Por vezes o inimaginável acontece, como é o caso da invasão da Ucrânia pela Rússia.
As imagens que nos chegam atordoam-nos com a desgraça de pessoas em fuga, em desespero, mas também com a coragem daqueles que ficam (de livre vontade ou não) a lutar pela possibilidade de decidirem o seu próprio caminho político numa nação independente. Os relatos das crianças e das mulheres em evasão para outros países europeus, destroçadas pela separação dos avós, pais, filhos, netos, namorados, maridos, companheiros, ilustram a vontade de sobrevivência de um povo. Os relatos dos homens que ficam nas trincheiras espelham a vontade de lutar por aquele espaço geográfico a que chamam a sua casa.
Cidades esventradas como conhecemos de outros relatos, alguns atuais (como na Síria ou na Palestina), na Europa, lembram sempre as imagens, cinematográficas ou reais, da segunda guerra mundial, após os bombardeamentos. Cidades inteiras em ruínas, particularmente no leste europeu. São estas imagens dolorosas para cada um de nós que são ampliadas muitas vezes na dor dos ucranianos, sejam migrantes ou locais. E é talvez por isso que uma família de ucranianos, residentes em Silves, me dizia que não acompanham as imagens televisivas, mas contactam (por telefone e internet) todos os dias os seus familiares de duas aldeias do noroeste da Ucrânia.
Os mortos, de todas as idades, das duas partes do conflito, são vítimas desta incivilidade, eles e os seus familiares e amigos. O conflito entre os povos e os dirigentes, os agressores, está patente nas ondas de manifestação e solidariedade por todo o mundo, incluindo na própria Rússia, para com os cidadãos ucranianos. A defesa de pessoas simples por pessoas simples. Sinto que os verdadeiros comunistas e socialistas (defensores da dignidade do ser humano) nunca estiveram no poder, mesmo nos países que, a dado momento, se intitularam de socialistas.
É esta cegueira (endémica) dos dirigentes do PCP, na tibieza das suas posições sobre o conflito, que me entristece e ainda o distancia mais dos seus eventuais eleitores. Acredito que este tipo de posições acelera o fim indesejável deste partido centenário. Salvaguardo o comportamento dos eleitos da CDU na Assembleia Municipal de Silves no garante da unanimidade na condenação da invasão russa da Ucrânia.
Слава Україні (Slava Ukrayini)


