Conhecido pelas suas praias exuberantes, clima ameno (excepto em alguns períodos do ano em que mais parece que descemos ao Inferno) e gastronomia rica, o Algarve é um dos destinos turísticos mais populares da Europa para uma escapadinha ou desfrutar de umas merecidas férias. Há, no entanto, um problema sério e preocupante na região, o narcotráfico.
No “Relatório Global sobre Cocaína 2023” da Organização das Nações Unidas (ONU), é apontado que Portugal e o seu extenso litoral atlântico torna o país num ponto natural de chegada de cocaína a ser descarregada de embarcações dos produtores e distribuidores da América Latina, mas também das drogas provenientes de África e, por isso, fruto da sua localização estratégica, o Algarve tem sido identificado como um ponto de entrada para o tráfico de droga não escondida em carga legítima na Europa.
O uso do mar como rota de transporte para o contrabando de narcóticos é uma prática comum e a nossa região é um local atraente para esses grupos organizados que utilizam embarcações de recreio, barcos de pesca e lanchas muito rápidas para evadir as autoridades e facilitar o desembarque de drogas que seguirão posteriormente por via terrestre para outras paragens.
Apesar dos esforços conjuntos das autoridades portuguesas (Marinha, Força Aérea, Autoridade Marítima Nacional, Polícia Judiciária, GNR, Polícia de Segurança Pública, entre outras) para combater o narcotráfico, esta é uma luta incessante, pois as organizações criminosas estão sempre à procura de novas formas, de novas rotas, e de como explorar brechas no sistema para realizar as suas atividades ilegais.
A nível nacional, no primeiro semestre do ano, tinham sido apreendidas mais de 41 toneladas de drogas, por todas as entidades envolvidas. Bastaram assim 6 meses para se alcançar o que foi apreendido durante todo o ano de 2022 e as autoridades estão a registar um aumento muito significativo do tráfico de droga por via marítima no Algarve. Até ao momento foram detidas 66 pessoas e apreendidas 28 embarcações de alta velocidade com cerca de 30 toneladas de produto estupefaciente.
Embora o tráfico de droga seja uma realidade presente no Algarve, é importante destacar que a região não é dominada por esse problema. A maioria dos turistas e cidadãos locais desfrutam da tranquilidade e segurança que o Algarve tem para oferecer. No entanto, é fundamental que haja uma vigilância constante e que as diferentes autoridades continuem o trabalho para eliminar as redes (maioritariamente) marroquinas e espanholas de narcotráfico, que recorrem também a portugueses para as suas operações ilícitas.
O combate ao narcotráfico requer uma acção multidisciplinar. Desde a cooperação entre as forças de segurança e autoridades locais, regionais e internacionais, assim como governamentais e a comunidade em geral, passando pelo reforço do combate à criminalidade, à corrupção, ao enriquecimento ilícito e ao branqueamento de capitais, sem descurar a sensibilização e a educação dos jovens para prevenir o seu envolvimento e diminuir a procura por drogas. Investir em programas de prevenção e reabilitação são igualmente importantes para ajudar aqueles que foram afetados pelo consumo de substâncias ilícitas.
A existência de uma rota de narcotráfico no Algarve é uma triste realidade que não devemos escamotear. Exige atenção, meios e ação decisiva para manter a região, em particular, como um lugar seguro e acolhedor para (quase) todos.






