Não é segredo que há anos que Portugal está na “moda”, sendo objecto de inúmeros artigos e publicações nos diferentes formatos físicos e digitais. Desde revistas, a blogs ou vídeos que retratam estilos de vida – o chamado lifestyle -, a publicações especializadas em turismo e viagens, a investimentos imobiliários ou a gastronomia e desporto, entre muitas outras áreas.
A salientar esta tendência está a posição em que Portugal se encontra em vários rankings relacionados com os novos nómadas digitais. E o que são nómadas digitais? São pessoas que buscam conciliar a sua vida profissional com as experiências vividas localmente, num estilo de vida que abraça a revolução digital e o aumento da mobilidade geográfica. Estes profissionais são trabalhadores independentes de áreas como, por exemplo, o marketing digital, especialistas em cibersegurança ou consultoria de negócios, empreendedores digitais e até trabalhadores com vínculo contratual com empresas e cuja presença diária nos seus escritórios não é exigida, que tiram partido do desenvolvimento tecnológico e da conectividade à internet de alta velocidade para assim ultrapassar distâncias físicas que, em certos casos, são intercontinentais. No fundo, são profissionais que andam de mochila às costas, com um computador portátil, a percorrer o Mundo enquanto privilegiam o teletrabalho.
Um inquérito realizado a estes “viajantes de portátil às costas” na plataforma digital nomadlist[1], que reúne mais de 49 mil profissionais que partilham desta filosofia, colocou duas cidades, Lisboa e Porto, e a região autónoma da Madeira no top 10 mundial, sendo Portugal o único país com mais do que uma cidade ou região no top 10! Se por ventura esta plataforma não lhe dirá muito, talvez confie mais na conceituada revista Forbes que também destaca Portugal como um dos destinos ideais para os trabalhadores remotos.
Então e o Algarve? A região tem claro potencial para ser predominante neste sector, sendo que deverá modernizar-se rapidamente e posicionar-se como uma região tecnológica e amiga da inovação – olá Algarve 2.0.
Dois exemplos que trilham esse caminho são o UAlg Tec Campus – uma incubadora de empresas tecnológicas inaugurada há dias – e o Algarve TechHubSummit que está a decorrer enquanto escrevo estas linhas. O Algarve TechHubSummit é um evento que visa a “promoção da inovação, tecnologia e negócios do Algarve e ao posicionamento da região como um Hub Tecnológico global competitivo e atrativo para empresas, instituições e indivíduos”. Duas iniciativas muito bem vindas e que se espera venham a perdurar ao longo dos anos com resultados mensuráveis, na atração de empresas e de empreendedores, mas também como plataforma de alavancagem do tecido criativo, inovador e de elevado conhecimento que subsiste na região em algumas áreas.
Outro exemplo que demonstra a vontade em pensar nas coisas de outra forma, surge por parte da Associação de Turismo do Algarve (ATA) que desafiou um conjunto de operadores de golfe internacionais a mudar-se temporariamente para a região e assim conhecer in loco o Algarve e tudo o que tem para oferecer. Estes profissionais poderão desempenhar as suas tarefas em regime de teletrabalho enquanto vivenciam o que temos para oferecer. Uma ideia extremamente interessante pois não há melhor forma de promover um produto – neste caso até são dois, o Algarve e o golfe – do que conhecê-lo e usufruir dele pessoalmente.
Por ora, Lagos é o concelho mais atractivo para os profissionais viajantes. Não obstante, no início do passado mês de Março, foram dados os primeiros passos no concelho de Silves com a recente disponibilização de dois espaços integrados na rede nacional de coworking, um na Casa Museu João de Deus em São Bartolomeu de Messines e o outro no Polo de Educação ao Longo da Vida em São Marcos da Serra, onde é possível encontrar mesas de trabalho, equipamento informático e acesso à internet partilhados num ambiente comum aos utilizadores, para aí desenvolver os seus negócios e ideias aquando da sua estadia.
Combater as assimetrias que subsistem entre o urbano e o rural será certamente uma tarefa herculeana pois as cidades acabam por apresentar características e comodidades que atraem os nómadas digitais, pelo que haverá um enorme trabalho a realizar na criação, promoção, dinamização e comunicação de uma oferta integrada diferente. A promoção de um intercâmbio cultural, por exemplo, através de parcerias com associações culturais e artistas locais de áreas diversas assim como das comunidades estrangeiras presentes no território, e um intercâmbio profissional através da realização de eventos de criação de contactos, aprendizagem, troca de experiências e conexões com empresas do concelho e também da região, com o objectivo de criar uma resposta emocional positiva e enriquecedora deverão ser equacionados pois poderão, como retorno, contribuir para um maior dinamismo da economia local, um desenvolvimento do conhecimento e um estímulo ao empreendedorismo assim tenhamos capacidade de mobilização e de colaboração para atrair estas pessoas.





