, com Jean Delumeau. Foi docente do ensino secundário e formador de professores. Publicou artigos em revistas científicas e apresentou em vários fóruns comunicações sobre História, História das Mentalidades, Sociedade e Sistema Educativo. Tem, como colunista, colaboração dispersa por vários periódicos, nomeadamente, O Independente, Público, Expresso, Correio da Manhã, Domingo Magazine. Obteve o Prémio Revelação de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores (1989), pelo livro A Pose Extática, (Afrontamento). Publicou Ecolalia, poesia (Vega) e, na mesma editora, Direito ao Erro – A Batalha da Educação em Portugal. Foi autor de «Falta de Castigo – O Blogue da Educação e da Falta Dela», no semanário Expresso, entre 2008 e 2014. Coordenou as Comemorações do 122º Aniversário do Nascimento de Manuel Teixeira Gomes (1982-1983). Foi comissário para as Comemorações Nacionais dos 150 Anos de Manuel Teixeira Gomes (2010). É autor de Manuel Teixeira Gomes – Biografia (Imprensa Nacional – Casa da Moeda / Museu da Presidência da República
Artigo Anterior 25 de abril- 45 anos (Dia 28) O Terra Ruiva nas comemorações
Próximo Artigo DECO informa: Podem cobrar-me comissões de manutenção se tiver a minha conta inativa?
Sem comentários

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Últimas

Noite Tropical em Alcantarilha
Lazer Sociedade
Armação de Pêra com novas papeleiras inteligentes
Concelho
“Freguesia em Festa”, em Silves
Lazer Sociedade
V Open de Xadrez em Armação de Pêra
Desporto
PCP diz que circulação de comboios eléctricos na Linha do Algarve não anula exigências de reforço do investimento
Política Sociedade

– Publicidade –

Jornal Local do Concelho de Silves.

Links Úteis

  • Notícias
  • Estatuto Editorial
  • Ficha Técnica

Publicidade

  • Publicidade & Assinaturas
  • Conteúdo Patrocinado

Info Legal

  • Contactos e Info Legal
  • Termos e Condições
  • Politica de Privacidade

Siga-nos nas Redes Sociais

© Copyright 2025, Todos os Direitos Reservados - Terra Ruiva - Created by Pixart
Ajustes de acessibilidade

Com tecnologia de OneTap

Durante quanto tempo queres ocultar a barra de acessibilidade?
Duração de ocultação da barra
Perfis de acessibilidade
Modo de Deficiência Visual
Melhora os elementos visuais do site
Perfil Seguro para Convulsões
Remove flashes e reduz cores
Modo Amigável para TDAH
Navegação focada, sem distrações
Modo de Cegueira
Reduz distrações, melhora o foco
Modo Seguro para Epilepsia
Escurece cores e para o piscar
Módulos de conteúdo
Tamanho do ícone

Padrão

Altura da linha

Padrão

Módulos de cor
Módulos de orientação
Welcome Back!

Sign in to your account

Username or Email Address
Password

Lost your password?