Ano lectivo novo, vida nova. Pelo menos é esse o caso para milhares de alunos que iniciam o seu percurso escolar, ou que mudam de escola, mas também para grande parte dos professores que continuam de mochila às costas, perdão, de malas às costas. Contrariamente ao que se poderia pensar, a chegada de um novo ano lectivo não significa o início das aulas em todas as disciplinas. O problema não é novo, não há professores para leccionar porque escasseiam apoios e incentivos que permitam, por um lado, aliciar a realocação de recursos humanos existentes para outras áreas onde escasseiam e, por outro, atrair jovens para a docência.
Segundo dados da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência, 57% dos professores no ensino público têm mais de 50 anos, enquanto que no privado são cerca de 24%, pelo que a actual vaga de aposentações de professores não irá abrandar nos próximos anos. Aliás, segundo um estudo encomendado à Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa e apresentado no final de 2021, para suprir as necessidades de professores nas escolas em 2030/2031, seria necessário recrutar até lá 34.508 novos docentes. Se conjugarmos esta ideia com a imagem da profissão, há muito associada à precariedade e instabilidade, o prognóstico é deveras preocupante.
É neste contexto que o Agrupamento de Escolas de Silves se vê inserido, encontrando-se na lista das 10 escolas do país com mais falta de professores. Algo que vem sendo hábito pois o Algarve apresenta algumas especificidades difíceis de contrariar com um custo de vida elevado quando comparado com outras zonas do país que contam com oferta de transportes públicos e de habitação.
A constatação da escassez de casas que tanto afecta docentes e alunos, neste caso universitários, é assustadora. No caso dos estudantes universitários, a insuficiência de residências estudantis agudiza as suas dificuldades e restringe significativamente as suas opções. Para os professores, chegam a ser notícia casos de docentes que à falta de alternativa encontram “refúgio” em parques de campismo. Ora existindo capacidade de construção no país e meios de financiamento, como é que se explica o gravíssimo problema de habitação, transversal à sociedade, de que Portugal padece?
Espero que as medidas encontradas para colmatar as lacunas existentes surtam efeito no imediato, na certeza porém de que ter os créditos necessários para poder dar aulas, não é a mesma coisa do que ser professor. Até lá, os alunos continuarão sem aulas em algumas disciplinas e sem saber quando terão professor para os ensinar.
Todavia, não deixa de ser irónico que o problema do ensino seja uma monumental dificuldade de aprendizagem com os erros do passado. Dificuldade essa que subsiste, e subsistirá, ano após ano, até que o modelo de ensino seja revisto, os seus processos e procedimentos sejam simplificados e que a precariedade seja algo do passado, pelo que deixo uma sugestão: se souber de alguma sebenta sobre esta matéria não hesite em fazê-la chegar ao ministério, quem sabe se não será uma ajuda preciosa para o aluno finalmente passar o ano com distinção. A Educação agradece.








