Hoje faço uma reflexão dedicada à “trollice” que reina no vasto mundo das redes sociais. E quando me refiro a “trollice” leia-se comportamento de troll, que, “na gíria da Internet, designa uma pessoa cujo comportamento tende sistematicamente a desestabilizar uma discussão e a provocar e enfurecer as pessoas nela envolvidas.”
Há poucas semanas, uma breve notícia publicada na nossa edição online dava conta do casamento do cantor Diogo Piçarra, na Quinta do Paço, no Algoz. A notícia foi também publicada na nossa página no Facebook. E aqui começaram as complicações:
– Ponto nº 1: a frase sublinhada foi rebatida, gozada e espezinhada porque, segundo muitas pessoas, eu deveria ter escrito em Algoz. O facto de localmente ser dito “no Algoz”, a apresentação de outros exemplos de localidades precedidos de “na “ ou “no”, ou uma explicação mais erudita sobre a origem dos topónimos, não convenceram os defensores de “em Algoz”. Estes jornalistas não sabem nada, ou vai estudar, foram os “mimos” menos patéticos que recebi… Finalmente, uma senhora que me acusava de “arrogância” por defender a minha posição, enviou, à laia de argumento final… pasme-se !!!!, um vídeo do humorista “Moço do Cabreste”…
– Ponto nº 2: a frase sublinhada foi rebatida, gozada e espezinhada por localizar a Quinta do Paço no Algoz. Porque, diziam, encontra-se em Tunes!… E até mapas me enviaram!…
Na discussão, houve quem admitisse que a Quinta ficaria “mesmo na fronteira” (a qual, como se sabe, já não existe desde a criação da União de Freguesias de Algoz e Tunes)… Pelo meu lado, apresentei o único argumento de que disponho: é a Quinta do Paço que apresenta a sua morada oficial no Algoz. E com certeza que não me cabe a mim decidir que esta morada está errada…
Mas voltando à notícia. De facto, no texto, com meia dúzia de linhas, havia uma imprecisão. Dizia-se que o casamento fora na Quinta do Paço, embora este espaço tivesse recebido apenas a festa, o copo de água, uma vez que a cerimónia decorrera em Portimão.
E houve uma pessoa que chamou a atenção para isso, de uma forma correta. A ironia é que foi a única a referir-se a essa imprecisão. Isto numa notícia que, no Facebook do Terra Ruiva, alcançou mais de 82 mil pessoas, cerca de 10 mil interagiram, teve 1.200 gostos e 162 comentários.
Não é a primeira vez que me acontece ser alvo deste tipo de “trollice” e conversando com colegas de profissão constatamos que episódios como este são cada vez mais frequentes e que os insultos ou o achincalhamento têm vindo a subir de tom, dirigidos não só ao autor(a) do texto, como também a toda a classe profissional…
O espaço para o erro ou para a afirmação menos correta existe e tem de existir no jornalismo, como em qualquer outra profissão. Embora esta tenha uma responsabilidade acrescida, dada a sua vocação de informar e a sua capacidade de influenciar. Mas só uma pessoa muito desviada do centro da sua profissão poderá ignorar esta responsabilidade…
Por outro lado, esta palavra “responsabilidade” está cada vez mais arredada das redes sociais. O que levanta a questão – o que motiva a trollice nas redes sociais?
O que leva pessoas comuns e cordatas a se transfigurarem em trolles nas redes sociais? O que leva uma pessoa, que não faz a mínima ideia de quem sou, a chamar-me de ignorante ou a rebaixar toda a classe jornalística devido a um suposto erro na gramática?!!…
E se erro existir na realidade, sendo decerto não intencional? – Dá direito a insultos?
Cito a Wikipédia: “Há trolls de todo tipo, desde o mais ignorante e rude que ofende e provoca até ao mais erudito que discursa com o objetivo de destabilizar o interlocutor e levá-lo à fúria para depois desqualificá-lo, matando seu argumento e abalando a sua reputação num fórum. Para o troll, a reação a um comentário polémico é considerada uma diversão, uma forma de extrair prazer na indignação das pessoas e observar seu desequilíbrio emocional e mental.
O comportamento do troll pode ser encarado como alguém que busca constantemente atrapalhar o discurso racional. O melhor a fazer é ignorá-lo e geralmente ele desaparece”.
Tem razão a Wikipédia. Mas, infelizmente, a paciência não se vende nas mercearias e não se pode admitir tudo.






