Após anos de espera, os fãs de desportos motorizados em Portugal receberam uma prenda de Natal antecipada: a Fórmula 1 regressará ao Autódromo Internacional do Algarve (AIA) em 2027 e 2028. Um regresso a Portimão após a passagem nos anos de 2020 e 2021, marcada pelas circunstâncias muito especiais da pandemia Covid-19.
Este anúncio, que conta com apoio do Estado e não é sequer unânime entre os apaixonados de F1, representa a oportunidade de potenciar o turismo, a economia local e regional, potenciar internacionalmente Portugal e o Algarve em particular perante uma audiência global média de 70 milhões de espectadores durante cada fim-de-semana de corrida.
Uma opção estratégica para consolidar o Algarve como um destino de excelência, capaz de atrair grandes eventos desportivos internacionais, que levará à procura do destino e atrairá milhares de turistas, equipas técnicas, jornalistas e fãs de todo o mundo, impulsionando o setor hoteleiro e de alojamento, a restauração, o comércio e os transportes.
Concluída a negociação com sucesso para que Portugal integre o calendário da F1 em 2027 e 2028, a parte mais difícil vem agora. Promover o evento e o destino além-fronteiras, junto de outros mercados turísticos, reforçando o papel de Portugal e do Algarve como palcos de emoção, inovação, de desporto e de lazer. Internamente, criar as condições para que os dois Grandes Prémios sejam um sucesso em termos organizativos, de hospitalidade e de comodidade, pois longe vão os tempos em que assistir a “carros às voltas numa pista” durante um par de horas era suficiente por si só.
Nesse sentido julgo importante aprender com as lições de 2020, onde num contexto de pandemia a lotação do público no Autódromo foi reduzida para cerca de um terço e não obstante foram evidentes, pelo menos para mim, três vetores de melhoria: gestão de áreas de acesso e zonas de espectadores para corrigir os problemas de acesso e estacionamento que se verificaram, onde muitos espectadores relataram dificuldades em chegar ao circuito devido à insuficiência de opções de transporte público e aos poucos acessos para o circuito que causaram longas filas e atrasos na entrada e saída do evento; infraestrutura e comodidades no recinto, a falta de zonas de sombra, assim como de áreas de descanso confortáveis e de maior variedade de pontos de venda de alimentos e bebidas deverão ser revistos para melhorar a experiência geral de conforto durante o evento. Sem esquecer o reforço de ecrãs gigantes para acompanhar a accão em pista e a gestão de resíduos e limpeza mais eficaz para garantir maior comodidade e higiene. A comunicação entre a organização e os espectadores também será um aspeto a melhorar, nomeadamente a pouca sinalização informativa dentro do circuito, o que dificulta a orientação e o acesso às diferentes áreas do evento.
Ao promover o evento de forma eficaz e proporcionar condições de qualidade aos visitantes, o Algarve consolidará a sua imagem como destino de excelência, capaz de oferecer emoções, inovação e hospitalidade de primeira linha, enquanto impulsiona o desenvolvimento económico e turístico da região. Com uma estratégia bem planeada e uma organização cuidadosa, este regresso pode alavancar outras oportunidades no panorama desportivo internacional, beneficiando não só os fãs de F1, mas toda a comunidade local e o país como um todo.


