O Grupo dos Amigos de Silves trouxe a debate público “O futuro do rio Arade” e a “estratégia de valorização do rio para o desenvolvimento económico e social da freguesia de Silves”, que a meu ver, está umbilicalmente ligado ao restabelecimento da navegabilidade entre Silves e Portimão, processo que se arrasta há cerca de 40 anos, sem ver a luz do dia, cuja resolução depende da vontade política do governo, dado o caráter multimunicipal e multissectorial, a complexidade do projeto e a magnitude do investimento.
Ao longo do historial foram elaborados dois projetos técnicos, um concluído no ano de 1995, da responsabilidade do Município de Silves, sob a presidência de José Viola (CDU), e um segundo, desenvolvido entre 2001-2011 (quase concluído), por iniciativa do Instituto Marítimo-Portuário, sob a tutela do Ministério do Equipamento Social. Enquanto o projeto camarário propõe o desassoreamento do trecho do rio no concelho de Silves, o projeto do governo, estende-se desde Silves a Portimão.
Sem entrar em mais detalhes sobre os projetos, o autor destas linhas e interveniente no painel, defendeu convicta e objetivamente, a necessidade vital de realizar o desassoreamento do rio Arade, por razões atinentes ao desenvolvimento sustentável do território dos concelhos de Silves, Lagoa, Portimão e Monchique e à própria região do Algarve.
Porque se trata de um projeto âncora de cariz regional, impactante em vários domínios como o turismo (turismo da natureza, turismo cultural, turismo desportivo), comércio, património, ambiente, acessibilidade, com efeito multiplicador em toda a economia.
No Plano de Recuperação do Algarve é considerado no nível mais elevado, classificado como projeto diferenciador, por responder de forma significativa aos grandes desafios da região.
Mantêm-se válidas as declarações do ex-Secretário de Estado do Turismo, Vítor Neto, nosso insigne conterrâneo, datadas de 1998, que relevam a importância primordial do restabelecimento da navegabilidade do rio Arade, designando-ocomo “projeto de âmbito regional, que entra no quadro dos grandes projetos nacionais.”
São legítimas as dúvidas de alguns participantes no debate, somente explicadas pelo desconhecimento do processo histórico e do conteúdo dos projetos, mas incompreensíveis, as posições que são mesmo contrárias (!) ao desassoreamento do rio Arade, desígnio profundo das populações, nomeadamente a de Silves.
Foi com assombro que ouvimos o antigo presidente da câmara, eng.º Francisco Matos (PS), referir que já foi a favor do desassoreamento do rio Arade, mas hoje já não é!
Da parte do palestrante eng.º João Garcia, presidente da AG da Associação de Regantes (candidato oficioso do PSD à câmara), o discurso foi desfocado da temática em análise, não se descortinando a sua posição clara quanto à defesa do desassoreamento do Rio Arade.
Abordar as potencialidades do rio Arade no desenvolvimento económico, rejeitando o restabelecimento da sua navegabilidade, é pleno paradoxo.
Não desassorear, não é alternativa. Não desassorear, significa a continuação da degradação dos recursos ambientais, naturais, culturais e científicos do rio Arade. Não desassorear, significa abandonar um recurso excecional e desistir do desenvolvimento dos territórios.
É óbvio que o projeto do governo, datado de 2011, carece de revisão e atualização, repondo o espelho de água permanente frente à cidade, componente integrante do projeto municipal de 1995, e dando resposta às novas exigências nos planos da preservação dos ecossistemas terrestre e subaquático, integração paisagística e património arqueológico.
A recente posição conjunta dos Presidentes das Câmaras Municipais de Silves, Lagoa, Portimão e Monchique, quanto à exigência da retoma e finalização do projeto técnico por parte do governo, é uma lufada de ar fresco, que dará, seguramente, frutos no futuro próximo, haja a tal vontade política.




