A terceira e última sessão do projeto Climathon – Maratona pelo Clima concluiu com a apresentação de uma série de propostas de intervenção que foram apresentadas à Câmara Municipal de Silves.
Dinamizar um minibus circular nas freguesias foi a proposta mais votada.
Esta sessão decorreu a 8 de fevereiro, na Casa da Cultura Islâmica e Mediterrânica, e contou com a presença de 19 participantes.
À semelhança das sessões anteriores, o primeiro exercício envolveu todos os participantes, que receberam, por parte dos organizadores da associação ambientalista ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável, uma folha com um dos conceitos escritos na primeira sessão.
Saúde, paz, liberdade, amizade, diversidade e água foram apenas alguns dos conceitos distribuídos pelos participantes, os quais, posteriormente, dividiram-se em grupos mais pequenos, mediante o conceito recebido.
Após este primeiro momento de reflexão, Ricardo Filipe, um dos responsáveis pela Gestão de Projetos e Políticas da ZERO, resumiu as sessões anteriores, destacando a importância do Plano Municipal de Ação Climática (PMAC) e abordando ainda os conceitos de mitigação e adaptação face às crises ambientais.
As ações desenvolvidas na segunda sessão foram novamente apresentadas e cada participante teve a oportunidade de votar nas ideias que gostaria que o Município colocasse em prática, de forma a solucionar alguns dos problemas ambientais que afetam o concelho de Silves.
Propostas apresentadas e mais votadas
Na temática de “Gestão de Água”, o grupo sugeriu que se investisse em cisternas domésticas, a 2ª proposta mais votada pelos participantes, como método de adaptação à seca, incentivando-se financeiramente os licenciamentos urbanos que contemplassem a criação destas cisternas.
A manutenção das condutas foi outra das ideias apresentadas, nomeadamente a sua substituição progressiva e aumento da taxa de reabilitação. A sensibilização e consciencialização sobre a problemática da falta de água foi também salientada, particularmente a ser feita junto da comunidade escolar. A ideia foi considerada pertinente para os participantes, tendo ficado em 3º lugar na votação.
Abordou-se o reaproveitamento das piscinas, investindo-se na reutilização das águas residuais das piscinas municipais para rega do jardim e parque das piscinas.
Na temática “Energia Elétrica” propôs-se a instalação de aerogeradores em zonas apropriadas e propícias ao aproveitamento do vento. Sugeriu-se o desenvolvimento de comunidades de energia renovável, sugestão que ficou em 5º lugar na votação, nomeadamente nas instituições públicas (escolas, bombeiros, centro de saúde, autarquia, tribunal e registo civil).
Identificou-se ainda a requalificação energética, concretamente nas habitações, como uma prioridade, por exemplo através do isolamento térmico das paredes, janelas e coberturas. A utilização de lâmpadas LED na iluminação e edifícios públicos e a definição de regras para edifícios mais sustentáveis foram igualmente apontadas como ações relevantes.
No tópico dos “Resíduos” propôs-se a sensibilização sobre a importância da reciclagem, nomeadamente através de visitas ao Aterro Sanitário do Barlavento.
A recuperação de eletrodomésticos usados, através de uma parceria do Município com o curso de Eletrotecnia da Escola Secundário de Silves, foi outra das soluções encontradas para colocar em prática a reutilização de materiais, evitando assim a sua acumulação no aterro.
Sugeriu-se a disponibilização de sacos de pano aos vendedores dos Mercados Municipais do Município de Silves, de forma a combater a utilização e desperdício de sacos de plástico, uma ideia prática que ficou em 6º lugar nas prioridades do grupo.
Apesar de não estar diretamente relacionado com as alterações climáticas, apresentou-se ainda como ideia o investimento em equipamentos de monda térmica, de forma a reduzir a utilização de pesticidas na eliminação de ervas infestantes do espaço público.
No que diz respeito à “Gestão de Riscos Climáticos” sugeriu-se o investimento em tecnologia de monitorização dos incêndios, através da aquisição de sensores térmicos de alarmística para instalar em espaço florestal.
O estudo do espaço florestal/natural, como forma de adaptação às ondas de calor, foi outra das ações discutidas, mediante a definição de uma estratégia de intervenção para os espaços florestais.
Plantar mais árvores nos espaços públicos, particularmente em espaços como jardins, praças ou arruamentos foi a 4ª ideia mais votada pelos participantes, mostrando-se assim uma prioridade para os mesmos.
Aplicar regras da arquitetura bioclimática foi outra das ideias apresentadas, concretizável através da inclusão de preocupações bioclimáticas nos procedimentos de licenciamento e de novo desenho urbano, aumentando a resiliência dos edifícios e espaços públicos.
O grupo dos “Transportes” explicou que o aumento das ciclovias permitirá uma melhor circulação entre freguesias, facilitando assim as deslocações entre zonas de habitação, escolas e zonas de trabalho.
Salientou-se a importância ao incentivo ao transporte público elétrico, a redução do transporte individual através de transporte completar, por exemplo com o alargamento do transporte escolar e a sua forma de funcionamento (concessões) a circuitos de transportes de pessoas, com horários diferenciados.
O comboio turístico surge como outra das ideias que visam a redução da utilização do transporte individual, associado à limitação das áreas de circulação de automóveis dentro da cidade de Silves, principalmente na zona histórica.
Dinamizar um minibus circular foi a ação mais votada pelos participantes. A ação consiste no investimento num minibus com circuitos circulares dentro das próprias freguesias para deslocação das zonas rurais aos centros mais povoados e com serviços (centro das vilas e cidades) e respetivas estações ferroviárias mais próximas.
Luísa Conduto, vice-presidente do Município de Silves, marcou presença na segunda parte da sessão, para ouvir as ações propostas pelos participantes, mostrando o comprometimento do Município de Silves em pô-las em prática.
Tal como aconteceu nas sessões anteriores, houve uma pausa para café e aperitivos, bem como um almoço convívio gratuito e 100% vegan.
Encerradas as sessões do projeto Climathon, desenvolver-se-á um e-book com todo o material didático do projeto e relatório das propostas discutidas, escolhidas e debatidas com a vice-presidente Luísa Conduto.
Acontecerá, também, uma reunião com o executivo da Câmara Municipal para a inclusão das propostas no quadro de monitorização do Climathon, para que seja possível perceber que ações que estão a ser realizadas e concretizadas pelo município. Esse quadro estará acessível ao público, no site do Climathon.
O projeto
O projeto Climathon- Maratona pelo Clima foi desenvolvido pela associação ZERO, e decorreu nos meses de novembro, janeiro e fevereiro, nos municípios de Silves e Cuba. O Climathon é uma metodologia de consulta, debate e participação pública aberta a todos os cidadãos e a todas as faixas etárias, com o objetivo de envolver a população na responsabilidade ambiental e climática da Câmara Municipal. Durante os encontros foram dinamizados exercícios, maioritariamente em grupo, de forma a culminar na criação e apresentação de propostas concretas para serem implementados num futuro próximo por cada um dos executivos municipais.
Este projeto foi financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian e teve o apoio dos municípios envolvidos.







