Ao utilizar este site, concorda com a nossa politica de privacidadePolitica de Privacidade e Termos e Condições.
Accept
Terra RuivaTerra RuivaTerra Ruiva
  • Concelho
  • Sociedade
    • Ambiente & Ciência
    • Cultura
    • Educação
    • Entrevista
    • História & Património
    • Lazer
    • Política
  • Opinião
  • Vida
  • Economia & Emprego
  • Algarve
  • Desporto
  • Autores
    • António Eugénio
    • António Guerreiro
    • Aurélio Cabrita
    • Clara Nunes
    • Débora Ganda
    • Eugénio Guerreiro
    • Fabrice Martins
    • Francisco Martins
    • Frederico Mestre
    • Helena Pinto
    • Inês Jóia
    • José Quaresma
    • José Vargas
    • Maria Luísa Anselmo
    • Maria José Encarnação
    • Miguel Braz
    • Paula Bravo
    • Paulo Penisga
    • Patricia Ricardo
    • Ricardo Camacho
    • Rocha de Sousa
    • Rogélio Gomes
    • Sara Lima
    • Susana Amador
    • Teodomiro Neto
    • Tiago Brás
    • Vera Gonçalves
  • Página Aberta
  • AUTÁRQUICAS 2025
    • AUTÁRQUICAS 2021
  • Edições
Reading: Banco Alimentar o Banco
Partilhe
Font ResizerAa
Terra RuivaTerra Ruiva
Font ResizerAa
  • Home
  • Demos
  • Categories
  • Bookmarks
  • More Foxiz
    • Sitemap
Follow US
  • Advertise
© 2022 Foxiz News Network. Ruby Design Company. All Rights Reserved.
Opinião

Banco Alimentar o Banco

José Alberto Quaresma
Última Atualização: 2019/Ago/Qui
José Alberto Quaresma
7 anos atrás
PARTILHE

– Os bancos gostam dos bancos alimentares?
– Na sei. Talvez.
– Alimentam-se também deles?
– Na me parece! Na se vê ninguém a comer uma sande num banco. Mas se o alimento dos bancos é dinheiro, nesse sentido sim, alimentam-se.
– E os hipermercados alimentam-se das campanhas dos bancos alimentares?
– Que jeite! Até odeiem. Quer-se-dizer, agora que falas nisso…
– Então não vendem mais?
– Na tou a olhar prás registadoras. Mas devem vender. Se pessoa sai de casa com um rol de com-pras e gasta mais do que tinha pensado, os supermercados vendem mais.
– E o banco alimentar o Estado?
– O Estado?
– Ó Adozinda! O Estado também se alimenta com o Iva dos produtos alimentares das campanhas?
– O Iva? Quem é? Um rapaz? Uma mulher? É só conhêce a Iva Domingues.
– Não, Adozinda! O Iva é um homem imaterial. Um maduro sem corpo, mas com muita cabeça. Um sabidão. Gosta de fazer contas de valor acrescentado.
– Como assim?
– O Estado arrecada o IVA em tudo o que se compra e vende. E, claro, o Iva que se paga nas com-pras, que depois são doadas ao banco alimentar! Sim, o Estado fica com 6% ou 13% dos produ-tos alimentares que as pessoas, num gesto de generosidade, gostam de proporcionar aos mais des-favorecidos.
– Ah! Já percebi. O Iva é um mostrengo a que não se consegue fugir, a não ser na candonga, na é?
– Claro. Na candonga, o Iva não existe. Mas o Estado é uma pessoa de bem. Gosta que as pessoas pratiquem o bem desde que paguem o Iva que vorazmente arrecada. Até uiva com o Iva que recebe.

Adozinda estava a ficar nervosa com o velho colega. O Dorindo era um chato. Nada tinha que fazer desde que se reformara. Ia ao Continente ler as últimas do dia. Costado largo, em frente do escapa-rate dos jornais da entrada. Quem quisesse espreitar os periódicos, tinha de se contorcer e espremer a vista. Para Dorindo, as leituras do dia eram de borla. – De borla, sai mais em conta, – bebia este seu pensamento com um sorriso cínico.

Adozinda, divorciada, ainda estava comestível, pensou. Assim que a vira, parou para lhe dar trela. Quis fazer-lhe companhia, mas só estorvava. Adozinda procurava ser agradável.

Ela, a Graciliana e mais três voluntários estavam ali, há duas horas. Saquinhos de plástico branco nas mãos. Formavam uma barreira policial à paisana. Parecia uma operação stop, para controlo de bafos alcoólicos. Os carrinhos de supermercado quase chocavam uns contra os outros, junto dos pórticos de alarme. A autoridade verdadeira não tinha sido convocada.

A operação stop, do banco alimentar, era montada por voluntários. Várias vezes ao ano. As pessoas faziam fintas à entrada. Não é que tivessem mau hálito. Não queriam era levar para dentro os sacos do banco alimentar. Olhavam distraídamente para o lado. Um maduro quis retroceder. Chocou con-tra uma senhora que acelerou o passo para não parar. Colisão frontal. Sem feridos.

Dorindo torcia-se a pensar. Compreendia certas coisas. Não compreendia outras. Sabia que os por-tugueses são generosos. Gostam de dar. Sobretudo se a televisão os capturar num gesto de dádiva sorridente. Se forem vistos, tudo maravilhoso. Se ninguém os notar, a oferta fica melhor do lado deles. Nunca será. Dada. Só pensada. Era o que faltava…

Dorindo desconfiava do destino dos produtos doados. Onde iriam parar? Muitos perdiam-se pelo caminho. Outros entregues a Instituições de Solidariedade Social. Apesar disso as mensalidades dos utentes ali nunca baixavam. Alguns, eram revendidos, pois claro, a preços mais em conta. A maior parte, quiçá, cumpriria a função. Matar a fome. Aos que a têm. Ou, talvez, nem tanto.

Dorindo até tinha admiração por gente que gosta de ajudar o próximo, sobretudo em situações de catástrofe. Mobiliza-se. Sacrifica-se. É capaz de levar noites e dias sem dormir, por amor ao próximo. Ou por amor ao distante, já que a desgraça nunca bate à porta de casa mas onde a televisão mostra. Desgraças não existem. Só quando a televisão exibe, sem cheiro mas com cores berrantes, é que aquelas desgraças passam a existir. E desaparecem logo no dia seguinte, trocadas por outras mais berrantes e actuais.

Mas Dorindo também pensava noutras coisas um pouco mais tortuosas. Por que é que o Estado não é mais eficiente a promover a igualdade de oportunidades. A retirar as pessoas da miséria. A domesticar as práticas selvagens que levam à subidas dos preços das casas e barracas, dos bens de primeira necessidade, da água, gás e electricidade? Sim, em vez de apoiar apenas, com manhas de farsante altruísta, as campanhas do bancos alimentares, sem nada dar em troca e sacando, sempre, sempre, o Iva, e mais outros impostos?… Sim, imposto só é imposto porque é imposto.

Dorindo não estava ali a caturrar com a Adozinda – em plena campanha do banco alimentar – para oferecer nada. Apenas para receber. O quê? Só ele o sabia. Revirava os olhos, mas não era para os sacos vazios do alimentar. Só via as mão brancas da Adozinda em voluteios de…

Osvaldo que pensa mal, como qualquer homem que se preze, esteve sempre atento à conversa. Recolhido, três passos atrás. Não suportava o ar dengoso do Dorindo quando falava com mulheres. Notou que a Adozinda amolecia, mas os seios mantinham-se rijos no cofre da blusa. E pensou – aquele traste não pode com uma gata pelo rabo. Nem dá nada a ninguém. O que é que quer? Pensou pior. – Ó Dorindo, vai tentar alimentar-te noutra campanha! Não disse. Pensou.

Total Views: 0
Dia Mundial de Mim
Imigração: entre preconceitos e realidade
Meu rico verão
Iludir-se
Ser Pai/ Ser Mãe Hoje – Entre o mundo digital e a responsabilidade de educar
TAGGED:Banco AlimentarJosé Alberto Quaresma
Partilhe este artigo
Facebook Email Print
PorJosé Alberto Quaresma
José Alberto (de Oliveira) Quaresma nasceu em Portimão. Licenciou-se em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Prosseguiu estudos em História Moderna e Contemporânea, na Universidade de Paris- Sorbonne (Paris IV), com Pierre Chaunu e André Corvisier e em História das Mentalidades Religiosas, no Collège de France, com Jean Delumeau. Foi docente do ensino secundário e formador de professores. Publicou artigos em revistas científicas e apresentou em vários fóruns comunicações sobre História, História das Mentalidades, Sociedade e Sistema Educativo. Tem, como colunista, colaboração dispersa por vários periódicos, nomeadamente, O Independente, Público, Expresso, Correio da Manhã, Domingo Magazine. Obteve o Prémio Revelação de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores (1989), pelo livro A Pose Extática, (Afrontamento). Publicou Ecolalia, poesia (Vega) e, na mesma editora, Direito ao Erro – A Batalha da Educação em Portugal. Foi autor de «Falta de Castigo – O Blogue da Educação e da Falta Dela», no semanário Expresso, entre 2008 e 2014. Coordenou as Comemorações do 122º Aniversário do Nascimento de Manuel Teixeira Gomes (1982-1983). Foi comissário para as Comemorações Nacionais dos 150 Anos de Manuel Teixeira Gomes (2010). É autor de Manuel Teixeira Gomes – Biografia (Imprensa Nacional – Casa da Moeda / Museu da Presidência da República
Artigo Anterior Festa das Tradições em Messines
Próximo Artigo Observação Noturna de Planetas e Estrelas, em Silves
Sem comentários

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Últimas

Beatriz Cabrita apresentou o seu novo livro em Messines
Cultura Sociedade
Corte de trânsito e de água em Armação de Pêra
Concelho
Entrevista a Fábio Antão, presidente da Junta de Freguesia do Algoz – “Tenho uma visão para o Algoz”
Entrevista Sociedade
Marco Jóia é o novo presidente da Junta de Silves
Política Sociedade
Fora do Rascunho – Música & Poesia ao vivo, no Parque do Enxerim
Cultura Sociedade

– Publicidade –

Jornal Local do Concelho de Silves.

Links Úteis

  • Notícias
  • Estatuto Editorial
  • Ficha Técnica

Publicidade

  • Publicidade & Assinaturas
  • Conteúdo Patrocinado

Info Legal

  • Contactos e Info Legal
  • Termos e Condições
  • Politica de Privacidade

Siga-nos nas Redes Sociais

© Copyright 2025, Todos os Direitos Reservados - Terra Ruiva - Created by Pixart
Ajustes de acessibilidade

Com tecnologia de OneTap

Durante quanto tempo queres ocultar a barra de acessibilidade?
Duração de ocultação da barra
Perfis de acessibilidade
Modo de Deficiência Visual
Melhora os elementos visuais do site
Perfil Seguro para Convulsões
Remove flashes e reduz cores
Modo Amigável para TDAH
Navegação focada, sem distrações
Modo de Cegueira
Reduz distrações, melhora o foco
Modo Seguro para Epilepsia
Escurece cores e para o piscar
Módulos de conteúdo
Tamanho do ícone

Padrão

Altura da linha

Padrão

Módulos de cor
Módulos de orientação
Welcome Back!

Sign in to your account

Username or Email Address
Password

Lost your password?