Foi aceite a candidatura do aspirante geoparque Algarvensis a Geoparque Mundial da UNESCO que aguarda a ratificação final pelo Conselho Executivo da UNESCO na Primavera de 2026. A confirmar-se, este será o sétimo geoparque da UNESCO em Portugal e o primeiro no sul do país. Um projeto que agrega os concelhos de Loulé, Silves e Albufeira e cuja génese se deveu à descoberta, em 2015 na Penina (concelho de Loulé), de um fóssil de Metoposaurus algarvensis, um anfíbio que terá habitado a terra há 227 milhões de anos num mundo que era muito diferente do que é hoje.
Quão diferente? Bem, todos os continentes que conhecemos atualmente estavam unidos num único supercontinente, um imenso bloco de terra chamado de Pangeia, rodeado por um vasto oceano chamado Panthalassa. A Pangeia viria mais tarde a fragmentar-se devido ao movimento das placas tectónicas que originaram fissuras e levou ao aparecimento de novos oceanos. Há cerca de 23 milhões de anos, já no período do Neogénico (uma configuração da Terra semelhante à de hoje), o Algarve estava maioritariamente debaixo de água o que explica os vestígios do Placodonte, um réptil aquático, com uma aparência semelhante à das tartarugas, encontrado em São Bartolomeu de Messines, entre outros vestígios de animais que em tempos viviam por cá.
A criação do geoparque Algarvensis é uma forma muito interessante de dar uma nova vida a aldeias, vilas e territórios que vão do interior algarvio ao mar, nos concelhos de Albufeira, Loulé e Silves, numa estratégia de sinergias, coesão territorial e de desenvolvimento sustentável que é de louvar. Um projeto diferenciador com base no “conhecimento, na educação, na formação, no desenvolvimento económico sustentável, na conservação e no bem-estar dos residentes.” O
potencial de alavancagem da história natural destes territórios e das suas gentes, de valorização do património natural e cultural é enorme, mas não basta apenas reconhecer a sua potencialidade geológica, histórica e cultural.
Conquistado este patamar de aceitação (a Geoparque da UNESCO) há um entusiasmo renovado e expectativas sobre o que novas descobertas poderão revelar. O verdadeiro êxito dependerá de quem vive e trabalha nesses concelhos da região: as pessoas, as escolas, as coletividades, as associações locais, os artistas e artesãos, sem nunca esquecer quem está à frente dos destinos a nível autárquico.
Creio, por isso, ser importante que o Geoparque Algarvensis seja co-criado, partilhado e nutrido pela comunidade, para que ganhe mais vida no futuro. Que este momento seja apenas o começo de uma jornada de orgulho, participação e realização partilhada e que o Geoparque Algarvensis se desenvolva como um projeto verdadeiramente comunitário, alimentado pela curiosidade das escolas, pela iniciativa das associações, pelo talento dos locais e pela participação activa de todos os residentes.
Com a coragem de sonhar grande e a humildade de trabalhar em conjunto, o Algarvensis tem tudo para transformar conhecimento em bem-estar, cultura em prosperidade e memória em futuro resiliente.







