O início da circulação de comboios elétricos na Linha do Algarve “é um dado positivo” mas “não anula o muito que falta de planeamento e investimento, para garantir um serviço ferroviário que sirva inteiramente as populações e a região”.
Esta é posição da Direção da Organização Regional do Algarve do PCP (DORAL), que lembra que se bateu “durante décadas” pela concretização da eletrificação desta linha, na qual “ainda estão a decorrer trabalhos, o que não impede a circulação de composições com tração elétrica, acabando assim com os comboios a diesel.”
“Eletrificada a linha e com o “novo” ( neste caso reconvertido) material circulante, é necessário realizar um sério trabalho de requalificação das estações e apeadeiros, quer no que respeita ao edificado, quer no que respeita aos sistemas de informação, aos serviços que prestam e às ligações rodoviárias que garantem”, defende o PCP.
E acrescenta: “Mas não basta eletrificar a Linha e dotar esta de material circulante para o seu funcionamento. Os trabalhadores são parte essencial para o seu regular funcionamento, e também aqui é necessário dotar o serviço ferroviário regional do número adequado de trabalhadores, quer seja nas estações e apeadeiros, quer seja nas oficinas de manutenção, assim como nos restantes serviços existentes e que são indispensáveis para o seu funcionamento.
Os novos horários programados, carecem também de verificação, tendo presente as necessidades das populações e a mobilidade inter-regional, pois apesar de circularem mais comboios a resposta está longe de ser a necessária.
Sinalize-se como exemplo, o período do meio da manhã – onde acaba o serviço regional em várias estações com a introdução do Inter-Regional, que para ser mais rápido deixa de fora 13 localidades das 30 paragens da Linha do Algarve, ou o período noturno – em que não são criadas mais ligações para além dos horários existentes.
Sem melhoria significativa, pois só se alteram horários, ficaram as ligações a Lisboa, com os serviços Alfa Pendular e Intercidades, a continuarem a sair apenas de Faro.”
Para a DORAL, apesar desta nova realidade, “importa ter presente o muito que ainda falta para solidificar no Algarve para uma resposta ferroviária de qualidade.”
Na opinião do PCP, “há todo um investimento que é urgente planear, calendarizar, garantir fundos e sobretudo concretizar.”
O PCP aponta como exemplos: a falta da reativação da concordância de Tunes; o alargamento das ligações IC e AP a Vila Real de Santo António e a Lagos; a ligação ao Aeroporto e à Universidade do Algarve (a proposta de ligação em rodovia não é solução); a reativação do serviço regional em São Marcos da Serra; o estudo e planeamento da ligação de alta velocidade a Espanha.
“Num momento em que o Governo PSD/CDS tem como intenção privatizar as linhas ferroviárias suburbanos de Lisboa e do Porto”, a DORAL do PCP chama a atenção para “os perigos” que envolvem essa opção para regiões como a do Algarve, tal como se opõe à tentativa de transferência de competências nesta área para as autarquias ou para as Comunidades Intermunicipais.
Para o PCP, “o desenvolvimento da ferrovia, enquanto opção estratégica para o País, reclama uma CP una e coesa, ao serviço das populações e do País, e não a sua segmentação e privatização.”









