Com as eleições autárquicas de 12 de outubro cada vez mais próximas, a política local agita-se com as candidaturas já conhecidas às Juntas de Freguesia, Câmara Municipal e Assembleia Municipal.
Doravante, a intervenção política tenderá a ser intensa, no esgrimir de programas, compromissos e promessas, sobretudo através dos meios digitais. Neste contexto, os cidadãos devem manter-se atentos e exigentes.
As promessas eleitorais devem ser cuidadosamente avaliadas, não só quanto à sua exequibilidade (em termos de tempo, projeto, obra e financiamento), mas também em relação à capacidade dos candidatos para as concretizar.
Passados 50 anos sobre o 25 de Abril e a consolidação da democracia, é inaceitável recorrer a promessas demagógicas e populistas, que ludibriam o eleitor. Igualmente condenável é o uso de campanhas sujas, seja no contacto direto com os cidadãos, seja nas redes sociais, onde a mentira, a calúnia e a manipulação da opinião pública surgem fáceis a partir de um simples clique. As redes sociais, infelizmente, tornaram-se também terreno fértil para perfis falsos e campanhas de desinformação.
Um alerta especial para os jovens, principais utilizadores das tecnologias digitais: as redes sociais, a tecnologia e a inteligência artificial não apenas moldam o que pensamos, mas também influenciam como pensamos sobre política.
Daí a importância de uma postura crítica perante a informação consumida — o que requer literacia, leitura, conhecimento e capacidade de análise da realidade social e política.
Nas eleições autárquicas, o eleitorado não escolhe apenas os cabeças-de-lista. As equipas que os acompanham, especialmente os primeiros nomes das listas, desempenham um papel relevante. O seu valor acrescentado — ou a sua ausência — pode ser determinante nas escolhas, dependendo do conhecimento, experiência, competência e prestígio destes candidatos junto das comunidades onde vivem e trabalham.
Conhecer o verdadeiro perfil dos candidatos é essencial. É amplamente reconhecido que uma das qualidades fundamentais de um bom autarca é a sua humildade e proximidade com os cidadãos e a disponibilidade que tem para ouvir e resolver problemas. Por outro lado, um candidato incompetente, falso, incumpridor, corrupto ou arrogante, não se transforma, de um momento para o outro, num modelo de virtudes, só porque entrou em campanha eleitoral. Quero acreditar que o comportamento humano de perfil camaleónico já teve melhores dias e que os eleitores saberão reconhecer e rejeitar essas mudanças de caráter oportunistas.
No que respeita à Câmara Municipal, o principal órgão autárquico, coloca-se uma questão central: será necessário mudar a atual liderança do Município de Silves, de maioria CDU, como propõem os partidos da oposição?
Na minha opinião, embora, sendo suspeito, quem apresenta bom desempenho e resultados expressivos, designadamente naquilo que diferencia a qualidade da intervenção autárquica – investimento elevado e permanente e atividade cultural criativa, dinâmica e diversificada -, ao longo do conjunto dos três últimos mandatos, em simultâneo com casa organizada e finanças públicas saudáveis, merece a renovação da confiança do eleitorado. Ademais, o futuro enfrenta a necessidade de elaboração de projetos técnicos exigentes, estruturantes, alguns concluídos ou em fase final, outros ainda por contratar, que devem culminar com a sua materialização no terreno. Tais desafios requerem arte e engenho, capacidade de fazer, experiência, visão estratégica e conhecimento do território.
Este não é o tempo de apostar em experimentalismos, em aventuras ou em soluções de risco. Uma coisa é alguém que faz bem, outra é alguém que apenas promete fazer bem. A mudança só faz sentido se for para melhor — nunca para pior.




