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Silves tem perdas de água significativas “Mas está determinado a resolver esse problema”, afirma a vereadora Luísa Conduto Luís

A rede de abastecimento público de água do concelho de Silves é a terceira, a nível nacional, que tem uma maior perda real de água – atingindo os 489 litros por ramal.
Este dado, relativo a 2016, consta do Relatório Anual dos Serviços de Águas e Resíduos em Portugal (RASARP 2017), produzido pela Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR).
Este documento “sintetiza a informação mais relevante referente à caraterização do sector no ano de 2016, referenciada a 31 de dezembro” e aborda “os principais números em termos de recursos do sector, a análise económica e financeira”, além de avaliar a qualidade do serviço prestado aos utilizadores.

Segundo o referido relatório, a autarquia que tem mais perda de água é a de Macedo de Cavaleiros (641 litros de água por dia); seguindo-se Arruda dos Vinhos (535 litros) e Silves com 489 litros de água por dia. Um valor muito acima da média nacional que é de 126 litros diários por ramal.
Devido à perda de água, como igualmente à subfaturação, aos consumos internos não faturados ou à fraude, o Município de Silves apresenta também uma alta percentagem de água não faturada, que chega aos 57,1%.

Na avaliação do serviço prestado, feita pela ERSAR, destacam-se pontos negativos e positivos no que respeita ao abastecimento de água para consumo humano no concelho de Silves.
Como pontos negativos, a ERSAR aponta os seguintes, que merecem a classificação de “Qualidade de serviço insatisfatória”:
-ocorrência de falhas de abastecimento
-resposta a reclamações e sugestões (objeto de resposta escrita no prazo de 22 dias)
-cobertura dos gastos (rácio entre os rendimentos tarifários, outros rendimentos e os gastos totais)
– Adesão ao serviço (número total de alojamentos que dispõem de abastecimento público)
– Água não faturada (percentagem de água entrada no sistema que não é faturada)
-Reabilitação de condutas (percentagem média anual de condutas de adução e distribuição com mais de 10 anos que foram reabilitadas nos últimos cinco anos) (0,3)

Com a classificação de “Qualidade de serviço mediana” surge o item:
– Ocorrência de avarias em instalações

Outros aspetos merecem a classificação de “Qualidade de serviço boa”:
-Acessibilidade económica do serviço (peso do encargo médio no agregado familiar)
– Água Segura
– Adequação de recursos humanos (número de empregados afetos a tempo inteiro ao serviço de abastecimento de água por 1000 ramais).

No geral, apesar dos pontos menos positivos, a classificação global do serviço prestado pela autarquia é considerado de “qualidade de serviço boa”.

Para a ESAR, seria fundamental que as autarquias conseguissem minimizar as perdas e reduzir as percentagens de água não faturadas, para o que é necessário a reabilitação e substituição de condutas. Segundo os dados do relatório, nos últimos cinco anos, foram reabilitados 1998 quilómetros de condutas, o que representa apenas 0,6% por ano.
Nesse sector, o concelho de Silves apresenta uma percentagem de 0,3 %. Revela trabalho feito, mas nitidamente insuficiente para as necessidades.

Sobre este assunto, o Terra Ruiva solicitou um comentário à vereadora da Câmara Municipal de Silves, Luísa Conduto, responsável pelo pelouro.

“Uma grande evolução nos últimos anos”

“Uma situação calamitosa” – é como a vereadora Luísa Conduto, classifica a situação do sector da Água no concelho de Silves, em outubro de 2013, quando o executivo CDU chegou à autarquia.
Existindo, por parte do executivo PSD, de Isabel Soares, a intenção de privatizar o sector (notícia do Terra Ruiva em XXXX), e confirmada pela “existência de um documento interno que não foi sujeito a deliberação camarária, talvez por falta de coragem política”, como diz Luísa Conduto, o sector estava ao abandono. Faltavam técnicos superiores, faltava liderança do setor, operários, máquinas e equipamentos, os stocks não eram repostos e serviam de desculpa para os atrasos na reparação das roturas, assistia-se ao desinvestimento contínuo na remodelação das condutas, a maioria com mais de 30 anos. Havia um “programa de faturação arcaico”, lembra a vereadora e chegou-se ao ponto de “não existir cadastros das redes atualizados”. Já a “taxa de recuperação de custos situava-se nos 44,72%”, ou seja, as receitas arrecadadas cobriam menos de 50% dos custos do funcionamento do sistema.
Segundo Luísa Conduto, esta situação começou a inverter-se aquando da tomada de posse do executivo anterior, altura em que se iniciou a programação de “uma série de investimentos diretos/empreitadas, substituição de contadores, aquisição de máquinas, equipamentos, viaturas, aquisição de stocks, novo software para a gestão comercial. Foi contratado pessoal, a nível de operacionais e de técnicos/engenheiros e foi feita a reorganização das equipas, para assegurar mais fiscalização, mais combate à fraude e menos desperdício de água”.

“Nos últimos cinco anos, o Município de Silves desenvolveu obras de remodelação de condutas de abastecimento de água, quase todas em fibrocimento, numa extensão de quase 13 quilómetros, construiu uma nova adutora em São Bartolomeu de Messines, que acabou com as constantes roturas no abastecimento à vila; e substituiu condutas no Algoz, em Silves, quer no Centro Histórico (obra em curso), quer na Urbanização Silgarmar e em Armação de Pêra. Todas as grandes obras que estão projetadas, em Silves, São Bartolomeu de Messines, Armação de Pêra, Pêra, Alcantarilha ou Tunes, preveem a remodelação integral da rede de abastecimento de água assim como das outras infraestruturas subterrâneas, como o saneamento, águas pluviais, eletricidade e telecomunicações.”

De 1 para 10

Para a vereadora Luísa Conduto, faz sentido destacar também o investimento na aquisição de uma nova aplicação informática de gestão comercial de água, que permitiu, por exemplo o envio de faturas digitais e a recolha das leituras dos consumos por via telefónica, entre outras funcionalidades.
Destaca ainda o investimento feito na substituição de contadores, “mais de 4700 nos últimos três anos” e o investimento na instalação de “contadores com telemetria, que obviamente contribuem para o combate à fraude e recuperação de perdas, processo que prosseguirá”. “Só para dar um exemplo, num determinado espaço onde os novos contadores foram instalados, a leitura mensal aumentou na proporção de 1 para 10!”

Até ao momento já foram instalados 280 contadores com sistema de telecontagem num empreendimento turístico na freguesia de Alcantarilha, estando em curso a instalação de mais 400 contadores, uma parte na rede de abastecimento de água ao Benaciate e Lavajo e outra parte em Armação de Pêra. “Este é um salto qualitativo e tecnológico que queremos estender gradualmente a todo o concelho”, acrescenta a vereadora.
Ainda neste esforço de modernização do sector, em 2017 foi celebrado um Contrato de Otimização da Gestão, em substituição do anterior que existia na Câmara de Silves desde 2003 “e que estava obsoleto e com grandes falhas de funcionamento”. Este contrato prevê a realização de uma série de trabalhos que permitirão em 2019 a instalação de equipamentos, tendo em vista a cobertura total da rede em alta do Município de Silves, o que permite, com o sistema de telegestão, monitorizar e manobrar remotamente as principais instalações hidráulicas do concelho.

Um longo caminho
Para a vereadora Luísa Conduto, os indicadores do sector (ver quadro em anexo) mostram que se tem verificado uma melhoria do funcionamento de todo o sector, desde outubro de 2013, com muito investimento por parte da Câmara Municipal, com medidas em várias áreas e com uma vontade e “determinação da parte de quem governa, de colocar este sector ao nível do melhor que se faz nas autarquias do País”.
“Reconhecemos que as perdas de água no concelho são ainda muito significativas, como é apontado no estudo da ERSAR relativo ao ano de 2016, mas a situação hoje já é outra, bem melhor, e continuará a evoluir positivamente, com a realização de investimento e a tomada de medidas diversificadas no campo da gestão, para uma melhoria da eficiência do funcionamento do sistema de abastecimento de água. Partimos de uma situação em 2013 extremamente deficitária a todos os níveis. É necessário tempo para alterar o estado de coisas. Não é um caminho que se faça de um dia para o outro. O importante é que estamos a melhorar, não desperdiçando nenhuma oportunidade de investimento e aproveitando ao máximo os nossos recursos humanos e técnicos, hoje, mais numerosos e com competências reforçadas”, conclui a vereadora Luísa Conduto Luís.

INDICADORES

Percentagem de água não faturada
2013 – 56,2 %
2017 – 52,2 %
2018 – abaixo dos 50% (prev.)

Taxa de recuperação de custos
2013- 44,72%
2019 – 99% (previsão)

Interrupções de abastecimento de água superiores a 6 horas
2015- 69
2016- 81
2017- 60
2018 – 16 (até novembro)

Falhas anuais no abastecimento
2013- 254
2014- 82
2015-69

Perdas reais de água (Litros/ramal/dia)
2016 – 489
2017-448
(este indicador, tal como outros, não era apurado anteriormente, embora fosse recomendado pela ERSAR)

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