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Opinião

Montanha Russa no Algarve

António Eugénio
Última Atualização: 2019/Jan/Seg
António Eugénio
7 anos atrás
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Nas “páginas” do Sul Informação, um jornal on-line algarvio, deparei-me com uma notícia deveras curiosa. Durante uma gala da Câmara de Comércio e Indústria Franco-Portuguesa, o seu presidente indicou que haveria um certo interesse de alguns dos associados em desenvolver e construir um parque de diversões no Algarve, ao estilo da Disneyland Paris, devidamente dimensionado ao tamanho da região. O parque, que não seria aquático para se destacar dos já existentes no Algarve, serviria para atrair pessoas ao Algarve na época baixa, de forma a reduzir a forte sazonalidade que se sente no Algarve.

Vou ser franco; não me parece uma má ideia de todo. Um parque de diversões bem elaborado, ao estilo da já mencionada Disneyland ou mesmo do Parque Warner em Madrid ou da Isla Mágica, em Sevilha, poderia constituir uma importante forma de diversificação da oferta turística no Algarve e servir para atrair um público diferenciado à região, mesmo nas alturas do ano em que o turismo trabalha bem abaixo das suas capacidades. Atrevo-me mesmo a considerar que a sua instalação no interior do Algarve poderá dar algum ímpeto à atividade económica nesse depauperado território, providenciado que detenha adequados acessos. Desta forma, o parque não só providenciaria emprego e investimento, mas também asseguraria uma oferta hoteleira que estes territórios carecem e que poderia servir como catapulta para que o próprio turista conheça o interior e desenvolverá esse mercado. Obviamente que caso este investimento seja feito no Algarve, dificilmente o investidor optará por esta via, mas podemos sempre sonhar.

No entanto, permitam-me algumas reservas: por natureza, e já várias vezes o mencionei nesta coluna, sou extremamente cético em relação a projetos estruturantes que caiam do céu, a balas mágicas que resolvem problemas complexos com soluções simples. Certo é que este investimento, a ser privado como é dito nas notícias, tomará todas as diligências para perceber se é lucrativo ou não, e agirá em conformidade. Caso a construção seja efetuada, corre-se sempre o risco de o investimento não correr como se esperaria e o mesmo ficar abandonado, com todos os riscos que tal implica para o território.

Mas estou, como se diz na gíria popular, a “colocar o carro à frente dos bois”. Não passa de uma ideia, e, caso avance, ainda terá de passar pelo crivo das entidades municipais, regionais e nacionais, o que, caso se mantenha a média, poderá demorar uma quantidade substancial de tempo. Tempo, que poderá levar os investidores a mudarem de ideias e levarem o seu parque para outro sítio ou a mudarem de ideias sobre o próprio projeto. Mais provavelmente, o projeto não sairá do papel e não passará de uma ideia. Dito noutras palavras, não estaremos a andar de montanha russa nos próximos tempos.

No entanto, relevo também outra ilação sobre este tema. Muito se fala sobre a necessidade da diversificação da atividade económica no Algarve. Para muito contribui para esta discussão a natureza sazonal do turismo do Algarve. Porém, muitas das soluções apresentadas orbitam sempre à volta do turismo; raramente são apresentados, ou pelo menos não dão grande relevo, a projetos de outros sectores económicos, não obstante nós termos, por exemplo, um interessante ecossistema de inovação a borbulhar, ou um sector agrícola dinâmico.

Creio que só obteremos uma verdadeira diversificação da nossa base económica quando tivermos outro sector, que não o turismo, a ajudar a sustentar a economia algarvia. Isso sim, faria do Algarve um verdadeiro parque de diversões.

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TAGGED:AlgarveAntónio Eugéniomontanha russaparque de diversões
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PorAntónio Eugénio
Natural de São Bartolomeu de Messines, nascido em 1983. É licenciado em Economia e Mestre em Marketing pela Faculdade de Economia da Universidade do Algarve, tendo efectuado pós-graduações na área das Finanças Empresariais e da Fiscalidade. É membro efetivo da Ordem dos Economistas e da Ordem dos Contabilistas Certificados. Gestor de profissão, interessa-se especialmente por desenvolvimento regional e territorial e é doutorando em Gestão de Inovação e do Território na Universidade do Algarve.
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1 comentário
  • carlos lopez cano vieira diz:
    22 de Janeiro, 2019 às 0:25

    Caro António Eugénio, os meus melhores cumprimentos , e para te dizer que concordo com teu artigo sobre a “Montanha Russa no Algarve”, a ideia e boa mas sempre vão ficando no papel…temos que superar a cultura de eternos adiamentos, o desenvolvimento de uma Região, de um país estão baseadas em decisões e não em belas intenções…heheheh….um forte abraço

    Responder

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