Foi com grande espanto e tristeza que recebi, no passado 10 de Julho, a notícia do falecimento de Paulo Pinheiro, um homem que ousou um dia sonhar com um autódromo na sua cidade natal (Portimão) e concretizou o seu sonho com uma visão que elevou o desporto motorizado em Portugal para novos patamares, abrindo as portas de uma região até aqui dominada exclusivamente pelo sol e praia a tantos outros apaixonados pelas corridas em todo o mundo.
Mentor e director do Autódromo Internacional do Algarve (AIA), o Eng. Paulo Pinheiro era uma pessoa de trato simples, de uma simpatia e amabilidade extrema, com imensa vontade de levar as corridas (e não só) por diante. Apaixonado por desporto motorizado, trouxe em 2008 a final do Mundial de Superbike para a inauguração do Autódromo Internacional do Algarve e daí para cá, Portimão tem sido palco dos maiores e melhores campeonatos de automobilismo e motociclismo. Mundial de Superbike (WSBK), MotoGP, Formula 1, Campeonato do Mundo de Endurance (WEC), Campeonato Europeu de Endurance (ELMS), Blancpain GT Series, International GT Open, Campeonato do Mundo de Supermoto, Rotax, Corrida dos Campeões e a grande festa dos clássicos, o Algarve Classic Festival, são alguns exemplos de eventos que já passaram, e alguns continuam a passar ano após ano, pelo complexo desportivo do AIA.
O Algarve perdeu um embaixador da região dentro de portas mas também lá fora, um “fazedor”. Se o Autódromo Internacional do Algarve é hoje um veículo de promoção do desporto motorizado, do Algarve e de Portugal em todo o mundo, muito se deve ao incansável Paulo Pinheiro. A economia da região (e, por conseguinte, do país) beneficia muito com o retorno e a notoriedade proporcionados por estes eventos desportivos. Veja-se o caso concreto da prova de MotoGP que visita Portimão desde 2020 e que este ano se realizou entre 22 e 24 de Março 2024 (época baixa). Segundo o Turismo do Algarve o “impacto financeiro estimado situou-se entre os 75 milhões e 87 milhões de euros”. Já “as receitas diretas da prova (…) superaram os 24,7 milhões de euros na hotelaria (somados os 21,3 milhões gastos pelos espectadores e os 3,5 milhões da organização e participantes) e os 9,4 milhões de euros em alimentação e bebidas”. Nada disto seria possível sem a visão e perseverança de Paulo Pinheiro.
Faço votos para que o seu contributo para a região e para o desporto motorizado em Portugal perdure com igual vigor pois será a melhor forma de honrar a sua memória. À família e amigos, assim como para a equipa do AIA, apresento as minhas sinceras condolências.
Obrigado Paulo e até sempre.
Fabrice Martins
Agosto 2024






