Em 1605 na cidade de Estrasburgo nascia o primeiro jornal do mundo, o “Relation aller Fürnemmen und gedenckwürdigen Historien” por Johann Carolus. Estava dado o pontapé de saída para a imprensa escrita e a sua importância ao longo de séculos. Trezentos e noventa e cinco anos depois do “Relation” nascia, no concelho de Silves, o “Terra Ruiva” que agora comemora os seus 25 anos de existência.
Um marco significativo para qualquer jornal, sobretudo para um jornal local que procura noticiar o que acontece no meio onde está inserido, o concelho de Silves e as suas gentes. Como autor mensal, tenho contribuído nos últimos anos através de artigos de opinião para retratar uma época das nossas vidas. Gosto de pensar que um dia mais tarde, alguém, porventura um historiador ou um cientista social, terá curiosidade em estudar a sociedade dos nossos dias, tal como fazemos em relação ao passado, procurando respostas para eventos do presente ou do futuro ou então para daqui a 100 anos se realizar um novo exercício comparativo de como era o Concelho de Silves, a sua sociedade e de como evoluiu.
O desafio foi-me lançado por um bom amigo que escreve crónicas para o Terra Ruiva, há mais de dez anos que insistia para que escrevesse, até que certo dia aceitei e, por coincidência, os meus dois primeiros artigos para este jornal não foram na edição em papel, mas no espaço “página aberta” na página de internet do Terra Ruiva – para a qual convido os leitores a visitar diariamente pois dessa forma também ajudam a manter este projecto vivo. Prestes a completar cinco anos, escrito durante o primeiro confinamento da Covid19, “Suporte Básico de Vida” foi o meu primeiro artigo de opinião e alguns meses mais tarde, seguiu-se um artigo com o título “Oportunidades irrepetíveis”, a propósito da vinda da Fórmula 1 e do MotoGP ao Algarve, e daí para cá seguiram-se mais alguns.
Encaro os artigos de opinião como mais do que simples expressões de pensamento pessoal, mas como ferramentas de debate e reflexão. Num mundo onde as informações circulam rapidamente e tudo parece ser tão imediato, ter um espaço dedicado à análise crítica é essencial. Através destes textos, conseguimos explorar as complexidades das questões sociais, políticas e económicas, que nos afectam, oferecendo aos leitores uma perspectiva que vai além dos factos apresentados nas notícias diárias. Se desta forma se conseguir promover diferentes pontos de vista que contribuam para um diálogo saudável e enriquecedor, ganharemos todos enquanto comunidade e sociedade.
Escrever mensalmente para um jornal que celebra o seu 25º aniversário é por isso um privilégio, mas também uma responsabilidade. É uma oportunidade de contribuir para a formação de uma opinião pública informada e crítica. Ao encorajar o debate e a reflexão, não enriquecemos apenas o conteúdo do jornal, mas também fortalecemos o tecido social da nossa comunidade. Uma forma salutar de promover a cidadania activa e de celebrar a democracia. Obrigado por isso aos assinantes, aos leitores, bem como aos patrocinadores do Terra Ruiva e a todos os que colaboram, ou colaboraram no passado, para que um pequeno jornal local que se dedica a documentar e dar voz à realidade da comunidade na qual está inserido perdure. Algo cada vez mais raro e que deve ser preservado. Que venham muitos mais anos de diálogo, reflexão e crescimento conjunto. Parabéns Terra Ruiva pelo 25º aniversário!







