“Tal situação não tem a ver apenas com a física ou a biologia, mas também com a economia e o nosso modo de a conceber. A lógica do máximo lucro ao menor custo, disfarçada de racionalidade, progresso e promessas ilusórias, torna impossível qualquer preocupação sincera com a casa comum e qualquer cuidado pela promoção dos descartados da sociedade. Nos últimos anos, podemos notar como às vezes os próprios pobres, confundidos e encantados perante as promessas de tantos falsos profetas, caem no engano dum mundo que não é construído para eles.” (Papa Francisco, Exortação Apostólica Laudate Deum, 4 de outubro de 2023)
Eis um excerto surpreendente para muitos católicos, crentes e não crentes, síntese corajosa e lúcida do Papa Francisco, no quadro da análise consistente que tece sobre a crise climática global, criticando o modo de funcionamento e a lógica do sistema económico dominante (capitalismo).
Também a denúncia dos falsos profetas (populismo) que, a meu ver, no caso português, esconde ardilosamente o seu verdadeiro ideário político de cariz fascizante, xenófobo, racista, boçal, intolerante e ultraliberal, que ludibria os estratos sociais mais carenciados, o lumpemproletariado, setores da juventude e da classe trabalhadora, desprovidos de consciência de classe e política, que estão revoltados contra a precariedade e os baixos salários, a corrupção, as incertezas do futuro, as dificuldades no acesso aos bens públicos essenciais (saúde, educação, habitação) e o alastramento das desigualdades sociais.
Não por acaso o líder do Chega “fugiu” para a Madeira, aquando das Jornadas Mundiais da Juventude, por não se identificar com o pensamento e o rumo traçado para a Igreja Católica pelo Papa Francisco.
Esta população, marcada pela revolta e sentimento de injustiça, falta de oportunidades e a dureza do dia-a-dia, muitos sem pão para comer e teto digno para viver, é levada a crer que a culpa é do atual sistema político democrático, que esta extrema-direita responde aos seus problemas reais, desconhecendo que os novos/velhos profetas (IL-Chega), não são antissistema, são pelo agravamento do pior do sistema (capitalismo autoritário e selvagem), promovendo altos interesses económicos e financeiros, que lhe são totalmente antagónicos.
Aliás, na opinião de vários analistas, são as duas expressões políticas e organizativas das frações mais reacionárias do capital, que as financiam em larga escala, almejando terminar o trabalho do governo da Troika e esperar por Passos Coelho. Preconizam o aprofundamento do modelo neoliberal e o fim do que resta do Estado Social – e não qualquer alternativa a ele – na linha das políticas da União Europeia e dos governos nacionais (centrão de interesses), comprometidos com as mesmas, que são responsáveis pelo estado a que chegamos e pelo desacreditar na Democracia.
Poder Local. Uma nota para o novo projeto de recolha seletiva de resíduos porta-a-porta promovido pelo Município de Silves, de Maioria CDU, sob o lema “Silves a Separar da Serra ao Mar”, que a título experimental será desenvolvido nas zonas da Caixa d´Água e Pinheiro, zonas limite da cidade de Silves, a partir do final de janeiro, com o objetivo de se estender, progressivamente, a outros territórios, em função dos meios e da avaliação que for efetuada. Não deixa de ser um projeto inovador, desafiante e um salto qualitativo na defesa e valorização do ambiente. A sua concretização exigirá, decerto, níveis elevados de organização do trabalho e a sensibilização da população para a adoção de novos hábitos e padrões de comportamento cívico.






