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Opinião

Manipulação da livre decisão dos cidadãos

Francisco Martins
Última Atualização: 2024/Fev/Ter
Francisco Martins
2 anos atrás
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Estamos perante mais umas eleições legislativas, desta vez, antecipadas, consequência do fracasso das políticas do PS, que não responderam aos problemas do país, sendo o corolário de sucessivas demissões e escândalos, tendo a corrupção em pano de fundo. E com elas, de novo a mistificação, de que o escrutínio eleitoral se destina à escolha do primeiro-ministro, que a comunicação social repete vezes sem conta.

As eleições legislativas não servem para escolher o governo, nem quem o vai chefiar. Na verdade, está em causa a eleição de 230 deputados em 22 círculos eleitorais.

É na Assembleia da República que se formam as maiorias para a constituição do governo, e o partido mais votado, não é necessariamente, o que forma governo.

O Algarve elege 9 deputados. Cabe aos eleitores conhecer os candidatos dos diversos partidos, nomeadamente pelo Algarve, tarefa que não se avizinha fácil, avaliar o trabalho desenvolvido pelos deputados cessantes, bem como as propostas de cada um deles para a região e decidir em consciência. Curiosamente, a CDU, que não elegeu ninguém há dois anos, manteve uma presença assinalável na região, através do deputado João Dias, eleito pelo círculo eleitoral de Beja, que contactou trabalhadores, populações e instituições, levando ao hemiciclo perguntas, requerimentos e intervenções, e submetendo projetos de resolução e de lei.

Há vários fatores de ordem antidemocrática que pressionam e condicionam a escolha livre do eleitorado, que não fazem jus ao pluralismo e a uma genuína Democracia, que persistem eleição após eleição. Há partidos que são levados ao colo pela comunicação social, outros são praticamente proscritos como o PCP – por sinal, força maior da resistência antifascista, fundador, construtor e defensor do regime democrático e da Constituição – opinião que vários analistas independentes partilham. Insolitamente, a própria extrema-direita xenófoba e pós-fascista, no ano do 50.º aniversário da Revolução de Abril, vá-se lá compreender, tem os meios da comunicação social ao seu dispor, que, ingenuamente ou não, a normaliza. Responsabilidade, seguramente, da forma como as forças democráticas comunicam, mas, sobretudo, da generalidade da comunicação social e das televisões, todas elas. Nunca esquecendo, obviamente, que a raiz da sua existência e progressão é consequência do fracasso das políticas públicas (neoliberais) no contexto nacional e europeu.

As inúmeras e frequentes sondagens de opinião são outro elemento antidemocrático que condicionam e manipulam a escolha dos eleitores, prolongando-se quase até à deposição do voto nas urnas. A credibilidade das sondagens é baixa. Nas últimas eleições legislativas davam um empate técnico entre PS e PSD. O PS ganhou as eleições com maioria absoluta! Nas últimas eleições na Madeira, falharam de novo.

A estratégia das sondagens não é dissociada da falsidade do chamado voto útil, que induz os eleitores a concentrarem o seu voto, designadamente à esquerda, quando na realidade todos os votos contam para a formação da maioria e do governo. O suposto empate técnico entre PS e PSD manipulou a escolha dos eleitores, que à esquerda, concentraram o voto no PS, com o resultado que se viu! As falsas promessas eleitorais (olhe-se o passado dos protagonistas) são outro dos fenómenos que levam o eleitorado a comer gato por lebre.

À direita, as promessas da nova AD contradizem por completo as políticas e as medidas de brutal austeridade, implementadas no último governo onde tomaram parte, sob a liderança de Passos Coelho. Devemos recordar que este, antes de chegar ao poder, prometeu não subir os impostos. Contudo, o aumento da carga fiscal foi uma “brutalidade”, uma “espécie de assalto à mão armada ao contribuinte” (Marques Mendes). Mas, de facto, não há como a extrema-direita, pós-fascista, populista e demagógica, que tudo promete em doses mirabolantes. Não tardará, um dia destes, a promessa de fazer chover e resolver o problema da seca! Olho vivo e pé ligeiro, mais do que nunca, é preciso nestes tempos sombrios.

 Poder Local. Uma nota final para o Município de Silves que lançou duas obras emblemáticas para o concelho. A Reabilitação do Antigo Casino de Armação de Pêra, com obra iniciada, e a Conservação e Restauro da Ponte Velha de Silves, após 2.º concurso público, com início de obra iminente.

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Natural de S. Bartolomeu de Messines, nascido em 1957. Licenciado em Economia, Membro Efetivo da Ordem dos Economistas. Professor e vice-presidente da Escola Secundária de Silves; vereador permanente e não permanente da Câmara Municipal de Silves (eleito da CDU); dirigente associativo em várias entidades. Fundador do Terra Ruiva.
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