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Opinião

Ranking de escolas

Francisco Martins
Última Atualização: 2021/Jun/Sex
Francisco Martins
5 anos atrás
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Desde 2001, confrontamo-nos anualmente com os rankings da educação divulgados pelos órgãos da comunicação social que, usando como critério único os resultados das provas e exames nacionais, comparam o desempenho das escolas, surgindo, habitualmente, as privadas à frente das públicas.
Não passam de abordagem parcelar e desonesta que distorce e mascara a realidade, porquanto se compara alhos com bugalhos.
O ranking ignora que a avaliação de cada escola não se faz, desconsiderando o território e as suas circunstâncias sociais, económicas e culturais. Os resultados escolares não dependem, exclusivamente, do trabalho dos professores e da qualidade dos órgãos de gestão. As caraterísticas socioeconómicas e culturais das famílias, o nível de rendimento e de formação dos pais/encarregados de educação, são elementos fundamentais, que fazem com que os alunos que chegam à sala de aula, apresentem diferentes condições de aprendizagem.

Uma coisa é a realidade dos colégios privados (elitistas) que selecionam os seus alunos e focam-se quase em exclusivo nos exames e outra coisa são as escolas públicas (inclusivas) que recebem todos os alunos sem filtro e promovem outras competências.

“As escolas que se dão ao luxo de escolher à partida os seus alunos, que recebem os alunos que em casa comem e leem e viajam e falam inglês não têm grande trabalho a fazer. Todos nós, professores, sabemos que trabalhar com bons alunos é fácil. Difícil, desafiante (e apaixonante) é fazer dos fracos bons.”(Ricardo Noronha, blogue)

Estranha-se que os dados sobre a composição socioeconómica dos alunos dos colégios privados sejam ocultados. É sintomático que, se olharmos de um ponto de vista territorial para os rankings, concluímos que os resultados constituem um retrato do país, mostrando as diferenças de desenvolvimento entre o litoral e o interior. Um litoral mais urbanizado, com maiores níveis de formação, com mais poder de compra e maior acesso a bens culturais. Um interior nos antípodas, com o processo de desertificação humana e económica em crescendo. Por onde andam as políticas dos sucessivos governos? De acordo com os Censos 2011, a Grande Lisboa e o eixo Porto/Viana do Castelo concentram dois terços da população.

A Educação, como área vital para o desenvolvimento do país, necessita de maior investimento por parte do Estado Central, incluindo a revalorização da profissão docente. Não é o que acontece. No período 2010-2020 a despesa pública com os vários níveis de ensino e a ciência, baixou de 5,3% do PIB para 4,2% do PIB. Adivinha-se escassez de professores no futuro próximo. No plano local o Município de Silves, com liderança CDU, está de parabéns com o vultuoso investimento que promove em duas escolas do concelho (EB1 de Silves e EB1 de Alcantarilha), no valor aproximado de 3 milhões de euros.

Apostila – Regressando ao tema das eleições autárquicas e ao que se lê nas publicações nas redes sociais ou ao que se sabe através de outras fontes, nota-se nalguns protagonistas, comportamentos demagógicos e manifesta impreparação para os cargos a que se propõem. Prevalece a ausência de ideias coerentes e da explicitação da estratégia para o desenvolvimento do concelho. Há défice de conhecimento do território, das suas reais necessidades e do estado das infraestruturas.
Existe falta de noção quer dos recursos disponíveis quer dos potenciais. É preocupante a confusão sobre o que são as competências das autarquias locais (Junta de Freguesia, Assembleia Municipal e Câmara Municipal), do Governo ou de outras entidades que tutelam e intervêm no território.

Desvalorizando ou criticando a volumosa obra feita no concelho, vende-se a ilusão de que tudo se resolve com um passe de mágica, descurando recursos, projetos, fontes de financiamento, limites orçamentais, tempo e prioridades.
A praxis política exercida sem ética, e por vezes, como sucedeu no passado, também com atropelo à Lei e prejuízo do interesse público, é um perigo para a Democracia, levando os cidadãos a considerar todos os políticos iguais, colocando-os no mesmo saco. Fica o aviso. A população que se cuide em tempo de eleições, não comendo gato por lebre!

 

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PorFrancisco Martins
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Natural de S. Bartolomeu de Messines, nascido em 1957. Licenciado em Economia, Membro Efetivo da Ordem dos Economistas. Professor e vice-presidente da Escola Secundária de Silves; vereador permanente e não permanente da Câmara Municipal de Silves (eleito da CDU); dirigente associativo em várias entidades. Fundador do Terra Ruiva.
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1 comentário
  • Cursos Online diz:
    21 de Junho, 2021 às 0:50

    Sou a Marina Da Silva, gostei muito do seu artigo tem
    muito conteúdo de valor parabéns nota 10 gostei muito.

    Responder

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