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Opinião

Movimento associativo, uma força necessária ao desenvolvimento local

Francisco Martins
Última Atualização: 2023/Jul/Sex
Francisco Martins
3 anos atrás
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O movimento associativo nas áreas da solidariedade social, recreio, artes, saúde, património, ambiente, religião, cultura e desporto, bem como no âmbito das Associações Humanitárias de Bombeiros, exerce papel fundamental na resposta alternativa para a supressão de necessidades e problemas locais, em articulação e parceria com as câmaras municipais e juntas de freguesia.

O trabalho nas associações sem fins lucrativos assenta, sobretudo, no regime de voluntariado, que não invalida, necessariamente, boas regras de gestão, organização e planeamento, sendo curial que os dirigentes se foquem exclusivamente no interesse coletivo e bem-estar da comunidade, servindo as instituições e não se servindo das mesmas, para fins pessoais ou partidários.

O movimento associativo é um elemento primacial da intervenção cívica e ação coletiva e, desta maneira, agente fundamental no fomento da democracia participativa e do desenvolvimento local, papel tanto maior quanto maior for a criatividade e qualidade da atividade desenvolvida e os laços de cooperação e solidariedade interassociativa.

A grande maioria das associações nasceu com o 25 de abril de 1974, são fruto da liberdade e democracia, concretamente, da liberdade de associação. O concelho de Silves apresenta uma dinâmica significativa na vertente da Economia Social, na qual se incluem 83 associações, que desenvolvem a sua ação de forma regular.

É obrigação do Poder Local, municípios e freguesias, incentivar e apoiar do ponto de vista financeiro e logístico o funcionamento e os projetos das coletividades, numa relação equilibrada, que não fira a sua autonomia e simultaneamente não estimule uma lógica excessiva de dependência.

É um facto que uma das estratégias da atual liderança camarária, de maioria CDU, corporizando ideais democráticos e progressistas, passa por fortes medidas de apoio ao mundo associativo, que se expressam através da implementação de programas anuais no âmbito do social, da cultura, desporto, organizações juvenis e igrejas.

No ano de 2022 foram processados subsídios no valor de 555 mil euros a estas entidades, excluindo o apoio logístico, que frequentemente é decisivo para a concretização dos eventos das coletividades.

Um mero exemplo: na bem-sucedida VIII Festa do Caracol, evento organizado pela União Desportiva Messinense, Câmara Municipal de Silves e Junta de Freguesia de São Bartolomeu de Messines, foi determinante e é justo valorizar o apoio logístico prestado pelo município, quantificado em algumas dezenas de milhares de euros (aluguer, montagem e desmontagem de stands, palco e som, transportes, água e saneamento, eletricidade, trabalho extraordinário). Obviamente, também não se deve subestimar o elevado esforço despendido pelos dirigentes e sócios da coletividade na organização e funcionamento do evento, nem tampouco a participação de outras coletividades num espírito de cooperação interassociativa.

Ainda em relação a apoios autárquicos, na esfera das Associações Humanitárias de Bombeiros, o município assumiu no ano transato despesas no montante global de 980 mil euros. A título de avaliação comparativa é sintomático relembrar que durante o período da pandemia de Covid-19 (2020 e 2021) a autarquia manteve a atribuição dos apoios financeiros às associações, que curiosamente, contrasta com um outro período de dificuldades do país, ano de 2012 (período da troika), cuja liderança municipal (PSD) resolveu cortar a totalidade dos subsídios atribuídos às coletividades. Se recuarmos mais no tempo, no último ano do mandato autárquico do PS (1993), constatamos que a totalidade dos subsídios aprovados transitaram para 1994.

Em tempo de capitalismo neoliberal cuja ideologia privilegia os interesses e o mercado, o consumismo e o individualismo (cada um por si), contrários à solidariedade e à ação coletiva, e nas condições de falta de pujança e assimetrias da economia portuguesa, com reflexos no contexto local, que dificultam a obtenção de meios e apoios, cabe às coletividades e ao poder autárquico, mesmo assim, remar contra a maré e o sistema dominante, defendendo e fortalecendo o movimento associativo, enquanto agente do desenvolvimento local.

 

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Natural de S. Bartolomeu de Messines, nascido em 1957. Licenciado em Economia, Membro Efetivo da Ordem dos Economistas. Professor e vice-presidente da Escola Secundária de Silves; vereador permanente e não permanente da Câmara Municipal de Silves (eleito da CDU); dirigente associativo em várias entidades. Fundador do Terra Ruiva.
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