Ao utilizar este site, concorda com a nossa politica de privacidadePolitica de Privacidade e Termos e Condições.
Accept
Terra RuivaTerra RuivaTerra Ruiva
  • Concelho
  • Sociedade
    • Ambiente & Ciência
    • Cultura
    • Educação
    • Entrevista
    • História & Património
    • Lazer
    • Política
  • Opinião
  • Vida
  • Economia & Emprego
  • Algarve
  • Desporto
  • Autores
    • António Eugénio
    • António Guerreiro
    • Aurélio Cabrita
    • Clara Nunes
    • Débora Ganda
    • Eugénio Guerreiro
    • Fabrice Martins
    • Francisco Martins
    • Frederico Mestre
    • Helena Pinto
    • Inês Jóia
    • José Quaresma
    • José Vargas
    • Maria Luísa Anselmo
    • Maria José Encarnação
    • Miguel Braz
    • Paula Bravo
    • Paulo Penisga
    • Patricia Ricardo
    • Ricardo Camacho
    • Rocha de Sousa
    • Rogélio Gomes
    • Sara Lima
    • Susana Amador
    • Teodomiro Neto
    • Tiago Brás
    • Vera Gonçalves
  • Página Aberta
  • AUTÁRQUICAS 2025
    • AUTÁRQUICAS 2021
  • Edições
Reading: Bom proveito
Partilhe
Font ResizerAa
Terra RuivaTerra Ruiva
Font ResizerAa
  • Home
  • Demos
  • Categories
  • Bookmarks
  • More Foxiz
    • Sitemap
Follow US
  • Advertise
© 2022 Foxiz News Network. Ruby Design Company. All Rights Reserved.
Opinião

Bom proveito

José Alberto Quaresma
Última Atualização: 2018/Out/Seg
José Alberto Quaresma
8 anos atrás
PARTILHE

Gosto de ir jantar fora. No quintal. Dois passinhos. Sento-me à mesa. Aprecio a paisagem ofuscante. Quatro paredes caiadas. Um cheirinho a alecrim. Há quem chame jardim a um quintal. É mais fino.
Sirvo-me. Não me excedo com os sólidos. Nem com os líquidos. Não fico gasoso. Sou um doce. Nunca abuso deles. Nem eles de mim. Amargo, portanto. Por pouco.
Jantar fora das quatro paredes caiadas é muito mais excitante. Tem de haver intermináveis negociações, ao telefone, com os amigos do costume para decidir o restaurante. Tento fugir do modelo 24 Kitchen. Duas poitas (termo náutico) no deserto do prato e um hieróglifo espichado a vinagre balsâmico não me aguçam o apetite.
A qualidade que requeiro não deve extravasar o meu orçamento geral do estado. Do estado das finanças privadas. Do estado de espírito. Por mim falo. Contra mim falo. Presumo que isto deva ser confundido com sagorrice.
Sou acanhado para experiências novas. Ir sentar-me num restaurante da moda, só porque é suposto elevar-se acima do courato crocante, não me apetece. Temo ser untado com excessos de generosidade de donos de casas de pasto pretensiosas.
Hoje falarei apenas dos restauradores sérios demais. Dos sérios apenas, nada direi. Estes são muitos e merecem respeitinho.

Exijo uma boa relação qualidade – preço. Quem não aprecia uma boa relação? A minha relação, a outra, não é muito católica. Ainda não subimos ao altar, mas funciona bem. Tem muita conta, peso e medida. Conta cêntimos. Pesa cem quilos. Mede largo.
Falo desta metade da relação. A outra metade é muito mais elegante. Passa fome.
Não faço descriminações na restauração de Portugal. Nem na dos Algarves dáquem e dálem-mar em terra. Sento-me com o mesmo à-vontade numa tasca como numa tasca. É parecido mas não é igual. Há tascas que parecem restaurantes. E restaurantes que nunca deixarão de ser tascas. Sem menosprezo pelas genuínas.

No outro dia, instalei-me num que só eu conheço, com a minha outra metade da relação, para comer um peixinho assado. Entrámos. Olhei para a montra. Uns carapaus gordinhos acenaram-me. Apesar de deitados, não tinham olheiras. Passaram bem a noite, graças a Deus, pensei. O restaurador que trata o peixe por tu, como me trata a mim e não desgosto, confirmou-me.
Quando os bem encarados chegaram ao prato, verifiquei que tinham andado na boa-vai-ela. Ou eram moços fora de água há muito tempo. Ou andaram remexidos nas arcas congeladoras com medo da eternidade do gelo. E assentaram arraiais na cozinha antes da grelha. E substituíram os da montra, acabados de chegar da faina. Bem feito. Devolvi-os à procedência.
Lulas frescas, em substituição, sugeriu-me o restaurador. Venham. Fui mastigando a certeza de que eram moças da idade dos carapaus. Engoli-as com o acompanhamento da certeza. Mas não posso mandar tudo à procedência. É mau procedimento. O restaurador tem sempre razão. A verdade dele não é a do peixe. Acredito mais no peixe.
Vou deixá-lo no defeso. O peixe? Não o restaurador. Para o ano, decido se voltarei a deixar-me capturar por ele. Estou certo de que não cessará de lançar-me o anzol. Só que não gosto de ficar preso pelo beicinho.

A minha mãe Laura despejou-me quase à babuja. O avô José Marques instilou-me o vício do peixe fresco bem assado. Mais tarde, aprendi a deixar-me seduzir mais pelo olho do peixe do que pela guelra do restaurador. O peixe nota-se pelo sangue vivo. O restaurador muito sério pelo sangue frio.

Os restauradores têm andado eufóricos. E sobranceiros. Nestes dois últimos anos turísticos, com bichas à porta, fazem o favor de dar de comer à populaça. Fartam-se de perder dinheiro. Gostam de lamuriar-se. Pois, na vê, o pessoal na tem cheta, muita parra e pouca uva, na tocam no couvert, só meia dose para dois, na bebem vinho, sobremesas nem pensar, um cafezinho, curto, médio, cheio, chávena fria, aquecida, para dois, enfim o costume.
E no entretanto, há sempre alguém que resiste. Há patrão que gosta de ir à praça de Lamborghini. Um pargo grande a saltitar na bagageira mostra qualidade de vida. E o empresário não se apercebe que faz figura de pargo. O oiro dos cachuchos nos dedos da mãos realça apenas a riqueza de fora. E a pobreza de dentro. Esperemos que a de fora o deixe livrar-se das livranças ao banco.

O reino de Portugal e dos Algarves está na moda. Porque os estrangeiros regressaram à saga dos descobrimentos estivais baratos, enquanto o Magreb esteve a ferro e fogo. Porque os portugueses tiveram um pequeno alívio nos cortes salariais e desataram a consumir. Porque há muito mais gente a sair de casa sem o complexo ansioso de viver acima das possibilidades. Porque a sazonalidade diminuiu significativamente, fazendo acrescentar Verão ao Outono e, sabe-se lá, ao Inverno. Porque a taxa de IVA na restauração baixou de 23% para 13%.
E o que acontece? Depois de tantos anos de aflições, não alimentam a cria que lhes dá agora cachuchos, sem escamas. Preferem engordar-se à pressa. Tratam menos bem os clientes, diminuem as doses, aumentam os preços, fazem por extorquir couro e cabelo a turistas e indígenas. Até que se lhes descubra a careca.

Já se esqueceram do que penaram. Por este andar, quando chegar o tempo das vacas magras, perdão, dos muges e das bogas gordas, que será suposto chegar como ciclicamente acontece, irão lamuriar-se, ser mais atenciosos, queixar-se dos desgovernos, do cliente que não tem cheta, dos impostos, da prostituta da vida que lhes é madrasta. Nunca se queixarão de si próprios.

Aí acorrerei a consolá-los. Não proferirei o cínico cumprimento: “Que lhes faça bom proveito!” Sim, claro, devo ser compreensivo. Os proveitos são deles. As perdas são minhas. Pequenas perdas, é certo.

Total Views: 0
Algoritmo
Dia Mundial de Mim
Imigração: entre preconceitos e realidade
Meu rico verão
Iludir-se
TAGGED:bom proveitoJosé Alberto Quaresma
Partilhe este artigo
Facebook Email Print
PorJosé Alberto Quaresma
José Alberto (de Oliveira) Quaresma nasceu em Portimão. Licenciou-se em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Prosseguiu estudos em História Moderna e Contemporânea, na Universidade de Paris- Sorbonne (Paris IV), com Pierre Chaunu e André Corvisier e em História das Mentalidades Religiosas, no Collège de France, com Jean Delumeau. Foi docente do ensino secundário e formador de professores. Publicou artigos em revistas científicas e apresentou em vários fóruns comunicações sobre História, História das Mentalidades, Sociedade e Sistema Educativo. Tem, como colunista, colaboração dispersa por vários periódicos, nomeadamente, O Independente, Público, Expresso, Correio da Manhã, Domingo Magazine. Obteve o Prémio Revelação de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores (1989), pelo livro A Pose Extática, (Afrontamento). Publicou Ecolalia, poesia (Vega) e, na mesma editora, Direito ao Erro – A Batalha da Educação em Portugal. Foi autor de «Falta de Castigo – O Blogue da Educação e da Falta Dela», no semanário Expresso, entre 2008 e 2014. Coordenou as Comemorações do 122º Aniversário do Nascimento de Manuel Teixeira Gomes (1982-1983). Foi comissário para as Comemorações Nacionais dos 150 Anos de Manuel Teixeira Gomes (2010). É autor de Manuel Teixeira Gomes – Biografia (Imprensa Nacional – Casa da Moeda / Museu da Presidência da República
Artigo Anterior Taça de Portugal: Silves FC segue em frente, CF Os Armacenenses não consegue
Próximo Artigo DECO informa: Como sei que estou sobre-endividado?
Sem comentários

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Últimas

GNR apreendeu 1.100 litros de medronho no concelho de Silves
Concelho
XXXIV Festival Gímnico Cidade de Silves
Desporto
Ciclo de Teatro ao Ar Livre 2026 em Tunes e Messines
Cultura Sociedade
Algarve continua a crescer nos principais indicadores turísticos
Algarve
Festa Rua 80 em Silves
Lazer Sociedade

– Publicidade –

Jornal Local do Concelho de Silves.

Links Úteis

  • Notícias
  • Estatuto Editorial
  • Ficha Técnica

Publicidade

  • Publicidade & Assinaturas
  • Conteúdo Patrocinado

Info Legal

  • Contactos e Info Legal
  • Termos e Condições
  • Politica de Privacidade

Siga-nos nas Redes Sociais

© Copyright 2025, Todos os Direitos Reservados - Terra Ruiva - Created by Pixart
Ajustes de acessibilidade

Com tecnologia de OneTap

Durante quanto tempo queres ocultar a barra de acessibilidade?
Duração de ocultação da barra
Perfis de acessibilidade
Modo de Deficiência Visual
Melhora os elementos visuais do site
Perfil Seguro para Convulsões
Remove flashes e reduz cores
Modo Amigável para TDAH
Navegação focada, sem distrações
Modo de Cegueira
Reduz distrações, melhora o foco
Modo Seguro para Epilepsia
Escurece cores e para o piscar
Módulos de conteúdo
Tamanho do ícone

Padrão

Altura da linha

Padrão

Módulos de cor
Módulos de orientação
Welcome Back!

Sign in to your account

Username or Email Address
Password

Lost your password?