A Assembleia Municipal de Silves reuniu, no dia 31 de agosto, em sessão extraordinária para deliberar, entre outros assuntos, sobre dois pontos de importância relevante para a freguesia de Silves: a autorização para a compra do terreno para o Complexo Multiusos de Silves e a Declaração de Interesse Público Municipal para o projeto imobiliário Silves Hills.
A proposta de aquisição do prédio misto, situado no Caniné, para a construção Complexo Multiusos de Silves foi um dos pontos que veio à Assembleia Municipal porque o preço da aquisição, de “um milhão de euros” é superior ao valor que a Câmara Municipal pode decidir sem a aprovação desta entidade (920 mil euros).
Trata-se de um terreno que, em 2005, foi parcialmente ocupado com um campo de futebol, com base num protocolo que o Município de Silves fez com os proprietários. O mesmo foi depois desativado, em novembro de 2012.
Identificada a necessidade da construção de um Complexo Multiusos na cidade de Silves, em junho de 2025, o atual Executivo da Câmara iniciou negociações com os proprietários, com vista à aquisição do referido terreno. Após a avaliação do valor do terreno, feita quer pelos serviços técnicos da Câmara Municipal, quer por um perito avaliador do Tribunal da Relação de Évora, desenvolveram-se as negociações, tendo sido finalmente acordado o valor do terreno e a data da celebração da escritura que será realizada ainda neste mês de setembro.
O terreno tem uma área total de 67.040m 2, é é contíguo ao Parque de Feiras do Município, estrutura que também deverá ser enquadrada e requalificada. Segundo a apresentação feita na Assembleia Municipal, é intenção da autarquia construir um complexo multiusos, com condições para a realização de diversas atividades desportivas, mas também culturais e artísticas, não só de âmbito concelhio mas com condições para receber outros eventos de âmbito nacional e internacional.
“Será um equipamento de extrema importância para os silvenses e para o concelho”, sublinhou o vereador Maxime Sousa Bispo. O mesmo entendimento tiveram os membros da Assembleia Municipal, tendo a autorização da aquisição sido aprovada por unanimidade, com os votos favoráveis da CDU, PSD, PS, Chega e IL.
Silves Hills – empreendimento turístico na serra de Silves

Mais controversa foi a aprovação da Declaração de Interesse Público Municipal requerida pelos promotores do empreendimento turístico “Silves Hills”, os quais estiveram presentes nesta sessão da Assembleia, para apresentação do projeto e esclarecimento de dúvidas.
Este projeto, como o Terra Ruiva já noticiou anteriormente, localiza-se a dois quilómetros da cidade de Silves, na Quinta do Pateiro onde está prevista a construção de 146 unidades de habitação, numa área de construção de 2,8 hectares, inserida num terreno com 60,16 hectares.
Para o promotor, a Invego, empresa internacional presente em Portugal, Estónia e Letónia, a escolha da serra de Silves explica-se com a evidência de que “o turismo está a mudar” e que cada vez mais pessoas “procuram autenticidade”, conjugada com “qualidade de vida”. O que certamente encontrarão num “empreendimento turístico de baixa densidade com cinco estrelas”, que representa um investimento de “94,5 milhões de euros”.
Este empreendimento obteve a Declaração de Impacto Ambiental (DIA) favorável condicionada, e foram precisamente as questões ambientais que estiveram em análise na Assembleia, com vários membros a questionarem sobre estas. Da parte do promotor, foi dada a garantia que todas serão observadas, apontando, como um dos exemplos, a plantação de 2500 azinheiras, como medida de compensação para a remoção de 872 árvores (sobreiros e azinheiras). Destacou também a existência de uma barragem na propriedade, que assegurará a rega dos jardins e espaços verdes.
Outra das questões que surgiu foi sobre qual “o ponto de entrada” para o empreendimento, sendo manifestado o receio do Bairro da Caixa d´Água vir a ser fortemente afetado, principalmente enquanto decorrer a construção, com início previsto para o primeiro trimestre de 2027, e como poderá ser isso minimizado.
Como pontos mais positivos, além da criação de 47 postos de trabalho diretos e mais de 100 indiretos, o promotor aponta o estímulo da economia local e a reabilitação de infraestruturas, no valor de 757 mil euros, nomeadamente, na substituição da conduta de água ao longo da EN 124, desde o empreendimento ao Estádio do Silves Futebol Clube, incluindo repavimentação da via; e na drenagem de águas residuais, fazendo uma ligação direta ao intercetor existente na EN 124, desativando o troço existente junto ao jardim de infância de Silves.
Da parte do Executivo, o vereador Maxime Sousa Bispo lembrou que a área do empreendimento é um “território que tem estado ao abandono” e destacou a importância de um “investimento desta natureza numa freguesia do interior como é Silves”. Também o PS considerou ser um ato de “coragem” investir neste local, mas ressalvando a necessidade de “ponderação do benefício e constrangimentos”. Por seu turno, o PSD pronunciou-se “a favor, mas com questões”, nomeadamente sobre os encargos que esta construção poderia trazer para o Município. A CDU também se mostrou favorável à aprovação, mas que isso não constituía “carta branca” e que teria de haver fiscalização para verificar se os compromissos assumidos pelo promotor estavam a ser cumpridos.
O vereador Maxime Sousa Bispo lembrou que além da Câmara Municipal houve outras entidades a participarem no processo e que avaliaram as questões ambientais, nomeadamente a APA, ICNF e Águas do Algarve, tendo emitido parecer favorável condicionado. Afirmou ainda que para a continuidade do processo, seria indispensável o promotor ver aprovado a Declaração de Interesse Público Municipal.
Posta à votação, a proposta foi aprovada por maioria, com 21 votos a favor, 10 da CDU, 7 do PSD, 2 do Chega, 1 da Iniciativa Liberal e 1 do presidente da Junta de Freguesia de São Marcos da Serra. Houve ainda quatro abstenções, 1 da CDU e 3 do PS.










