Com mais umas eleições prestes a chegar, vale a pena refletir sobre a importância que a juventude tem na tomada de decisão. Enquanto jovens, representamos novas ideias e formas de ver a vida, e temos o direito — e o dever — de trazer novas concepções para a mesa, renovando as políticas praticadas.
No entanto, a realidade mostra um cenário preocupante: o projeto de investigação “50 Anos de Democracia em Portugal — Aspirações e Práticas Democráticas Continuidades e Mudanças Geracionais”, do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, revela que nas legislativas de 2022, apenas 9% dos jovens votaram.
As eleições municipais estão aí, e em janeiro chegam as presidenciais: duas datas que devem ser marcadas pela presença em massa dos jovens nas urnas. Sim, porque se nos limitarmos a deixar que outros decidam quem nos representa, quem dará ou não voz às nossas necessidades, ideias, convicções e preocupações, não estaremos nós a abdicar do direito que foi conquistado a 25 de Abril de 1974? E esse tipo de retrocesso é tudo o que a nossa sociedade não precisa — nem agora, nem no futuro.
A empregabilidade juvenil e salários justos devem ser um direito adquirido, assim como o acesso à habitação a preços acessíveis — especialmente para quem está deslocado, a estudar na universidade ou a iniciar a sua carreira profissional. Sem estas garantias básicas, o futuro torna-se precário para uma geração inteira.
As escolhas políticas também influenciam profundamente a proteção da natureza. A implementação de novas medidas de proteção ambiental é crucial, num mundo cada vez mais marcado pelas alterações climáticas e pela redução da biodiversidade. Não nos esqueçamos: no futuro, seremos nós, os jovens, a sofrer de forma mais direta os impactos dessas crises.
Assinar petições e participar em manifestações é de grande importância, contudo não substitui o papel do voto. Precisamos de garantir a nossa representatividade nas decisões políticas, se queremos que as nossas necessidades sejam verdadeiramente ouvidas.
Num tempo marcado pela incerteza, pelo crescimento de discursos de ódio e por conflitos internacionais, cabe-nos a nós não deixar de contribuir para a valorização e a manutenção da democracia. Cabe-nos também procurar estar informados, para conseguirmos combater as fake news, o extremismo e práticas antidemocráticas que tentam moldar a sociedade para pior.
A falta de informação leva, muitas vezes, à abstenção ou ao voto sem consciência crítica — algo que, nos dias de hoje, com o fácil acesso a fontes fidedignas, se torna impensável.
Mostremos que a apatia política não é um problema da juventude. Ousemos fugir da mentalidade de conformismo social e usar a nossa voz.
Nos dias 12 de outubro de 2025 e 18 de janeiro de 2026, eu vou estar nas urnas. Espero que tu também.








