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Editorial

Com a saúde não se brinca

Paula Bravo
Última Atualização: 2016/Dez/Sex
Paula Bravo
10 anos atrás
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A destruição do Serviço Nacional de Saúde, a que se assistiu nos últimos anos e muito em particular na vigência do anterior governo, é um dos piores flagelos que a nossa sociedade enfrenta.
Paradoxalmente, ao mesmo tempo que a medicina conhece progressos extraordinários, no nosso dia a dia o que ressalta é a carência de meios em todos os sectores, do pessoal às infraestruturas. Nesta edição, damos conta de dois protestos que aconteceram no nosso concelho, em Silves e em Messines. E o que reivindicavam as pessoas? Consultas disponíveis no tempo devido, horários alargados nas extensões de saúde, mais médicos, mais enfermeiros, mais pessoal administrativo.
Não se ouviu falar de nada supérfluo. Só de direitos básicos. Temos direito à saúde, a um Serviço Nacional de Saúde com qualidade que não sirva só para aqueles que não têm meios para recorrer aos serviços privados.

No Algarve é evidente o crescimento da rede de saúde privada, enquanto os centros de saúde e suas extensões, especialmente as periféricas, enfrentam graves dificuldades. No nosso concelho, há falta de profissionais de saúde em todas as freguesias e as extensões de saúde pouco conseguem fazer pelos doentes. Sem alternativa, as pessoas recorrem aos hospitais, também eles carentes, em especial o do Barlavento Algarvio, aquele que mais cidadãos do concelho atende.

Há alguns dias, o Algarve teve mais uma desilusão quando foi divulgado o Orçamento do Estado para 2017 que não inclui a construção do novo hospital central, cuja obra deveria ter começado em 2009, para entrar em funcionamento em 2012. Por critérios que não surgem muito claros, a construção do novo hospital, que há dez anos foi considerada uma “prioridade”, num estudo realizado pelo governo, vê-se agora remetida para uma posição secundária. Do 2º lugar que ocupava nessa lista passou agora para a quarta posição, tendo trocado de lugar com Seixal e Évora, que então ocupavam o 3º e 4º lugares, mas cuja construção foi anunciada para o próximo ano.
Como é esta decisão compatível com a imagem de um Algarve turístico, de excelência e de qualidade? Como é que esta decisão defende os interesses da população? Não se compreende.

Inevitavelmente, quando se fala de decisões do Poder Central tomadas contra o interesse da Região e a vontade manifestada pelas entidades regionais, como são exemplo a introdução de portagens na Via do Infante ou a recente decisão de autorizar a exploração de petróleo, fala-se sempre na falta de força, de influência política e social que o Algarve tem. Sucedem-se os governos sem que a Região consiga fazer valer os seus direitos e pretensões, embora contribua fortemente para as finanças nacionais.
Desperdiçada a oportunidade da Regionalização, quando o referendo realizado em 1998, não conseguiu ser vinculativo por ter tido uma taxa de abstenção superior a 50%, as atenções viram-se agora para as autarquias. Fala-se já na possibilidade das câmaras municipais ficarem responsáveis pelos centros de saúde. Mas, muitos autarcas têm bastante presente o que sucedeu quando “aceitaram” as escolas e acabaram a assumir uma série de responsabilidades e de despesas que não estavam previstas e que os governos nunca reembolsaram. Os centros de saúde, com toda a sua complexidade técnica e humana, são vistos como mais um encargo que o governo atiraria às autarquias que, manifestamente, não estão preparadas para gerir os problemas inerentes.

Com a saúde não se brinca, diz o povo e com razão. Nesta conjuntura, a defesa de um Serviço Nacional de Saúde com qualidade é a melhor garantia de vida e de esperança que podemos ter. Mas não haja ilusões. Vamos ter que lutar por ele.

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TAGGED:editorialPaula BravoSaúde
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PorPaula Bravo
Natural de S. Bartolomeu de Messines, nascida em 1963. Licenciada em Comunicação Social. Desde 1986, trabalhou em vários órgãos de comunicação nacionais e regionais. Dirigente associativa. Fundadora e diretora do Terra Ruiva desde abril de 2000.
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