Inseriu o «Terra Ruiva», na sua edição de Julho, uma pequena notícia relativa a um estudo promovido pela empresa Iberinform, sobre a distribuição empresarial no Algarve.
Segundo o mesmo, no contexto regional, «Loulé lidera a lista, abrigando 20% das empresas, seguido por Faro com 14%, Albufeira com 13%, Portimão com 12%, Lagos com 8% e Silves com 6%».
Talvez pela época estival em que estávamos, para muitos período de férias, a notícia não gerou quaisquer comentários, nem das indiferentes forças políticas do concelho, nem da sociedade em geral. Ora, o concelho de Silves localiza-se no coração do Algarve, é servido por excelentes vias de comunicação, sejam rodoviárias, como a Autoestrada do Sul A2, Via do Infante A22 (ambas com nós de acesso no concelho), IC1, EN 125, EN 124, sejam ferroviárias, usufruindo mesmo do maior número de estações/ apeadeiros de toda a região, além de deter uma gare nevrálgica, como é o caso de Tunes.
Apesar de todas estas condições únicas no Algarve, reitero únicas, alberga somente 6 % do tecido empresarial, o que nos afigura inquietante. Com inigualáveis acessibilidades e uma localização privilegiada, o concelho não é atrativo para os empresários, nem para a fixação da população, na verdade se excetuarmos as freguesias do litoral, até a própria freguesia de Silves perdeu habitantes nos últimos anos.
Tudo isto é ainda mais preocupante se tivermos em consideração a vocação industrial do concelho no passado. Recorde-se que Silves albergou, no final do século XIX, a maior fábrica existente em Portugal, a Villarinho & Sobrinho, sendo que em 1941 só na cidade existiam cerca de 40 fábricas de cortiça, que empregavam 1 500 operários. Já na segunda metade do século XX, evidenciaram-se como grandes empresas os Estabelecimentos Teófilo Fontainhas Neto, bem como a Ramiro Cabrita & Irmão, na freguesia de São Bartolomeu de Messines.

Como é possível, não obstante todo este potencial histórico, aliado à privilegiada localização central que o concelho detém na região e acessibilidades ímpares, albergar somente 6% do tecido empresarial?
A crise na indústria corticeira a partir de meados do século passado e a fuga dos empresários de Silves para a margem Sul do Tejo foi dramática, em vários aspetos, entre eles, a perda de capital humano. Uma sangria que ainda se faz sentir, pela diminuta massa crítica existente na cidade e no concelho.
O território de Silves tem todas as condições para aumentar a atratividade e fixação de empresas e empresários, mas falta-lhe a principal, a vontade de o fazer. Uma atitude que não é recente, mas que teima em persistir, aliada à total ausência de estratégia, não obstante a capacidade financeira que há muito existe. É inexplicável, que em todo o concelho não existam áreas de localização empresarial de âmbito municipal, nem o novo Plano Diretor Municipal tenha dado primazia à sua concretização. Aliás, a cidade não a tem, nem de cariz privado. A este nível somente em São Bartolomeu de Messines, Alcantarilha e em Algoz, esta última com acessibilidades medíocres (faixas de rodagem reduzidas, sem bermas, traçados sinuosos, e mau estado de conservação), que denotam a importância que a Câmara Municipal de Silves, vereadores permanentes e não permanentes, dão a estes espaços.
Silves é um concelho favorecido com diversas potencialidades e mais-valias únicas no Algarve, que há muito o podiam ter tornado num dos mais prósperos da região. Todavia, o alheamento dos seus agentes políticos e das suas gentes não o têm permitido e o resultado não podia ser diferente. Um território hostil para empresários e na generalidade de oportunidades perdidas.









Escasseia o investimento, falta estratégia, a cidade de Silves tem sido ultrapassada por quase todas as cidades do Algarve em várias aspectos, pois falta habitação, falta emprego, falta polos de dinamismo. Sem habitação, a economia local estagna, note-se que até cidades do interior algarvio como Loulé ou Lagoa, os espaços urbanos crescem e são fomentados e com isso atrai população, serviços, comércio, indústria. Silves tem um potencial enorme e provavelmente único no Algarve que é pouco aproveitado, tem um património histórico sem igual, quantas pessoas de Silves, não desejariam viver na cidade de Silves, mas não o fazem, porque não encontram habitação, porque escasseia o emprego e o dinamismo.