«O aspirante Geoparque Algarvensis Loulé-Silves-Albufeira tem por objetivo ser um elo potenciador de uma maior valorização e promoção do património local e regional a nível internacional, pretendendo acima de tudo, contribuir para a preservação do seu património geológico e cultural, assim como criar as condições para uma maior valorização do seu território.»
Este projeto, o “Algarvensis”, inicialmente composto por um limitado número de sítios geológicos-“geosítios”- tem beneficiado de grande evolução, passando dos “territórios interiores” nos três concelhos (Silves, Loulé e Albufeira), para um alargamento que veio abranger a faixa litoral e até zonas marítimas.
No concelho de Silves foram inventariados 9 (nove) geosítios, sendo 5 (cinco) na freguesia de São Bartolomeu de Messines. Esta predominância de manifestações geológicas na nossa freguesia constitui um alento na motivação dos messinenses, que anteveem sejam por cá desenvolvidas medidas conducentes ao “desenvolvimento socioeconómico sustentável baseado em atividades de geoturismo”, conforme preconiza o “Algarvensis”.
Até agora, no Algarve, a preferência pelo desenvolvimento de projetos e investimentos, tem priorizado o setor turístico, beneficiando os grandes centros populacionais e, muito especialmente, as zonas balneares, contrariando os princípios da coesão territorial. São os denominados “custos de interioridade”, penalizadores das freguesias do interior, que assim se têm constituído como “filhos pródigos” do desenvolvimento regional.
Como é conhecido esta situação tem motivado um continuado descontentamento e incompreensão por parte das gentes da serra e barrocal, sendo que o projeto “Geoparque-Algarvensis” a ela se veio opor, ao considerar como prioritário potenciar o desenvolvimento local, dando relevo ao interior.
Assim, na fase inicial da sua criação, o projeto abarcava no seu território essencialmente as freguesias do barrocal e serra, mas, recentemente foi ampliado até ao mar. Daí serem posteriormente incorporados, no nosso concelho, 4 (quatro) outros “geosítios”, todos na zona costeira e marítima.
Face a esta evolução, a interioridade, considerada no projeto “Algarvensis” fator prioritário, poderá perder força e o dito conceito de “relevo ao interior” ser cilindrado por outros interesses que privilegiem (como sempre) os grandes centros e o litoral.
Ora o litoral, mas também os grandes centros, não carecem do geoparque para atrair visitantes ou investimentos, ao contrário das pequenas freguesias do interior, como a nossa, onde as medidas preconizadas, com os apoios e incentivos devidos, poderão decisivamente contribuir para o despertar de iniciativas, induzindo um adequado e necessário desenvolvimento.
Razão para que as estruturas concelhias operativas do geoparque, em consonância com o referido conceito de interioridade, se devam localizar nas freguesias onde ocorrem os fenómenos geológicos, mais carentes de inovação e não nos grandes centros (sedes de concelho ou aglomerados turístico ou balneares).
Receia-se que, uma vez mais, ao interior caiba um estatuto de menoridade e por tal, “reclamamos” para o nosso território a melhor atenção, o que passa pela descentralização para as freguesias do interior das estruturas concelhias específicas do projeto Algarvensis.
Em conjunto com o território da freguesia de S. Marcos da Serra, a freguesia de São Bartolomeu de Messines é uma zona de muita elevada qualidade ambiental e paisagística, possuidora de singularidades especiais que há que preservar, manter e valorizar. Diria mesmo que, em âmbito “ALGARVENSIS”, estas duas freguesias, pelas características orográficas e pela biodiversidade que albergam, constituem uma típica Zona Especial de Conservação.
São Bartolomeu de Messines, com uma localização central dos três concelhos, tem uma situação privilegiada ao situar-se no ponto fulcral nas acessibilidades à região, bem servida por vias de comunicação,sendo a porta natural de entrada no seio do geoparque Algarvensis.
Na freguesia de São Bartolomeu de Messines, aos cinco “geosítios” referenciados acrescem a disseminação dos afloramentos de pedra ruiva e as múltiplas aplicações no edificado, constituindo símbolos identitários da nossa terra. Paisagisticamente somos privilegiados com a nossa tão caraterística dualidade – serra/barrocal e dispomos de uma diversidade de miradouros, lagos artificiais (barragens), pomares verdejantes, paisagens naturais, património arqueológico e infraestruturas de proteção da natureza, de que é expoente máximo o Centro de Recuperação de Lince Ibérico.
Atento este enquadramento um grupo informal de cidadãos Messinenses, residentes ou naturais de São Bartolomeu de Messines, auto intitulado “Comunidade do Grés”, tem vindo a propor-se como participante ativo em ações que visem o desenvolvimento sustentável de Messines, essencialmente naquelas que tenham como objeto a valorização, salvaguarda, divulgação e promoção do “Grés de Silves”. Integram-no uma diversidade de pessoas que possuem competências e vontades para colaborar com a equipa técnica municipal.
Com a força da razão e com a razão que as nossas valências culturais e patrimoniais nos conferem, apresentámos oportunamente à Câmara Municipal de Silves a sugestão para que “traga” para Messines a sede concelhia do geoparque, desde já instalando um “Ponto de Informação do Algarvensis” e, num futuro próximo, aqui criando um “Centro Interpretativo do Grés de Silves”.
Está em causa uma CAUSA JUSTA.
Texto: Rui Cabrita








