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Editorial

Mudar o mundo é simples

Paula Bravo
Última Atualização: 2019/Abr/Sex
Paula Bravo
7 anos atrás
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Há uns anos atrás, quando ainda era professora, fazia sempre uma fuga ao programa oficial para ler com os alunos o conto “O homem que plantava árvores”, de Jean Giono. Inspirado numa história verídica, o conto relata a história de um pastor que após a morte de sua mulher e filho, se isola numa cabana na floresta e começa a plantar árvores. Todos os dias o fazia, de uma forma sistemática, percorrendo cada vez mais maiores distâncias e escolhendo com critério o tipo de árvores adaptado aos solos. Este processo começa numa região árida, sem habitantes nem vida. É nessa altura que o autor se cruza com o pastor. Anos mais tarde, volta ao local e mal o reconhece. No lugar da paisagem antes deserta havia agora fauna, flora, ribeiros que corriam e habitantes em aldeias recuperadas. E uma floresta. Tudo isto em resultado do trabalho de um só homem.

Tendo eu a convicção de que o trabalho dos professores só fica completo se estes forem também agitadores de consciências e de mentalidades, tentava assim passar uma simples mensagem: mudar o mundo é possível. Basta haver uma pessoa que o queira.

Neste mês de abril celebramos sempre duas datas, sendo que a segunda nunca existiria sem a primeira. Celebramos o aniversário da Revolução do 25 de Abril de 1974 e o aniversário do jornal Terra Ruiva. Com todo o respeito pela diferença de escala e de importância, uma e outra não teriam existido sem pessoas que queriam mudar o estado a que isto tinha chegado.
Pela extraordinária importância que têm as pessoas encaradas no seu valor único e nas possibilidades de progresso que muitas delas encerram, gostaria de ver esta força mais reconhecida e valorizada. Assistindo às discussões sobre o futuro do nosso concelho, ou lendo os programas eleitorais das forças políticas, constato que todos estão de acordo em que é necessário atrair mais empresas, investimento económico. Mas dificilmente alguém dirá, temos que atrair mais pessoas. Isto é, pensamos que atrás das empresas virão as pessoas e que isso irá desencadear a reação que se deseja: empresas, emprego, pessoas, habitações, dinamismo económico local.
Mas olhemos para o Algarve- que investimentos económicos significativos tivemos nos últimos anos que obtivessem esse resultado? Além de não os vermos e de, com certeza, não os vermos no interior, o que assistimos é à incapacidade do Algarve em fixar talentos, profissionais de várias áreas. Um exemplo: as vagas para os estabelecimentos de saúde que ficam por preencher.

A nível local conhecemos bem as consequências desta incapacidade. A falta de recursos humanos qualificados é um problema que se estende a todas as atividades económicas, culturais, desportivas e sociais. E não é que não existam estas pessoas. E não é porque não têm raízes por aqui, que muitas até têm. Mas é porque não se fixam, vão para fora, estudam e já não voltam. Muitos ficam longe e em empregos abaixo da sua qualificação, mas não se sentem atraídos pelo Algarve ou por um concelho como o nosso, no qual as oportunidades são escassas, que veem como um local atrasado e pouco desenvolvido. Não atraente.

Encarar cada pessoa como um valor e como uma possibilidade de mudar o mundo terá de ser a estratégia para concelhos como o de Silves. Pensar quais os recursos humanos mais necessários, quais os mais adequados para o nosso desenvolvimento e, sim, ir à procura deles! Não temos de fazer o choradinho de sermos um concelho do interior, com todas as desvantagens inerentes, até porque temos um concelho com muita gente dinâmica e capaz, como o prova a existência e continuidade de tantas associações e de várias empresas, temos apenas de fazer o balanço do que nos falta e batalhar para o obter. E valorizar os que já aqui estão, a construir o nosso futuro diário, pois estes são os que fazem toda a diferença.

Em muitos momentos da história uma simples pessoa fez toda a diferença. Um pastor plantou uma floresta, um capitão alimentou um sonho, um homem disse não falo, alguém disse vamos fazer um jornal. Nenhum deles pensou em mudar o mundo. Mas tudo seria tão diferente se não o tivessem feito…

… Na passagem do 19º aniversário do Terra Ruiva – Jornal do Concelho de Silves uma palavra de agradecimento, uma vez mais, a todos os que têm apoiado e contribuído para este projeto. Colaboradores, anunciantes, amigos e leitores, a todos o nosso reconhecimento.

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PorPaula Bravo
Natural de S. Bartolomeu de Messines, nascida em 1963. Licenciada em Comunicação Social. Desde 1986, trabalhou em vários órgãos de comunicação nacionais e regionais. Dirigente associativa. Fundadora e diretora do Terra Ruiva desde abril de 2000.
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