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No Templo do Tempo, Um encontro entre a arte e a cultura

Paula Bravo
Última Atualização: 2019/Ago/Ter
Paula Bravo
7 anos atrás
A oficina do escultor
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O espaço faz jus ao nome. Aqui sente-se a ideia de templo. E uma outra noção de tempo que se acentua na cadência das palavras do mentor deste local, António Villares Pires, escultor e pintor.

O Templo do Tempo situa-se num dos antigos armazéns da CP, na Estação de Silves. Neste espaço arranjado e transformado, funciona, desde 2009, o “atelier / escola artística do escultor e pintor Villares Pires”. É também aqui que se tem desenvolvido, nos últimos anos, uma interessante programação cultural, orientada por sua mulher, a professora Paula Villares Pires.
O armazém encontra-se dividido em dois espaços distintos, o da oficina onde Villares Pires se dedica à escultura, sob a inspiração do “mestre António Soares dos Reis, a quem dedico a oficina”; e um outro, superior, uma mezzanine onde se dedica à pintura, recriando grandes clássicos e fazendo trabalhos originais.

Na Estação de Silves, o Templo do Tempo

As duas artes complementam-se, mas é a pedra que mais impressiona o visitante. Estes são trabalhos que o escultor realiza à mão, sem o auxílio de máquinas, num labor complicado, demorado e exigente, do ponto de vista físico e mental. A pedra não é como a pintura, explica. Um corte mal feito já não se pode corrigir, enquanto na pintura existe essa possibilidade. Assim, normalmente, as suas manhãs, quando está mais descansado, são passadas junto às esculturas e à tarde dedica-se à pintura.
Os trabalhos, à exceção das encomendas, demoram o tempo que demorarem. É por isso que estamos no Templo do Tempo, diz, rindo, Villares Pires. Um exemplo: a escultura de Pedro e Inês, o seu abraço no reencontro final, é um trabalho que está a ser feito há quatro anos. Os primeiros dois anos foram de “trabalho compacto”, os últimos dois são de apuro, pormenor. Mas não há pressa. A arte tem o seu tempo próprio e só nessa altura diz ao artista que está “pronta”.

A oficina do escultor

O gosto pela arte, em Villares Pires, começou quando ainda era “menino”. Nascido no Porto, em 1951, visitava muitas galerias “e conheci grandes mestres que admirava à distância” e outros com quem mais tarde aprendeu, na Escola Superior de Belas Artes do Porto, de onde destaca o nome de “Gil Teixeira Gomes, pintor e gravador de 1ª água”.
Vindo do Porto, acabou por se instalar em Silves, com a sua mulher algarvia, professora de História, atualmente a trabalhar na escola em Armação de Pêra. Juntos têm organizado vários eventos, destacando-se o 1º Symposium da Pedra, um simposium internacional de escultura figurativa em pedra, que reuniu escultores de sete países em Silves, em 2015. Realizado com o apoio da Câmara Municipal de Silves, no seu decorrer foram feitas peças que figuram no jardim do Castelo de Silves.

Paula e António Villares Pires

No Templo do Tempo desenvolvem também variadas ações culturais. Em maio, foi feita uma “Homenagem a Sophia de Mello Breyner”, e a última ação, a 13 de julho, com o título “Sopro no Vento” contou com as participações de Clara Saleiro (flauta transversal) e Joana Martins (dança e trapézio).

O programa, que se prolonga por todo o ano, termina com um Concerto de Natal, com Gonçalo Pescada e Quarteto de Cordas (a 21 de dezembro). “Mas temos outras iniciativas e o ano de 2020 já completo”, diz Paula Villares Pires.
Os artistas que aqui atuam fazem-no geralmente por um preço simbólico e a entrada nos eventos é livre, ficando ao critério de cada um a entrega de um donativo. Uma situação difícil de manter. “O nosso programa tem privilegiado muito os artistas algarvios, e tem sido feito com os nossos meios, mas estamos agora à procura de patrocínios que nos permitam continuar e usufruir e oferecer a cultura nas suas vertentes”, explica Paula Villares Pires.

Nesta oficina funcionam também cursos de iniciação ao trabalho em pedra e cursos de pintura, abertos a todas as pessoas. São cursos, diz o escultor/pintor, em que as pessoas são ensinadas a olhar, a ver e a aprender. Seguindo a sua máxima: “A alma e as mãos fazem a arte”.

Para a(s) arte(s) muitos são os caminhos. Alguns começam no Templo do Tempo, na Estação de Silves, aberto diariamente, (exceto aos domingos), a quem o quiser visitar.

O abraço de Pedro e Inês
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TAGGED:António Villares PiresesculturaEstação de SilvesPaula Villares PiresTemplo do Tempo
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PorPaula Bravo
Natural de S. Bartolomeu de Messines, nascida em 1963. Licenciada em Comunicação Social. Desde 1986, trabalhou em vários órgãos de comunicação nacionais e regionais. Dirigente associativa. Fundadora e diretora do Terra Ruiva desde abril de 2000.
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