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Portugal em Directo

Teodomiro Neto
Última Atualização: 2016/Dez/Sex
Teodomiro Neto
9 anos atrás
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No passado dia 18 Novembro fui convidado, pela R.D.P. / Antena 1, a intervir na importância da Estrada Nacional 2 que se inicia em Chaves e finda em Faro. São 737 km , desde que foi construída, em 1884. Sendo a primeira estrada do reino, assim considerada.
O Algarve teve mais estrada líquida, que de terrena e pedra. Mas a EN-2 chegou em finais do século XIX. Foi um romper a serra, o obstáculo de séculos, em que até no século XV, D. João II não se atreveu a descer o oceano até Tavira; e depois no final do século XVI, D, Sebastião o imitou, descendo de Lisboa, por terra. Era o perigo dos corsários. Assim foi o Algarve, até chegar a estrada real de Chaves a Faro.
Que importância dessa estrada para o país, sobretudo Alentejo e Algarve, as zonas mais afastadas ao Sul ?
Para a nossa região foi um desafogo, em que a partir de S. Brás de Alportel, as viagens se facilitaram. Foi escoamento dos produtos da serra: cortiça, alfarroba, amêndoa, figo, madeiras, mel, carnes várias, enchidos, etc, tiveram a E.N.2, como um meio de desenvolvimento para a serra e litoral na economia do Algarve, desde os tempos.
Fomos, in loco, onde as estradas EN-2 e 125 se cruzam as histórias das estradas para a nossa conversa transmitida pelo país.

O Algarve sempre foi, através dos tempos, um pequeno reino abandonado. Com o século XVI veio o desenvolvimento algarvio.

O período do renascimento, com a elevação de Tavira, Faro e Lagos a cidades, na política de desenvolvimento em que a Europa avançava, nesse contributo que o Algarve das descobertas africana trouxe para o reino dos reis D. Manuel I, D. João III e D. Sebastião, nessa aventura que nos levou à trágica situação da ocupação.
Encalhámos até ao último quarto do século XVII, com a ocupação filipina. Em guerras de recuperação. Com os sessenta anos dos espanhóis terminados, o Algarve começa a recuperar-se, assim como todo o reino. Mas para o Algarve as maiores dificuldades.
Regressemos ao meio século XVIII, na reconstrução do terramoto, seguindo-se às crises do início do século XIX com as ocupações francesa e inglesa a caminho de uma guerra civil, em que o Algarve foi muito sofrido e, enfim, a nova política do liberalismo.
Vamos viajar, a meio século XIX, pelo primeiro vapor, de Vila Real Santo António a Lisboa, a 2 de Junho de 1853, em que o viajante deixou de fazer testamento, sem a dúvida de um regresso.
Vamos avançar um pouco para o fim do século XIX, com a vinda de dois cientistas ao Algarve. Os geógrafos alemães: Johann Centurius, Heinrich Link, e Hermann Maltzan, num estudo de Eberhard Wihelm. Percorreram esses quatro zoólogos o Algarve, em 1879.

Um breve apontamento, de Portimão a Messines: “De visita a Portimão os Maltzan fizeram uma viagem de barco, pelo rio Arade, até Silves, a 8 de Abril. Visitaram uma fábrica de cortiça, o Castelo. Pela estrada nova, foram de coche a São Bartolomeu de Messines, assistindo a um funeral, em que a caixa do defunto repousava no meio da rua, enquanto os acompanhantes foram matar a sede a uma taberna junto à igreja. Seguindo, depois até Alte, a pé, numa caminhada de duas horas. O Algarve estava no último reduto do caminho de ferro. As estradas, na narrativa dos alemães, era uma raridade”.

No passado dia 18 de Novembro , eu e o jornalista da Antena I, estivemos nessa memória. Mário Antunes põe a questão: Como era Faro no seu tempo de cá chegar, no início da década de cinquenta, do século passado? E eu conto: Onde circula a avenida Calouste Gulbenkian acabava a cidade para a nascente. A chamada Estrada de S. Brás entrava pela, hoje, dita rua do Alportel, Era a mais longa via que cortava a cidade ao centro: descia ao cruzamento da Estrada 125, atravessava a Praça de S. Pedro, cruzava-se com a rua Batista Lopes, continuava na Ferreira Neto até à Praça Ferreira de Almeida, para finalizar na antiga rua Salazar e Praça D. Francisco Gomes de Avelar.
Foi uma Estrada, feita rua, por onde a cortiça da serra chegava às grandes fábricas do Caiado, do Cospes, do Fritz, do Morgado, do Jacinto e de outros industrias, onde centenas de operários nos dois graus desenvolviam fortunas. Pela estrada de São Brás circulavam as camionetas da EVA, serra fora, EN.2, arrebanhando os emigrantes para a França e Alemanha. Escapando às perseguições da PIDE. Foi um tempo de tragédia, em que a condição social dos Algarvios fica para contar…

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PorTeodomiro Neto
Natural de S. Bartolomeu de Messines, nascido em 1938. Concluiu licenciatura em História e o doutoramento em "História Política Europeia". Professor universitário, em França, ( entretanto aposentado), tem colaborado com diversos jornais nacionais e regionais. Tem publicadas várias obras no âmbito da história regional, teatro e romance. Entre outras distinções recebeu a Medalha de Mérito Ouro da Cidade de Faro.
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