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A ameaça

Portugal Continental tem 900 km de costa, oportunidades infinitas para o turismo e para quem procura um lugar ao sol com vista para o mar.
Só o Algarve produz 5 biliões de euros em receitas de turismo, por ano, sendo que 60% dos trabalhos da região estão ligados ao turismo. Quem vem de férias para o Algarve elege como uma das principais razões da sua escolha, a natureza e as actividades relacionadas com a mesma, sendo que 40% da região é ambientalmente protegida. Apesar destes números que falam, nos últimos anos tem sido incentivada a prospecção de petróleo nos nossos mares, nas nossas terras, no nosso ganha-pão. Um atentado!
Só para ficar bem claro a gravidade da situação, empresas como a ENI, a Galp ou a Repsol já assinaram contratos de concessões de exploração de petróleo no Algarve. Dentro destes contratos está assinalada a livre exploração de oito zonas (oito!), duas em terra e seis no mar. Estima-se que em 2020 se avance com a exploração.
Antes da assinatura destes temíveis contratos não foi feita nenhuma pesquisa do real impacto desta actividade na fauna e flora algarvia, mas escusado será dizer que os impactos negativos imperam. As técnicas de prospecção utilizadas em alto mar, que produzem ondas de som, afectam a vida marinha e, como consequência, todo o ecossistema. Existe a possibilidade atemorizante, de derrame de resíduos.
Relembre-se o que aconteceu no Golfo do México em 2010, onde durante 87 dias a BP não conseguiu travar uma fuga de resíduos, que pintou o mar de negro e matou dezenas de espécies animais. Ainda a acrescer a estes cenários catastróficos, o aumento das emissões poluentes é um facto já provado, bem como a possibilidade de contaminação de aquíferos pela utilização de uma técnica de exploração chamada fracking.
Já para não falar que o Algarve é a zona do país onde existe maior actividade sísmica, e uma possível exploração de petróleo e utilização de técnicas danosas, como o fracking, conduziria a um aumento da mesma. Os impactos ambientais que uma possível exploração de petróleo são demasiados, para sequer considerar-se como opção.
Mas se ainda não estão convencidos na negatividade deste processo absurdo, pense-se na cara do Algarve. O Algarve é uma marca que vende as suas praias e a sua ideia hedonista de paraíso lá fora e cá dentro, o nosso maior postal são as paisagens saídas de um livro de viagens.

Ao permitir a exploração de petróleo no Algarve, expõe-se a cara da região à ruína.

Não existe pior imagem que estarmos numa praia, em que além do profundo azul, se vê uma plataforma de betão. É uma luta do pescador contra os interesses das grandes indústrias. E como se come o planeta sem consciência, como o petróleo é o óleo da engrenagem da economia mundial, tudo justifica mais um furo na superfície, seja ele onde for.

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