Nesta conversa de dois minutos, que mantenho mensalmente com os leitores, debato-me, em cada mês, com o assunto do escrito, com a pertinência da temática. Neste início do mês de maio, ainda recheado de abril, nada me ocorre com verdadeiro significado, além de pequenos apontamentos que vou recolhendo em interação com os outros. Em geral, todas as autarquias fizeram um significativo esforço para comemorar os cinquenta anos da Revolução dos Cravos, Silves não foi exceção. Aliás, acho que em Silves, a data foi assinalada com empenho redobrado, desde logo pelo significado político, económico e social do 25 de abril de 1974, para a força política dominante na autarquia silvense.
Tenho participado em algumas atividades culturais e outras sociais, na cidade, com gosto, mas não tenho encontrado, em nenhuma delas, todos aqueles que efusivamente apregoam que em Silves nada acontece. Ultimamente têm ocorrido diversos debates sobre um punhado de questões mais ou menos padronizadas, genéricas e sem grande alcance de futuro. Um dos debates envolveu a atual e antigos presidentes da autarquia silvense, que, cada um à sua maneira, reconheceram, e bem, que em cada momento fizeram aquilo que consideraram ser o melhor para a cidade e para o concelho. A verdade é que Silves e o concelho está diferente, urbanisticamente distinto, mas não consegue ser um polo de atração no Algarve.
Uma importante provocação, enunciada no referido debate, é saber se devemos pugnar pelo desenvolvimento do Algarve, na lógica do arrastamento de Silves, ou se devemos discutir o progresso de Silves, independentemente da região. Provavelmente, é necessário unir estas duas reclamações, e pensar como se aumenta a população na cidade, nos lugares e no concelho, sem degradação económica e social. Apostar na economia, nas pessoas reais, na valorização dos espaços, do ponto de vista urbano, arquitetónico e turístico, num tecido económico que seja promotor de novos investimentos e empregos, valorizados socialmente, numa região mártir de baixos salários na agricultura, no turismo, na distribuição e na construção, é, só por si, já um grande desafio para qualquer gestão autárquica.
Silves, além de passado, também pode ser futuro, pode apostar numa perspetiva económica e cultural, valorizando o existente, programando o porvir.
Neste sentido, poderá criar condições para alavancar alguns projetos diferenciadores na região algarvia e que possam ser uma mais-valia para a cidade, para o concelho, e para quem nos visita, turistas ocasionais ou passeantes por iniciativa própria. Por exemplo, no campo cultural, Silves podia ser pioneiro na criação de um museu de arte moderna, porque não? Um verdadeiro espaço para exposição de pintura, escultura e fotografia. Assim, sem muito pensar, ocorrem-me os artistas Samora Barros, Bernardo Marques, Maria Keil, Fernando Conduto, Rocha de Sousa, Jorge Santos e outros e o jovem fotógrafo André Boto.
Para além da pequenez das minhas inquietações provincianas e citadinas, as inquietantes imagens televisivas (e reais) do genocídio do povo palestino na Faixa de Gaza, são verdadeiramente uma causa de todos e de cada um, neste florido mês de maio.




