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Opinião

24 de Maio de 2024

António Guerreiro
Última Atualização: 2024/Jun/Seg
António Guerreiro
2 anos atrás
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Sexta-feira. O despertador do telemóvel toca às 7:30. Um duche rápido, visto-me, tomo o habitual comprimido para a hipertensão e vou à fisioterapia a Lagoa. Umas dores nas costas e um entorpecimento na perna e no braço esquerdo andam-me a perturbar a mobilidade diária. Na clínica, os habituais deste horário matutino sonham com a recuperação plena e dissertam sobre preocupações diárias na sua atividade profissional, agora diminuída em função das mazelas, e sobre a importância do Qualifica (formação de adultos) na sua formação académica. Retorno a Silves.

Em casa, classifico uns trabalhos para a avaliação dos alunos numa unidade curricular de mestrado. Atualmente, muita da minha atividade profissional é (no meu caso sempre foi) realizada em casa, por isso, a aparente flexibilidade de horários, esconde os muitos fins de semana e feriados de labor. Telefono ao Manuel João para me indicar um bom restaurante em Armação de Pêra. Ainda respondo a alguns emails profissionais e é quase meio-dia. Hora do almoço.

N’A Tasca do Béné, os pratos do dia são pernil no forno e sardinhas assadas. Encontrei a Margarida Boto a almoçar, condicionada pelo horário da próxima aula. Optei pela sopa e pela carne, não sou amante dos peixes com muitas espinhas.

A Margarida acha que nunca falo, nestas crónicas, da minha adolescência, e talvez tenha razão. Um dia destes, tenho de escrever um conjunto de crónicas ou uma estória, em resposta à minha amiga. Juntam-se a nós, na mesa ao lado, na esplanada, a Irene Alves e mais três senhoras que vêm de uma formação para cuidadores. Termino o almoço cedo e retomo a casa para (sempre que posso) a sesta, de 45 minutos, o meu hábito mediterrânico de eleição.

Retomo as atividades profissionais, de novo no computador e no telemóvel. Lembro-me que é sexta-feira à tarde e vou ver uma série policial no canal star crime. Gosto de policiais, particularmente da sequência de suspeitos que nos apresentam, até à resolução do homicídio. O meu irmão Raul telefona-me, como ficou combinado, para irmos até ao mar, ver o espetáculo Abril em Branco. O meu irmão e um colega dele, o Paulo, apanham-me em Silves e rumamos até Armação de Pêra com destino ao Papa & Companhia, Restaurante. Aí, ficamos pelas ofertas do Festival da Caldeirada e do Mar, no meu caso um arroz de lingueirão, acompanhado, no nosso caso, por vinho tinto de Silves, Barranco Longo. Aparecem dois acordeonistas que animam o espaço com músicas algarvias sem faltar o corridinho.

Após o jantar e uma conversa com os proprietários do estabelecimento sobre os tempos idos em que fui professor na Escola Secundária de Silves e eles alunos, nós (eu, o meu irmão e o seu colega) fomos até ao espaço urbano em que ia decorrer o espetáculo de tributo a José Mário Branco, integrado nas comemorações do 50 anos do 25 de abril no concelho de Silves. O concerto contou com as vozes de Luca Argel e Mitó Mendes e com os músicos Filipe Valentim, Luís Bastos e Quarteto NakedLunch (Francisco Ramos, Fernando Sá, João Paulo Gaspar e Tiago Rosa). Um concerto intimista num largo com vista para o mar, fazendo sempre lembrar que viemos de longe e que vamos para longe, onde nos vamos encontrar.

Regressei a Silves, ainda a tempo de ler algumas páginas do romance “Dia, de Michael Cunningham, antes de adormecer.

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PorAntónio Guerreiro
Natural de Silves, nascido em 1962, é doutor em Educação Matemática, professor e diretor da Escola Superior de Educação e Comunicação da Universidade do Algarve. Os seus interesses atuais nos tempos livres são a escrita, a leitura e a fotografia.
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