A Única- Adega Cooperativa do Algarve que durante oito décadas esteve sedeada em Lagoa, passará, a partir do dia 2 de dezembro, a funcionar num armazém alugado na zona do Benaciate, na freguesia de São Bartolomeu de Messines.
Esta foi a solução encontrada para continuar a assegurar o funcionamento desta Adega Cooperativa, que resultou da fusão da Adega Cooperativa de Lagoa (que no dia 30 de outubro completou 81 anos) e da Adega Cooperativa de Lagos.
Segundo o jornal Lagoa Informa, na cerimónia de aniversário, o presidente da Câmara Municipal de Lagoa, Luís Encarnação, afirmou que “no que depender do município de Lagoa, estaremos cá para reafirmar a nossa disponibilidade para dar continuidade a um projeto com 81 anos de vida e que faz parte da história da nossa cidade e do concelho. Sei que a Única vai sair do concelho, mas espero que seja um até já. Temos vindo a trabalhar com a administração da adega e com os proprietários deste espaço e estamos disponíveis para continuar a ajudar na procura de soluções e ansiosos por voltar a tê-la em Lagoa novamente”,
O autarca afirmou ainda que para avançarem outros projetos dos proprietários, “o edifício vai ter de continuar a contar a história da produção vitivinícola do concelho”. “E aqui irá nascer um museu do vinho, que poderá ser o maior de Portugal e um dos maiores da Europa”, garantiu.
A Única foi fundada em 2008, resultante da fusão das adegas cooperativas de Lagoa e de Lagos, mantendo a sua sede no emblemático edifício onde funcionava a Adega Cooperativa de Lagoa. Em 2018, o imóvel foi vendido pela Cooperativa, como forma de conseguir pagar as suas dívidas, mantendo-se a funcionar no mesmo espaço, agora através de um arrendamento. Seguiu-se um período de recuperação da cooperativa, até que, há cerca de dois anos, a empresa proprietária do edifício decidiu vendê-lo e exigiu a saída da Única. Não tendo surgido nenhum espaço adequado no concelho de Lagoa, a solução foi encontrada na freguesia de São Bartolomeu de Messines, onde a empresa Abegoaria, parceira comercial da Cooperativa, alugou um armazém que dispõe das condições necessárias à produção de vinho e ao normal funcionamento da Única, segundo o Lagoa Informa.
A possibilidade de encerramento da Única há muito que vinha sendo falada e houve vários alertas às entidades locais e regionais. Em julho de 2024, o Terra Ruiva publicou um artigo da Ana Clara Agapito, funcionária que, a par do enólogo João Marques, levou por diante o trabalho da Única nos últimos anos, em que esta afirmava:
«O problema é que no Algarve somos apenas 1 Cooperativa, e estamos a morrer. O impacto do fecho da Única, caso venha realmente a ocorrer, é que nos primeiros anos o mercado irá comprar apenas e somente aquilo que lhe interessar (não há obrigação de compra), e faz parte da natureza dos negócios a famosa lei da oferta e da procura. Se ninguém é obrigado a comprar, em um ano ou para uma casta que deixe de ser interessante, deixa de haver compradores. Sem Cooperativa, quem paga aos agricultores em um ano que sobrem uvas? Quem compra uma casta que ninguém mais quiser? Se agora o quilo da uva está em 1 ou 2 euros, sou capaz de lançar uma aposta à quem quiser aceitar: sem Cooperativa, em 5 anos o quilo da uva perderá metade do valor. Se agora é difícil para os agricultores com os custos elevadíssimos conseguirem obter lucro, quem dirá depois. A não ser que estejamos a falar de monopólios, onde os mais fortes ditam as regras e o restante de nós empurra o barco como pode, e enquanto consegue.
E aí eu pergunto… queremos um Algarve sem uma Adega Cooperativa? »


