Quando comparamos as medidas tomadas pelos governos de Espanha e de Portugal para mitigar a tremenda crise que aí vem, percebemos a importância de ter o partido Socialista mais acompanhado ou desacompanhado à sua esquerda. É que em Espanha há presentemente um governo resultante de um acordo entre o Psoe e o Podemos (partido que é aliás responsável pelas pastas do trabalho e do emprego).
A opinião pública espanhola aplaudiu, e nós gostámos, da frontalidade política de António Costa ao considerar de repugnantes as declarações do ministro das finanças holandês. Quero também acreditar que muitos de nós teriam gostado de ver o nosso governo ir mais longe nas medidas económico sociais anunciadas. E é nesta como em muitas outras situações que vamos ter saudades de ver a geringonça a funcionar…
Já agora seria bom que o feito histórico do primeiro excedente orçamental, em 46 anos de democracia, revertesse manifestamente a favor do povo trabalhador, ou seja, de todos aqueles que sempre pagam os estragos das crises.
Sempre a ganância e o obscuro jogo dos grandes interesses até nos momentos mais difíceis. Aqui, no Algarve, as afirmações de Elidérico Viegas, da associação dos Empresários de Hotelaria, a sua falta de sensibilidade social contrastam com as preocupações do representante do sindicato dos Trabalhadores. No turismo vai ser dramático, para mais quando a maioria são precários e com contratos de curta duração.
Não há uma proibição dos despedimentos como em Espanha e Itália (e uma coisa é ouvir um governo dizer que vai estar atento aos despedimentos e outra é legislar a sua proibição), nenhuma atenção à fuga de capitais, nenhuma medida de suspensão de prémios/dividendos na administração de grandes empresas e os bancos (não esteja o governo atento…), vão emprestar para mais tarde lucrar.
Nota:
E se todos ansiamos por criar imunidade a este maldito Covid-19, também é importante permanecermos saudavelmente contagiados pela Política.
Texto: Paulo Penisga






