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Editorial

Os Amigos da Ermida

Paula Bravo
Última Atualização: 2017/Fev/Seg
Paula Bravo
9 anos atrás
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A história poderia começar da forma tradicional, “era uma vez uma ermida, situada no cimo de um monte, a poucos passos de uma pequena terra do concelho de Silves, chamada Algoz”. Contaríamos depois sobre os períodos áureos da bonita ermida, até chegarmos aos anos do abandono, da vandalização, da incúria e do desinteresse.
Lamentavelmente, chegaríamos a um tempo muito recente, durante o qual a única voz pública que denunciou e se ergueu contra esta situação ( que tenha conhecimento), foi a do jornal Terra Ruiva que foi publicando artigos e fotos que revelavam o abandono e a degradação cada vez mais evidentes, e nalguns aspetos irreversível.
Mais de uma década depois, eis que o assunto ganhou novo ânimo e visibilidade regional. Muitas pessoas ouviram, pela primeira vez, falar da Ermida e nesta edição do Terra Ruiva fazemos um ponto de situação do processo, com avanços muito positivos.

O complicado imbróglio que pendia sobre a propriedade do edifício foi resolvido, há uma candidatura a ser preparada, para a recuperação da ermida, as várias entidades que têm uma palavra a dizer estão de acordo e a trabalhar em conjunto.

Resumindo: as perspetivas são as melhores.

Por detrás de todas estas alterações não está nenhum milagre, mas sim uma vontade coletiva que dá pelo nome de Comissão Amigos da Ermida Nossa Senhora do Pilar. No essencial trata-se de um grupo de amigos, pessoas de várias idades e profissões, que se uniram por este objetivo comum: promover a recuperação da ermida. Têm divulgado o assunto, reunido com as entidades, realizado iniciativas de angariação de fundos e, com tudo isso, alcançado um duplo objetivo que passa por dinamizar a Vila do Algoz.
Há dias tive a oportunidade de contactar de perto com alguns dos “Amigos da Ermida” e constatar uma diferença que julgo ser essencial nestes processos – é que esta organização não se deixou ficar dependente da atuação dos poderes políticos e religiosos. Identificou o problema, uniu pessoas, avançou com propostas concretas, criou envolvência e deu visibilidade ao assunto de modo a que todos os intervenientes se sentissem pressionados e ao mesmo tempo estimulados a resolver o problema.
Na altura em que escrevo, o processo ainda tem à sua frente muitas dificuldades para ultrapassar, nomeadamente financeiras, mas algumas questões que durante tanto tempo pareceram insolúveis foram resolvidas e há finalmente uma meta a atingir.
Se recuarmos ao período pós 25 de abril, veremos um tempo em que a iniciativa popular movimentava e tantas vezes ultrapassava os poderes políticos e outros, na ânsia de reformar e de construir. Hoje em dia são cada vez mais raros os casos em que o processo se inicia na base e que esta se constituiu num elemento interventivo e transformador, que não fica à espera que “eles” resolvam.
Seja qual for o desfecho desta história, estão já de parabéns os Amigos da Ermida.

São tempos difíceis estes que vivemos, com muitas associações e coletividades a lutarem para se manter em atividade, mas, ao mesmo tempo, vemos que ainda há no concelho um forte movimento associativo, há entidades velhinhas como as sociedades de instrução e recreio que neste mês de fevereiro comemoram aniversários (todos acima dos 80 anos) e há novas associações que se esforçam por inovar e criar o seu próprio espaço e às quais deve ser dado estímulo e uma palavra de encorajamento.

No fundo, a conclusão pode ser mais ou menos esta, se em vez de nos lamuriarmos, nos organizarmos e avançarmos juntos, a história pode acabar assim: “ e foi aberta, depois da sua recuperação e todos ficaram felizes…”

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PorPaula Bravo
Natural de S. Bartolomeu de Messines, nascida em 1963. Licenciada em Comunicação Social. Desde 1986, trabalhou em vários órgãos de comunicação nacionais e regionais. Dirigente associativa. Fundadora e diretora do Terra Ruiva desde abril de 2000.
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