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Metropolitano de Silves

Nestes últimos meses, levantei-me cinco vezes, quase de madrugada, às sete da manhã, para ir para a porta do Registo Civil. A primeira vez foi para renovar o passaporte, a segunda para levantar o passaporte, a terceira foi para renovar o cartão de cidadão (ou de cidadania, para os/as mais inclusivos/inclusivas). Na quarta vez, segunda-feira de carnaval, deparei-me com a porta fechada, apesar da presença de um conjunto de resistentes, na esperança de resolverem os seus afazeres, com um anúncio de greve, em letras bem visíveis.

Qual é a credibilidade do movimento sindical que só marca greves às sextas-feiras ou entre feriados, como era o caso, gerando um óbvio prolongamento do descanso do funcionário? Compreendo que é para compensar a perda do salário do dia, sem perspetivas de outras vantagens, o que motiva a marcação das greves nestas datas. Existe um aliciamento por parte dos sindicatos junto dos trabalhadores e um aproveitamento destes para umas miniférias. Para mim, os sindicatos deviam marcar greves em dias verdadeiramente isolados ou num conjunto significativo de dias e pagar o respetivo salário dos dias de greve aos trabalhadores sindicalizados. Que vantagem usufruí do pagamento anual de 337,84 € de quotas sindicais em relação a qualquer outro colega meu não sindicalizado? Só perdi a verba referida que, ainda, dava para gastar nuns dias de descanso.

A quinta vez, em que me levantei às sete da manhã, para ir para a porta do Registo Civil, foi há dias, já depois do Carnaval, com o propósito, conseguido, de levantar o cartão de cidadão, agora válido por dez anos. Cheguei ao local, por volta das sete e trinta da manhã, e só estavam duas pessoas, o que não é habitual (normalmente aquela hora já existem mais sofredores a tilintarem de frio à porta do estabelecimento). A primeira pessoa chegara ainda não era sete horas da manhã e veio de autocarro para a cidade.

Enquanto esperei pacientemente, durante hora e meia, pela abertura das portas, imaginei uma rede de metro na cidade, o METROPOLITANO DE SILVES, num circuito fechado.

Comecei por imaginar o percurso a partir do local em que me encontrava: próxima paragem (next stop) PALÁCIO DA JUSTIÇA, servindo os serviços e o centro de saúde; seguindo o circuito até à paragem SÉ, com relevante interesse turístico e de apoio aos idosos da alta da cidade e aos serviços da autarquia; mais uma paragem na AFONSO III, zona habitacional da alta; no final desta rua, MÁRTIRES DA PÁTRIA, num apoio à juventude escolar e à população do jardim; numa deslocação a uma outra zona habitacional, BAIRRO; depois um percurso significativo até à FISSUL (Feira Internacional do Sul), zona comercial e estudantil; e mais adiante BEIRA RIO, zona comercial e terminal de transportes; uma viagem até à estação CAMINHO DE FERRO, para dar resposta às populações e aos utilizadores deste meio de transporte; de regresso à cidade, uma paragem na FÁBRICA; e uma viagem até ao ENXERIM, com retorno à estação inicial. A minha linha amarelo mediterrâneo, com um percurso de meia hora a três quartos de hora, seria uma verdadeira inovação para a nossa cidade.

 

E por que não? A autarquia podia patrocinar uma linha de autocarros (de pequenas dimensões) gratuitos para os residentes e pagos para os forasteiros que fizesse este circuito no período da manhã (quatro viagens) e no período da tarde (quatro viagens).
Sonho de uma manhã de inverno!

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