A escola de Ensino Básico (EB1) da vila de São Bartolomeu de Messines, construída no âmbito do «Plano dos Centenários» e inaugurada, na Aldeia Ruiva, em 1960, então denominada «Escola Primária», há muito que carece de ampliação/ substituição, pela sua exiguidade.
Há algumas décadas, foi mesmo aventada a construção de uma nova, pela Câmara Municipal de Silves, nas imediações do Quartel dos Bombeiros Voluntários, junto à linha férrea. Na verdade, não sei como alguém julgava viável a construção de um novo estabelecimento de ensino junto ao caminho de ferro. Certo é que a mesma não se efetuou e mais surpreendente ainda, o novo Plano Diretor Municipal de Silves (PDM) não consagrou um espaço para a sua edificação.
Ora, recentemente, ficaram os messinenses a saber que o anterior executivo da Câmara estava a envidar esforços, não para a instalação do ensino secundário na vila, mas para que a construção da nova EB 1 ocorra no recinto da Escola EB 2,3 João de Deus, a antiga C+S, inaugurada em 1979. Situação bizarra e que consideramos inaceitável. Desde logo por tal implicar a redução do já de si acanhado espaço desportivo disponível ao ar livre. Numa altura que urge fomentar que os miúdos passem mais tempo em recintos descobertos, na partilha de jogos de grupo, a edilidade silvense parece agir em contraciclo. Depois, os alunos não estão a aumentar apenas no 1º ciclo do ensino básico, até porque a escolaridade obrigatória é de 12 anos e logo, nos próximos anos eles vão subir a cada ano letivo. Além de que a construção da nova escola EB1, no recinto da EB 2,3, será sempre um edifício pequeno e limitado em termos de espaço e volume, não correspondendo, como tal, aos interesses da vila e das suas gentes.
Se a construção do pavilhão da escola (inaugurado em Junho de 2000) foi um erro (pela sua dimensão, não serve a comunidade, além de ter levado ao corte de uma rua, transformando-a num beco), uma nova escola naquele espaço é o corolário do absurdo. A freguesia de São Bartolomeu de Messines carece de investimento estratégico, não de medidas avulsas que só servem para delapidar o dinheiro do erário público, não servindo os reais interesses da comunidade.
Face a esta realidade, a Câmara Municipal de Silves, dado que não o fez em devido tempo, deve agir com ambição e visão, avançando com a criação de um novo centro escolar, que possibilite também a instalação do ensino secundário nesta vila, que só peca por tardio.
Em suma, a nova escola EB1 deverá ser construída num local amplo e apropriado, nunca no atual recinto da EB 2,3 João de Deus, garantindo deste modo os interesses dos alunos de hoje e das próximas gerações.
Até sempre amigo e professor Teodomiro Neto
A partida recente do Prof. Teodomiro Cabrita Neto deixou-nos mais pobres. Amigo há longos anos, não poderemos deixar de lembrar o seu percurso, que a todos nos deve honrar e motivar. De origens muito humildes, subiu, com determinação e ambição, na hierarquia social. Cedo rumou a Faro e depois para França, sempre trabalhando de dia e estudando à noite, tornou-se, com notável brilhantismo, professor universitário em Saint Étienne (França), entre outras academias francesas, onde lecionou.
Simultaneamente, não esqueceu as suas origens, fosse na divulgação dos poetas João de Deus e António Aleixo, ou da célebre pianista Maria Campina, entre muitos outros, no Algarve e além fronteiras, ou nos vários estudos de história local que empreendeu, com obras publicadas em português e francês, sem omitir a notável e longa contribuição na imprensa regional.
O seu empenho na criação da Universidade do Algarve e da Casa Museu João de Deus foi admirável, entre outros, como na instalação do Museu da Imprensa, em Faro, ainda a decorrer, só para mencionar mais um exemplo. O seu percurso, no campo das letras e do ensino em França e na região, fazem de Teodomiro Neto um dos vultos maiores da freguesia e do concelho de Silves, logo a seguir a João de Deus.
Inexplicavelmente, a Câmara Municipal de Silves alheou-se da partida deste filho maior do concelho, não houve qualquer comunicado de imprensa, nem a presença do vereador da Cultura no funeral, como se lhe impunha (esperemos que tal não seja um mau presságio em termos culturais para o novo mandado há pouco iniciado). Também a Junta de Freguesia de São Bartolomeu de Messines pautou pela ausência, ainda que tivesse reconhecido publicamente a sua perda. Esteve à altura a Diocese do Algarve e o jornal «Folha do Domingo», na bonita homenagem que lhe dedicaram.
R.I.P.
Aurélio Nuno Cabrita




