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A lama no centro da discussão

Todas as vilas e cidades têm assuntos em que se ciclicamente retornam à superfície do debate publico. Para a cidade de Silves, esse assunto é o desassoreamento do Rio Arade, que aparentemente já anda a ser discutido há cerca de um século; em São Bartolomeu de Messines, e embora esteja a ser discutido “apenas” há uma década, é a implantação da Central de Tratamento das Lamas.

A Central de Tratamento de Lamas começou a ser discutida no longínquo ano de 2008, quando o projeto foi alvo de desenvolvimento por parte da empresa Biosolum, e que foi alvo de aprovação camarária e consequente alteração do PDM para sua acomodação. Houve enorme contestação na freguesia para com o projeto, em que a população local e o executivo da Freguesia apresentaram o seu descontentamento de forma bastante ruidosa.

Avançando para 2018, a Central voltou a ser notícia, quando foi anunciado que o projeto da Central voltaria a ser reavivado pela Lena Ambiente, empresa do grupo Lena que o adquiriu à Biosolum. O novo projeto viria a ser reduzido em termos de dimensão, segundo a empresa, mas o objetivo da infraestrutura passaria pela gestão de resíduos das lamas das ETARs do Algarve. Numa notícia neste jornal, a Lena Ambiente garantiria que não haverá inconvenientes para a população de São Bartolomeu de Messines. Mas desde aí, nada transpareceu.

Dois anos volvidos, deparo-me com uma notícia em que as Águas do Algarve assina contratos para recolha e tratamento de Lamas de várias ETARs do Algarve com a empresa BioSmart- Soluções Ambientais, S.A., no valor de mais de 4 milhões de euros. Os contratos incidem sobre “adjudicação da aquisição de serviços denominada Recolha, Transporte e Armazenamento/Valorização/Deposição em Destino Final de Lamas, incluindo a respetiva remoção a partir das lagoas e o acondicionamento em contentores disponibilizados pelo adjudicatário”.

Qualquer referência a “Lamas” no Algarve não implica necessariamente que se trate da Central de Lamas no Sítio do Escolar. No entanto, importante destacar dois pontos fundamentais: a BioSmart- Soluções Ambientais, S.A originou-se da fusão de duas entidades, sendo que uma delas é Lena Ambiente- Gestão de Resíduos Sólidos SA, precisamente a entidade que adquiriu a Central de Lamas à Biosolum. Mais, pesquisando no site institucional da empresa, deparamo-nos com 3 ofertas de emprego para São Bartolomeu de Messines, em que nas três ofertas se destaca a “valorização de lamas” como parte do perfil pretendido e requisitos do trabalho a efetuar.

Face a isto, creio que é com algum grau de certeza de que a Central de Tratamento de Lamas vai mesmo avançar e provavelmente já se encontra em fase avançada de conclusão. Perduram, porém, várias questões no ar: qual o impacto da infraestrutura para a comunidade em redor? Quais as implicações ambientais? Terá a contestação dos messinenses em relação a este projeto resfriado?

Dado que se trata de uma matéria sensível para a população messinense, creio que seria importante obter esclarecimentos e garantias sobre esta central; afinal de contas, são os messinenses que poderão ficar enterrados no lamaçal.

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