Esta crónica é classificada.
No âmbito das minhas funções de dirigente na Escola Superior de Educação e Comunicação da Universidade do Algarve participei em duas pequenas formações com o SIS, Serviços de Informações de Segurança da República Portuguesa. O objetivo destas formações era compreendermos a espionagem e a contraespionagem existente nos meios académicos e empresariais, relacionados nomeadamente com conhecimento patenteado.
O propósito destas formações enquadrava-se na missão destes serviços, como referido na página web da organização, «ao SIS compete a produção de informações de segurança para apoio à tomada de decisão do Executivo, numa perspetiva preventiva, procurando antecipar fenómenos, conhecendo a priori as ameaças que se colocam à segurança coletiva e antecipando a tutela do Estado relativamente à investigação criminal».
Os formadores eram simpáticos agentes e/ou funcionários destes serviços e não se apresentaram como nenhum 007 português. Como podemos consultar na referida página do serviço, «sobre os agentes e funcionários do SIS recaem especiais deveres e obrigações (dever de sigilo, atividade em regime de exclusividade e total disponibilidade), a que acrescem aos deveres profissionais comuns a todos os funcionários da Administração Pública portuguesa (isenção, zelo, obediência, lealdade e correção)».A formação foi, no essencial, uma troca de informações e de curiosidades sobre o mundo da espionagem internacional em meios académicos, muito distante daquele que vivemos no nosso dia a dia na universidade do Algarve.
Um dos aspetos abordados na dimensão de curiosidades, segundo contive, que considero mais interessante e que não corresponde de todo ao meu, ao nosso, imaginário, foi que para os serviços de inteligência (de todo o mundo) é muito pouco relevante denunciar os espiões, tal como vemos nos filmes de espionagem, mas, pelo contrário, é relevante acompanhar os seus movimentos e desenhar a rede de todos os seus contactos. O objetivo não é denunciar os espiões, é deixar andar para se atolarem na revelação das ligações nacionais e internacionais, e desvendar as redes de espionagem.
Quando estes serviços foram chamados a um dado ministério estava-se mesmo a ver que o ministro ia continuar no seu cargo, para progressivamente ir destapando as ligações com os restantes membros do governo.
Neste caso, ao contrário do nosso imaginário em que a funcionária da cafetaria é uma perigosa agente ao serviço de uma potência internacional, o alvo de todas as nossas desconfianças estava sentado no banco dos assessores do ministro e transportava-se de bicicleta a pedal.








